Mobilização de alunas de colégio gaúcho ganha apoio de 13 mil pessoas

Estudantes dos ensinos fundamental e médio do colégio Anchieta, um dos mais tradicionais de Porto Alegre (RS), criaram o movimento “Vai ter shortinho, sim” com o objetivo de reivindicar pelo direito de se vestirem como...

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Estudantes dos ensinos fundamental e médio do colégio Anchieta, um dos mais tradicionais de Porto Alegre (RS), criaram o movimento “Vai ter shortinho, sim” com o objetivo de reivindicar pelo direito de se vestirem como quiserem e denunciarem o machismo do colégio

Por Redação

Alunas de 13 a 17 anos do Colégio Anchieta, um dos mais tradicionais de Porto Alegre (RS), iniciaram essa semana o movimento “Vai ter shortinho, sim” com o intuito de reivindicarem pelo direito de se vestirem como quiserem e por mais aulas que abordem a questão do machismo e dos direitos das mulheres. Em poucos dias, um abaixo assinado criado pela internet já reuniu mais de 13 mil assinaturas.

“Exigimos que a instituição deixe no passado o machismo, a objetificação e sexualização dos corpos das alunas; exigimos que deixe no passado a mentalidade de que cabe às mulheres a prevenção de assédios, abusos e estupros; exigimos que, ao invés de ditar o que as meninas podem vestir, ditem o respeito”, escreveram no manifesto as estudantes, que são proibidas de usarem shorts considerados ‘curtos’ pela escola.

A mobilização, que vem contando com reuniões diárias entre as dezenas de alunas, foi motivada principalmente pela postura – considerada por elas machista – do colégio ao tentar justificar a proibição. De acordo com as estudantes, uma coordenadora chegou a dizer que o uso do shorts curto “desconcentra” alunos e professores.

“Ao invés de humilhar meninas por usar shorts em climas quentes, ensine estudantes e professores homens a não sexualizar partes normais do corpo feminino. Nós somos adolescentes de 13-17 anos de idade. Se você está sexualizando o nosso corpo, você é o problema”, escreveram as jovens.

Em nota, a assessoria de imprensa do Colégio Anchieta informou que a instituição “está acompanhando a reivindicação dos alunos de trazerem para discussão temas da atualidade presentes no contexto educativo e social” e que, por isso “reitera que está dialogando com a comunidade escolar”.

#Vaitershortinhosim

O nome que as alunas gaúchas usaram para batizar a mobilização não é novo. No ano passado, em setembro, estudantes de um colégio em São Paulo criaram, no Facebook, a página ‘Vai ter shortinho sim’ para reivindicar pelo mesmo motivo.

A página ganhou repercussão e começou a receber relatos de machismo e de alunas sendo proibidas de escolherem o vestuário em diversos colégios pelo país. Com mais de 20 mil curtidas, hoje o movimento repercute e divulga histórias para propor a reflexão e o debate em torno do tema.

“Oi meninas, hoje fui para o colégio com uma blusa que aparece minha barriga, ao chegar no colégio, a diretora me viu com aquela blusa e não fez nada, sabe por que? Por que não teria graça me humilhar quando eu estou sozinha, não é mesmo? Ela esperou pais e alunos ficarem ali no corredor para me humilhar”, relatou uma estudante na página.

Foto: Reprodução/Facebook



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