“Vamos Juntas?” é o feminismo posto em prática

Movimento que incentiva a sororidade pede a ajuda de internautas no Catarse para a criação de um portal e de um aplicativo para celular. O objetivo da ação é unir as mulheres em seus caminhos diários nas ruas para, assim, garantir a segurança delas.

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Movimento que incentiva a sororidade pede a ajuda de internautas no Catarse para a criação de um portal. O objetivo da ação é unir as mulheres em seus caminhos diários nas ruas para, assim, garantir a segurança delas

Por Helô D’Angelo

Mulher, sozinha, rua: uma combinação no mínimo tensa em uma sociedade machista. Foi pensando nesse medo constante que a jornalista Babi Souza, com a ajuda da designer Vika Schmitz e da social media Stephanie Evaldt criaram o “Vamos Juntas?” – um movimento que busca unir as mulheres em seus caminhos diários para ajudar na segurança delas. “A nossa palavra de ordem é a sororidade e ela é uma ferramenta incrível para um mundo mais igualitário”, explica Babi.

Foto: divulgação/ Facebook
Foto: Divulgação/ Facebook

É por meio do Facebook que o “Vamos Juntas?” espalha seus ideais. Na página do movimento, que já tem cerca de 250 mil curtidas, são postadas histórias de seguidoras do Brasil inteiro, em anonimato ou não. Todos os casos têm em comum a sororidade: são narrativas em que um assédio é evitado ou interrompido pela ajuda de outra mulher. Criada em 30 de julho deste ano, a fanpage é constantemente alimentada por casos contados por inbox ou nos comentários. “Tentamos trazer a questão do empoderamento através da união e da ótica da sororidade. Eu acredito que só se combate o ódio com o amor, e acho que o movimento é uma expressão disso”, resume a criadora.

Para Babi, o “Vamos Juntas?” é um braço importante do feminismo atual, principalmente no que diz respeito à prática: “O discurso da ‘rivalidade entre mulheres’, que faz com que nos enfraqueçamos umas às outras, é uma marca do machismo que só vai contra a ideia de um mundo mais igualitário. O ‘Vamos Juntas?’ age especificamente contra essa falsa rivalidade”. Como o movimento é livre – isto é, para participar, basta ser mulher e tomar a iniciativa –, cada vez mais pessoas têm aderido e compartilhado suas histórias na página. Muitas comentam que, se não fosse o movimento, nunca teriam agido em situações de risco. “Esse movimento acontece e é maravilhoso”, diz uma das seguidoras, de Santa Catarina. Outra, do Rio de Janeiro, diz: “Juntas, somos mais fortes”.

Para difundir ainda mais os ideais de união entre mulheres, o “Vamos Juntas?” abriu um financiamento em grupo no Catarse, com o objetivo de arrecadar recursos para a criação de um portal que facilite o encontro entre mulheres nas ruas. Para Babi, a questão do empoderamento pela sororidade é urgente: “Acho que esse é o momento de escancararmos todas essas reflexões. As máscaras do machismo estão caindo e as pessoas estão mostrando como realmente pensam. Apesar de muitas vezes ser triste ver essas opiniões e posicionamentos, fico feliz que agora se fale abertamente sobre a desigualdade de gêneros e a violência de gênero”.



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