Além de Frida Kahlo: 10 outras artistas mexicanas importantes e engajadas

Quando pensamos em artistas mulheres do México, sempre o primeiro nome que vem à mente é o de Frida Kahlo. Diversas outras pintoras, fotógrafas ou mesmo escritoras com engajamento político e social, no entanto, também contribuíram para a formação artística e cultural do país...

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Quando pensamos em artistas mulheres do México, sempre o primeiro nome que vem à mente é o de Frida Kahlo. Diversas outras pintoras, fotógrafas ou mesmo escritoras com militância política e social, no entanto, também contribuíram para a formação artística e cultural do país latino-americano; conheça algumas delas

Por Julieta Sanguino, no Cltra Colectiva; Tradução livre de Ivan Longo

Quando pensamos em mulheres artistas do México, sempre o primeiro nome que vem à mente é o de Frida Kahlo. Tendemos a acreditar que não existem outras representantes dignos da cultura mexicana e que, se há, não possuem grande habilidade. Não é verdade. Há outras mulheres mexicanas cujo trabalho artístico é talvez mais importante e significativa do que de Frida: elas fizeram obras que nos transporta para o seu mundo e para outras perspectivas sobre a realidade.

Cada uma com seu próprio discurso, elas fazem o espectador concentrar toda a sua atenção em resolver o mistério de sua obra. Não pertencem a uma época pois definiram o curso da arte mexicana. Algumas não nasceram no México mas o amor que tinham pelo país foi materializado.
Com o aprendizado prévio, conseguiram marcar a arte de sua nova nação e são à elas que devemos o agradecimento por ampliar as referências, de modo que quando nos perguntarem quem é a melhor artista do México, deixemos de mencionar apenas Frida.

María Izquierdo

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Nasceu em San Juan de los Lagos, no estado de Jalisco, em 1902. Aos 15 anos casou-se com General Cândido Posadas Sanchez, com quem teve três filhos se mudou para a capital. Na Cidade do México, Maria Izquierdo percebeu a revolução cultural que existia no país e divorciou-se do general para entrar na Escola Nacional de Belas Artes. Lá, conheceu o diretor Diego Rivera e Rufino Tamayo. No entanto, os cânones clássicos da escola a deixaram farta e ela então decidiu abandoná-la um ano depois. Tamayo e Izquierdo mantiveram uma relação de 1929 a 1933.

Ela fez uma exposição individual na Galeria de Arte Moderna do Teatro Nacional. No ano seguinte, foi convidada por Frances Flynn Payne para mostrar seu trabalho no Centro de Arte em Nova York e foi a primeira artista mexicana que expôs nos Estados Unidos.

Os estilos de Izquierdo e Tamayo se misturam e confundem-se. Ambos se interessavam pela qualidade da pintura matérica e pela exploração das cores em composições simples através de temáticas da cultura popular, sem uma estilo da escola mexicana.

Suas cenas são incomuns, surreais, abandonadas e destruídas. Ela entrou para as vanguardas europeias através de um estilo próprio, em que conseguiu a concatenação entre a tradição e a modernidade.

María Izquierdo (1902 – 1955) El idilio , 1946
María Izquierdo (1902 – 1955) El idilio , 1946

Nahui Olin

Em 1913 nasceu a filha do general Manuel Mondragon: Carmen Mondragón – também conhecida como Nahui Olin – de seu olhar hipnotizante que seduzia a qualquer um: caráter forte e extravagante. A filha do general poderia ter se tornado a representante da beleza, mudança e sexualidade dos anos 40; no entanto, a pintora e poeta começou gradualmente a ter a relevância que sempre deveria ter. Ele fez várias pinturas nas quais se destacam seus auto-retratos, além de ter posado nua para diferentes fotógrafos e pintores como Diego Rivera.

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Remedios Varo

Foto: Reprodução
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Nascida na Espanha e naturalizada mexicana, Remedios Varo era uma pintora surrealista que graças ao pintor Esteban Francés, foi introduzida ao surrealismo. Junto com o poeta Benjamin Peret fugiu para Paris durante a Guerra Civil Espanhola e, mais tarde, emigrou para o México, que recebeu refugiados políticos. Ela trabalhou como ilustradora publicitária e mais tarde dedicou-se inteiramente à pintura. Sua primeira exposição coletiva foi na Galeria de Diana da Cidade do México, em 1949, e um ano mais tarde, expôs sozinha no mesmo lugar.

Ela forjou uma grande amizade com outra poeta surrealista exilada, Leonora Carrington, e fez grandes obras em que combinou o mundo dos sonhos, a falta de tempo e seres fantasmagóricos.

 

Leonora Carrington

Esta pintora de origem inglesa teve uma influência marcante sobre Max Ernst e seu trabalho surrealista. Em 1920, a governanta de Leonora mostrou-lhe um mundo de fadas, que mais tarde seria reinterpretado pela pintora. Depois de ser expulsa de várias escolas, em 1926, ela entrou para a Academia de Amédée Ozenfant, onde estudou desenho e pintura. Em 1937, ela conheceu Max Ernst e sua mão foi para Paris. No ano seguinte, expôs na cidade do amor e Amsterdan com um grupo de surrealistas.

