Playlist: confira 9 músicas que falam do empoderamento negro

Conheça canções cujas letras colocam em foco a luta dos negros - e reveja duas apresentações que confrontaram o conformismo de quem pensa que racismo não existe

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Conheça canções cujas letras colocam em foco a luta dos negros – e reveja duas apresentações que confrontaram o conformismo de quem pensa que racismo não existe

Por Redação

No show do intervalo do Super Bowl deste ano, Beyoncè cantou “eu gosto do meu nariz de negro com narinas de Jackson Five”. Sua canção “Formation”, que fala especificamente sobre a questão da luta dos negros, ganhou um clipe que reforça a questão da representatividade, contando apenas com pessoas negras. Anteontem (15), foi a vez do rapper Kendrick Lamar trazer o tema do racismo à tona, apresentando um medley das canções “The Blacker the Berry” e “Alright”  no Grammy – ambas com referências à violência policial e à África e repleta de reflexões políticas. Confira essas e outras canções que tratam do assunto:

1. “Formation” – Beyoncè

A música tem referências à violência policial e ao racismo em geral. O clipe, por exemplo, é aberto com uma declaração: “O que aconteceu em New Orleans?”. A pergunta é do rapper negro Messy Mya, que foi assassinado em 2010 em New Orleans, depois de criticar a polícia. Além disso, Beyoncè aborda outras questões, como as críticas ao cabelo natural de sua filha, Ivy Blue. No vídeo, os dançarinos são todos negros, e todas as locações fazem referência à exclusão da população negra no país.

2. “The Blacker The Berry” – Kendrick Lamar

“Você me odeia, não é?/ Você odeia a minha gente, seu plano é exterminar minha cultura/ Você é do mal/ Quero que você reconheça que eu sou um macaco orgulhoso”. Foi isso que Kendrick Lamar cantou no Grammy, acompanhado por percussionistas africanos, em um cenário de prisão.

3. “Coração Do Mar” / “Mulher Do Fim Do Mundo” – Elza Soares

“É um navio humano, quente, negreiro, do mangue/ É um navio humano, quente, guerreiro, do mangue”, canta Elza Soares, em “Coração do Mar”. Tanto a letra quanto a melodia (sem instrumentos) desta primeira faixa do disco “Mulher do Fim do Mundo” trazem uma clara referência aos navios negreiros que dominavam as águas. Não é por acaso que a primeira canção do disco é uma homenagem aos cantos dos recém-escravizados: Elza deixa evidente, cantando sobre o “navio humano”, que tudo o que admiramos como música popular atualmente, do samba ao rap, vem da cultura africana.

4. “Sucrilhos” – Criolo

Criolo, em “Sucrilhos”, vai além da crítica ao racismo, falando da hipocrisia das classes média e alta que querem fazer parte da cultura da periferia mas acabam apenas se apropriando dela, sem, de fato, conhece-la. A canção é uma ode à cultura da favela e à sua origem, e termina com versos cantados, que contrastam com o rap no resto da música: “Eu tenho orgulho da minha cor/ Do meu cabelo e do meu nariz/ Sou assim e sou feliz/ Índio, caboclo, cafuso, criolo/ Sou brasileiro”.

5. “Bate a Poeira” – Karol Conká

“Negro, branco, rico, pobre/ O sangue é da mesma cor/ Somos todos iguais/ Sentimos calor, alegria e dor”. Carol Conká é conhecida no mundo da música por “tombar” o machismo e o racismo, e em “Bate a Poeira”, não é diferente: a cantora diz que “o preconceito velado tem o mesmo efeito, mesmo estrago”, e pede que o ouvinte “seja o que tiver que ser”.

6. “Mississipi Goddamn” – Nina Simone

Nina Simone foi muito criticada na época em que “Mississipi Goddamn” foi lançada: no documentário “What Happened, Miss Simone?”, a cantora explica que era muito incomum títulos “de baixo calão”. Na mesma entrevista, ela deixa claro que ela, mulher negra, não conseguira se calar diante dos acontecimentos que inspiraram a canção – o assassinato de quatro crianças negras em Birmingham, Alabama, em 1963. Ela também não conseguiu falar de forma polida sobre um acontecimento tão sombrio. Naquele contexto, a música de Nina se tornou um hino do movimento negro nos Estados Unidos e no mundo.

7. “Mulheres Negras” – Yzalú

Yzalú mistura violão, rap e uma voz forte e cortante para cantar sobre as mulheres negras: “Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo/As negras duelam pra vencer o machismo/ O preconceito, o racismo/ Lutam pra reverter o processo de aniquilação/ Que encarcera afros descendentes em cubículos na prisão/ Não existe lei maria da penha que nos proteja/ Da violência de nos submeter aos cargos de limpeza/ De ler nos banheiros das faculdades hitleristas/ Fora macacos cotistas”.

8. “Boa Esperança” – Emicida

Emicida combina uma letra crua e dura a um clipe que mostra negros se rebelando contra a humilhação sofrida todos os dias no trabalho. Na canção, Emicida diz: “Nessa equação, chata, policia mata? Plow!/ Médico salva? Não! Por que? Cor de ladrão”

9. “Menina pretinha” – MC Soffia

MC Soffia tem apenas 11 anos, mas já empodera meninas negras por meio da música. Todas as suas canções são sobre a negritude, a história da África, a beleza da mulher negra. “Menina Pretinha” é uma homenagem a todas as meninas negras que não se sentem representadas pela mídia, pelas cantoras ou pelas próprias bonecas: “Menina pretinha/ Exótica, não, é linda/ Você não é bonitinha/ Você é uma rainha”. Saiba mais sobre a MC Soffia aqui.



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