Livro debate desafios da comunicação pública

Com as redes sociais digitais e a concentração de poder da mídia, é cada vez mais complexa a percepção das ações dos governos pelos cidadãos

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Com as redes sociais digitais e a concentração de poder da mídia, é cada vez mais complexa a percepção das ações dos governos pelos cidadãos

Por Adriana Delorenzo

Como os gestores públicos podem fazer uma boa comunicação capaz de alcançar os cidadãos? E como a população percebe as ações de governo que são realizadas e as que não são? Estes são alguns pontos debatidos no recém-lançado livro “Comunicação e Gestão Pública”, organizado por Greiner Costa (Alínea Editora).

Com prefácio do economista e professor da Unicamp, Marcio Pochmann, a obra traz uma coletânea de artigos de especialistas e pesquisadores, que discutem as complexidades nas relações entre ações dos governos e formação da opinião pública. Os textos foram originalmente elaborados para o Curso de Especialização em Estado e Gestão Pública, realizado em parceria entre a Fundação Perseu Abramo, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e a Escola de Extensão da Universidade Estadual de Campinas.

No primeiro capítulo, Greiner Costa faz uma análise dos fatores que levam um governo ser bem avaliado pela opinião pública. Cada vez mais governantes, gestores e técnicos da administração pública são cobrados por resultados, seja na solução de problemas, demandas ou tomadas de decisões. De acordo com Costa, “a avaliação governamental é um produto de vários fatores”, entre eles, os programas e políticas públicas implantados, o próprio desempenho da gestão e os resultados das estratégias de comunicação. Costa destaca que os posicionamentos e opiniões sobre o governo dizem respeito à “forma como as informações sobre o que uma determinada gestão realizou, ou não realizou, chegam ou não ao conhecimento da população e sobre como as pessoas valorizam, sentem, verificam, atestam o que foi feito ou o que se passou”.

Nesse sentido, é importante pensar de que forma as informações estão chegando aos cidadãos, principalmente, em tempos de redes sociais digitais, onde boatos se espalham facilmente. E há ainda outros filtros que podem direcionar ou até distorcer a informação de uma gestão. “As opiniões sobre a gestão são mediadas pela informação oferecida pelos meios de comunicação empresariais ou institucionais do próprio setor público”, diz Costa.

No capítulo 2, Celso José de Oliveira defende que a comunicação de governo é uma ferramenta importante na gestão pública. “Quem não planeja a comunicação do governo acaba por enfrentar muito mais dificuldades durante o mandato e, não apenas se estrumbica, como, principalmente, deixa de levar ao conhecimento dos cidadãos seus direitos e deveres na relação com a cidade”, argumenta o autor.

Com os avanços das novas tecnologias, da mesma forma que o cidadão tem facilidades para fiscalizar os governos, os gestores públicos podem estabelecer uma comunicação cada vez mais interativa e direta com a sociedade civil, sem filtros. “Há grandes conglomerados privados produzindo notícias e impactando o cidadão de acordo com seus filtros e atendimento aos seus interesses”, afirma. Oliveira ainda defende que com políticas públicas de comunicação e planos de comunicação, as instituições podem recompor e recuperar sua imagem positiva.

A obra ainda traz artigo de José Antonio da Costa Fernandes sobre a necessidade de “uma nova gramática comunicacional”, diante de um momento de “confronto entre democracia participativa e democracia representativa”. Já Reginaldo Moraes discute o papel da mídia, dos grandes meios de comunicação, nas percepções dos fatos. Ele ainda levanta questões importantes, como o crescimento dos custos das campanhas eleitorais.

Na segunda parte da publicação, os autores abordam como os gestores públicos estão cada vez mais suscetíveis a crises de imagem. Para Eduardo Luiz Correia, não é exagero dizer que há um certo clima de “campanha política permanente”. Ele explora como o gestor de comunicação deve pensar seu trabalho sob a ótica da internet. Greiner Costa traz também artigo sobre como governar em situações de crise, apontando elementos para reconhecer, prevenir e enfrentá-las.

A importância da imagem para a construção da opinião pública é abordada por Aurea Regina de Sá. Ela destaca aspectos que interferem na opinião pública. Segundo Aurea, a imagem pública não se constrói somente na relação com a imprensa, mas começa internamente junto aos servidores de cada órgão público e se estende até a internet. “Se você ainda não calculou o barulho que o eleitor pode fazer nas redes sociais, é melhor se prevenir”, ressalta.

Complementando o debate sobre a opinião pública, Luis Fernando Vitagliano defende que ela se origina em grupos de poder, “capazes de difundir organizadamente, de forma eficiente e com muita capilaridade sua opinião”. Para ele, a internet não acabou com a capacidade de manipulação da opinião pública, mas mudou a forma como isso acontece.

O livro traz ainda um guia de sobrevivência para enfrentar crises de imagem, assinado por Alessandro Paulo da Silva. Sem dúvida, imprenscíndivel. Afinal, como conclui o autor: “Uma crise pode ser uma guerra”.

comunicação e gestao publica Comunicação e Gestão Pública
 Greiner Costa (Org.)
 Alínea Editora
 224 págs

 

 

 

 



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