Leonora-Carrington
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Em 1939, no início da II Guerra Mundial, ela viajou para a Espanha e conheceu Renato Leduc, com quem se casou e se mudou para Nova York e México. O país latino-americano se tornou sua segunda casa e ela foi naturalizada. Em 1943, conheceu Edward James, que se tornou seu maior ‘mecenas’, e foi inspirada pelo surrealismo do país para fazer a maioria de seu trabalho, tornando-se uma digna representante da arte surrealista mexicana.

Lola Álvarez Bravo

É considerada a primeira fotógrafa profissional mexicana. Trabalhou na revista “O professor rural”, da Secretaria de Educação Pública, e retratou a vida no campo. Ela criou a Galeria de Arte Contemporânea, onde Frida Kahlo mais tarde exibiu durante 50 anos e fotografou uma ampla gama de temas como imagens que retratavam a vida do México, retratos de grandes líderes e as primeiras fotomontagens do mundo. Ele ensinou a fotografia na Academia de San Carlos, na Cidade do México, e fotografou os artistas da época.

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Elena Garro

Elena Garro é, muitas vezes, mais conhecida por sua vida tumultuada, cheia de altos e baixos, e não por sua magnífica obra literária. Ele nasceu em Puebla, no México, em um ambiente familiar e feliz. Sempre teve dúvidas e questionava tudo que estava acontecendo ao seu redor. Ela era a esposa do Prêmio Nobel Octavio Paz, um das figuras mais importantes da vida no México e que a ajudou a desenvolver sua carreira de escritora.

Garro analisava as contradições políticas e sociais que os escritores vivem através de suas obras. Elena foi uma escritora, roteirista, coreógrafa, jornalista e poeta. Combinava fatos reais com ficção e construiu mundos em que o seu objetivo era satisfazer o desejo. Seus primeiros textos dramáticos estão reunidos em “Uma Casa Sólida”, e depois produziu um texto de caráter revolucionário intitulado “Felipe Ángeles”. Em 1963 ela criou um de seus mais populares romances “Memórias do Futuro”, que a fez ganhar o prêmio Xavier Villaurrutia por sua técnica narrativa e o uso de componentes do realismo mágico, presente na maioria de suas obras.

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Helena Esobedo

Uma das escultoras mexicanas mais importantes que estudaram no Colégio da Cidade do México e ganhou uma bolsa de estudos para o Royal College of Art em Londres. Suas obras, feitas de materiais industrializados e naturais, são de tamanho monumental. Trinta esculturas públicas feitas por ela estão localizadas no México, Canadá, Estados Unidos, Cuba, Inglaterra, Nova Zelândia e Israel.

Ela descobriu a importância de o espectador interagir com a obra de arte. Foi uma das primeiras a se preocupar com o planejamento e o meio ambiente, e pertenceu a uma época em que as artes plásticas eram extremamente relacionadas. Ele entendeu o espaço interior e o modo como vivemos.

Foto: Mario Guzman
Foto: Mario Guzman

Aurora Reyes

A primeira muralista mexicana que foi excluída de quase todos os livros de Arte e História. Ela nasceu em Hidalgo del Parral, Chihuahua, e pintou o seu primeiro mural em 1936 no Centro Escolar da Revolução, chamado “Atentado aos Professores Rurais”. Ele usou sua pintura e poesia como uma ferramenta para reivindicar os direitos das mulheres mas, Luis Echeverria (presidente do México entre 1970 e 1976), quando era muito jovem, foi o protegido da pintora, que a apresentou para a elite artística mexicana. Depois de 2 de outubro (2 de outubro de 1968, o chamado Massacre de Tlateloco, em que centenas de estudantes foram assassinados por forças do governo) o ressentimento e ódio da pintora ao político foi tão grande que o chamou de assassino e bateu a porta em sua cara.

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Pola Weiss

Foi pioneira em videoarte na América Latina, considerada na França como a mais importante artista de vídeo americana, tendo assinado mais de 46 exposições no exterior. Ela enfrentou a ignorância e o desconhecimento de seu trabalho. Sua família doou seu acervo integrado por 3165 materiais entre documentos, fotografias, slides e rolos de negativos.

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Teresa Margolles

Artista mexicana que combina disciplinas como a fotografia, instalação, performance e vídeo para analisar fenômenos naturais da vida, especialmente a morte. Explora violência, repressão e injustiça social no México. Ela é uma artista bastante controversa porque seu trabalho centra-se em cadáveres, sangue e necrotérios. Nasceu em Culiacan Sinaloa e estudou arte e medicina forense, daí a interdisciplinaridade de seu trabalho.

Divulgação
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Foto de capa: Leonora Carrington, uma das artistas mexicanas que tem obras expostas na exposição Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México (Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, até 10 de janeiro)

Leonora Carrington
Leonora Carrington


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