Irlandesas tuítam detalhes de seus ciclos menstruais em protesto sobre aborto

"Já que nós sabemos o quanto o governo irlandês se importa com as nossas partes reprodutivas (ou a nossa 'pequena embaixada', como gosto de chamá-las), acho que é justo que as mulheres da Irlanda deixem nosso líder, Enda Kenny, saber cada detalhe do nosso...

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“Já que nós sabemos o quanto o governo irlandês se importa com as nossas partes reprodutivas (ou a nossa ‘pequena embaixada’, como gosto de chamá-las), acho que é justo que as mulheres da Irlanda deixem nosso líder, Enda Kenny, saber cada detalhe do nosso ciclo menstrual”, afirmou a idealizadora da ação, que busca chamar a atenção do primeiro-ministro para o debate em torno das leis de aborto no país 

Por Helô D’Angelo

“Já que nós sabemos o quanto o governo irlandês se importa com as nossas partes reprodutivas (ou a nossa ‘pequena embaixada’, como gosto de chamá-las), acho que é justo que as mulheres da Irlanda deixem nosso líder, Enda Kenny, saber cada detalhe do nosso ciclo menstrual”. Foi assim que a humorista irlandesa Gráinne Maguire começou o #RepealThe8th, uma mobilização pelo Twitter contra as leis de aborto na Irlanda.

"Só para você saber, minha menstruação desceu há dois dias. Fluxo bem pesado primeiro mas agora só algumas gotinhas ocasionais".
“Só para você saber, minha menstruação desceu há dois dias. Fluxo bem pesado primeiro mas agora só algumas gotinhas ocasionais” – um dos tuídes da humorista.

Unindo humor à indignação, centenas de mulheres começaram a marcar o primeiro-ministro em tuítes descrevendo desconfortos, narrando fatos e até compartilhando desenhos anatômicos sobre seus ciclos menstruais. “Ei, meus óvulos estão envelhecendo, mas eu ainda menstruo”, tuitou uma das internautas. “Espirrei e acho que pari uma água-viva”, escreveu outra. “Se o que acontece nas minhas trompas não é da conta do governo, eu não precisaria tuitar sobre isso, para começar”, disse Maguire ao jornal The Guardian.

A Irlanda é um dos países mais conservadores no que diz respeito à lei de aborto. No país, a prática é proibida a menos que a gestação represente algum risco de vida para a mulher (excluindo, por exemplo, a interrupção da gravidez por estupro) e pode dar até 14 anos de cadeia para quem se submeter ao procedimento. Segundo a Anistia Internacional, todo ano cerca de 4 mil mulheres deixam a Irlanda para realizar aborto em outros países.

A hashtag #RepealThe8th (algo como “Repelindo a oitava emenda”), usada por Maguire para disseminar a campanha na rede social, é uma menção direta à Oitava Emenda da Constituição irlandesa. Colocada em prática em 1983, é ela que proíbe a interrupção da gravidez em qualquer contexto que não seja o risco de vida da gestante.

Além dos numerosos tuítes, uma petição contra a emenda circula online e já reúne cerca de 47 mil assinaturas. Apesar disso, até o fechamento desta nota, o ministro não havia respondido aos apelos das irlandesas. “Se tem algo que o governo irlandês demonstrou ao longo dos anos é que é sim da conta dele o que acontece em nossos corpos. Ele pode decidir se eu devo ou não permanecer grávida, então por que não envolvê-lo no resto do processo também?”, protesta a humorista.

Confira outros tuítes da campanha:



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