As pesquisas, o pessimismo com a economia e o veneno midiático

Duas pesquisas nesta semana mostram que o pessimismo do brasileiro em relação às expectativas econômicas diminuiu, mesmo diante do quadro recessivo. A resposta pode estar no exagero de parte da mídia tradicional No gráfico abaixo,...

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Duas pesquisas nesta semana mostram que o pessimismo do brasileiro em relação às expectativas econômicas diminuiu, mesmo diante do quadro recessivo. A resposta pode estar no exagero de parte da mídia tradicional

No gráfico abaixo, a cobertura econômica do Jornal Nacional nos últimos meses, de acordo com o Manchetômetro

Por Glauco Faria

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (27) mostra que, mesmo com o quadro recessivo na economia e a perspectiva de queda em torno de 4% do PIB em 2015, o índice de confiança, que mede expectativas econômicas e pessoais, subiu sete pontos e chegou a 87, melhor índice desde dezembro de 2014, pouco antes de Dilma assumir o segundo mandato.

A sondagem vem ao encontro de outra, divulgada no meio desta semana, realizada pelo Instituto MDA para a Confederação Nacional do Transporte. Nela, o índice daqueles que acham que a situação do emprego vai melhorar nos próximos seis meses oscilou positivamente de 14,4% para 16,3% de outubro para cá e o percentual daqueles que acham que vai piorar passou de 55% para 50,8%. Os que acreditam que a renda mensal vai se elevar foram de 13,7% para 17,5% no mesmo período, enquanto o contingente dos que acreditam em piora se reduziu de 35,6% para 29%.

O quadro é no mínimo curioso, já que há poucos indicadores apontando para uma reversão no quadro econômico a curto prazo. Mas, ao que parece, o excesso praticado de forma contínua por veículos da mídia tradicional pode estar produzindo um efeito contrário ao desejado. Ao prever um apocalipse que nunca vem, o efeito do noticiário negativo perde sua força aos poucos.

E nem é o caso de dizer que a economia não está ruim ou que não se vive hoje um dos piores cenários das últimas décadas. Mas parte dos veículos insiste em um quadro mais que catastrófico, com disparada do desemprego e da inflação. Ainda que esses indicadores tenham piorado, a tormenta prevista em fins de 2014 não chegou na intensidade prevista (ou desejada).

Vejamos os dados do manchetômetro. Desde dezembro de 2014, o mês em que o Jornal Nacional dedicou menos notícias negativas na área econômica foi novembro do ano passado, com 36 matérias negativas. O ápice de matérias nesse sentido foi setembro, com 107, e em janeiro de 2016 foram 83. Em todo esse período, em nenhum mês o número de notícias positivas passou de quatro.

Como se vê, trata-se de uma desproporção abissal. E, talvez por conta desse exagero, o cidadão comum passe a enxergar a realidade de uma forma bem distinta daquela mostrada (ou projetada) na televisão, na internet ou nos jornais e revistas.

No último dia 25 foram divulgados dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) indicando que a taxa de desemprego para as seis principais regiões metropolitanas brasileiras analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu em janeiro para 7,6%, sendo a maior para os meses de janeiro desde os 8,2% de janeiro de 2009.

Uma piora, mas ainda distante, por exemplo, do índice de 2002, cuja média anual chegou a 12,6%. E é o emprego um fator determinante para as expectativas pessoais de qualquer um. Desde a campanha eleitoral de 2014 pinta-se um quadro de demissões em larga escala, o que não ocorreu a despeito da recessão econômica. E, ao contrário do noticiário político do qual muitas vezes o cidadão guarda certa distância, quando se fala de projeções econômicas, da inflação ou da situação do emprego ele sente isso no dia a dia.

O trabalhador não está otimista, mas parece estar menos pessimista. Quando todos os dias se prevê uma tempestade de grandes proporções que nunca vem, quem faz o anúncio passa a ficar desacreditado. Não é um grande alento para os governistas, mas, sem dúvida, é um sinal de alerta para setores midiáticos: a dose está sendo alta demais.



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