Atrizes de Hollywood criam produtora feminista de filmes

"We Do It Together" será uma organização sem fins lucrativos que terá como objetivo a produção de filmes feitos por mulheres e sobre mulheres

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“We Do It Together” será uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de produzir filmes feitos por mulheres e sobre mulheres, quebrando estereótipos de gênero que são, há décadas, reforçados pelo cinema

Por Redação

O Oscar 2016, que acontece no próximo domingo (28), já ficou marcado como excludente pela falta de negros entre os indicados gerais aos prêmios. No entanto, outra questão foi recentemente posta em debate: a ausência de mulheres na lista dos cotados ao prêmio de melhor direção.

Pensando nisso, um grupos de atrizes como Jessica Chastain, Queen Latifah, Juliette Binoche e Catherine Hardwicke se uniram a produtoras, diretoras e roteiristas famosas de Hollywood para criar o “We Do It Together” (“Nós Fazemos Juntas”, em tradução livre), uma iniciativa sem fins lucrativos, composta majoritariamente por integrantes do sexo feminino e cujo objetivo é possibilitar a produção de filmes por mulheres e sobre o universo feminino, quebrando estereótipos de gênero que são, há décadas, reforçados pelo cinema.

A “We Do It Together” também conta com a diretora brasileira Kátia Lund – que co-dirigiu o filme “Cidade de Deus” ao lado de Fernando Meirelles -, além de personalidades como a atriz Freida Pinto (de “Quem Quer Ser Um Milionário?”), a roteirista e diretora Marielle Heller e a atriz e diretora Amma Asante (de “Belle”).

A produtora Chiara Tilesi, que também integra o time, disse à revista Variety que a organização deve ser apenas um incentivo para que as mulheres na área se sintam mais seguras e livres na produção cinematográfica: “Os filmes sempre tiveram o poder de desafiar a convenção e mudar corações e mentes, e este poder potencial deve ser explorado para desafiar as normas arcaicas relacionadas à mulheres na indústria do entretenimento. Nós sentimos que a melhor forma de tornar isso uma realidade é dar às mulheres do mundo inteiro um jeito concreto de se expressarem, em uma estrutura firme que irá permitir que essas histórias sejam financiadas e distribuídas”.

Segundo Tilesi, o primeiro filme produzido pelo “We Do It Togheter” será lançado em maio, durante o festival de Cannes. Em 29 de fevereiro, a organização também participará de um evento anual da Organização das Nações Unidas chamado Power of Collaboration (Poder da Colaboração), no qual se discutem anualmente temas como a inclusão de minorias e a sustentabilidade.

A discussão proposta pelo “We Do It Togheter” é incômoda e importante porque atinge a base da indústria. De acordo com uma pesquisa do Centro de Estudo das Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade de San Diego, apenas 7% dos 250 filmes hollywoodianos produzidos em 2014 foram dirigidos por mulheres. A porcentagem de roteiristas é apenas um pouco maior, cerca de 11% das grandes produções do ano foram assinadas por mulheres. Os salários também são menores: Jennifer Lawrence, considerada a atriz mais bem paga do mundo, ganha dois terços do salário de Robert Downey Jr., seu correspondente masculino. “Esperamos que, no futuro, não tenhamos a necessidade de um nicho de mercado para financiar filmes feitos por mulheres e sobre mulheres”, resume Tilesi.

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