Tereza Campello: capa da IstoÉ nos faz refletir sobre os abusos diários sofridos pelas mulheres

“Tudo bem não concordar com as decisões tomadas por Dilma enquanto governante, mas agredi-la em sua condição de mulher é intolerável”, diz, em artigo, ministra do Desenvolvimento Social. Confira a íntegra Por Tereza Campello*...

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“Tudo bem não concordar com as decisões tomadas por Dilma enquanto governante, mas agredi-la em sua condição de mulher é intolerável”, diz, em artigo, ministra do Desenvolvimento Social. Confira a íntegra

Por Tereza Campello*

A capa da revista IstoÉ do último sábado não é uma afronta apenas à presidenta do país, mas a todas as mulheres que ocupam e “ousam” sonhar em ocupar cargos de chefia na nossa sociedade. O estereótipo negativo de “louca” e “descontrolada” recai sempre contra as mulheres. Nos homens, demonstrações de raiva e frustração são vistas como sinal de força e poder. Dilma não é a primeira a ser atingida por esse tipo de publicação no mundo, Michelle Obama, Angela Merkel e Cristina Kirchner já foram, também, descritas como loucas por uma imprensa irresponsável que, ao invés de cumprir o seu papel de informar com responsabilidade, atua para reforçar preconceitos que são prejudiciais a todos nós, mas que atingem ainda mais duramente as mulheres.

Tudo na capa da IstoÉ é falso. Para além do texto sem cabimento, a foto usada como um retrato do “descontrole” foi tirada enquanto Dilma discursava no Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em 2013. No discurso, ela falava sobre um assunto que é muito caro aos brasileiros e a mim, pessoalmente: o combate à fome. E é justamente quando defende a autonomia e empoderamento de outras mulheres que é tratada como descontrolada.

A IstoÉ e sua irresponsabilidade, além de reforçar o debate sobre os rumos que o jornalismo vem tomando no Brasil, ainda nos faz refletir sobre os abusos diários sofridos pelas mulheres. A prática de classificar uma mulher como louca e basear suas ações em disfunções hormonais ou características que foram atribuídas de forma equivocada e preconceituosa ao gênero feminino, é chamada de Gaslighting e é muito mais comum do que a gente imagina, estando presente na maioria dos relacionamentos abusivos.

Tudo bem não concordar com as decisões tomadas por Dilma enquanto governante, mas agredi-la em sua condição de mulher é intolerável. Machistas, sexistas e misóginos não passarão!

*Ministra do Desenvolvimento Social 

Foto de capa: Reprodução Twitter



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