Anistia Internacional condena ação da polícia que deixou 5 mortos em favela do RJ

Apesar de não ter capturado o traficante – objetivo principal da ação – Polícia Federal alega que a operação em Acari (RJ) desta segunda-feira (4) que matou cinco pessoas foi “bem sucedida”; moradores, no...

1755 2

Apesar de não ter capturado o traficante – objetivo principal da ação – Polícia Federal alega que a operação em Acari (RJ) desta segunda-feira (4) que matou cinco pessoas foi “bem sucedida”; moradores, no entanto, relatam assassinato de testemunhas oculares e inocentes e até mesmo tortura

Por Redação

Uma grande ação conjunta entre a Polícia Federal e a Polícia Civil do Rio de Janeiro terminou, nesta segunda-feira (4), com a morte de 5 pessoas na Favela de Acari, zona norte da capital fluminense, e com um desfecho, no mínimo, controverso – o que fez com que a Anistia Internacional divulgasse uma nota pública repudiando a operação.

“Detalhes ainda precisam ser confirmados, mas a Anistia Internacional exige, desde já, que as circunstâncias das mortes resultantes desta operação policial sejam imediatamente investigadas de forma ampla, imparcial e independente”, diz trecho da nota divulgada pela entidade internacional. A íntegra pode ser conferida aqui.

O objetivo principal da operação era o de cumprir o mandato de prisão de homem de 51 anos, identificado como Lula, acusado de tráfico de drogas. O suposto traficante não foi localizado mas, para a PF, ainda assim, mesmo com todas as mortes, a operação foi bem sucedida. A Polícia Civil, por sua vez, disse em coletiva após a operação que os cinco homens mortos trocaram tiros com os policiais e eram todos ligados ao tráfico.

Moradores da comunidade, no entanto, contam uma versão completamente diferente da polícia. Em depoimento ao jornal A Nova Democracia, testemunhas e familiares informaram que as cinco vítimas não estavam envolvidas com nada ilícito, que foram “executadas” e que, parte delas, inclusive, eram apenas testemunhas das arbitrariedades dos agentes policiais.

Identificação de uma das vítimas, que trabalhava em um hospital público. (Foto: A Nova Democracia)
Identificação de uma das vítimas, que trabalhava em um hospital público. (Foto: A Nova Democracia)

“Um homem não identificado foi baleado no braço e o auxiliar de serviços gerais do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, Sérgio Eduardo Fernandes, de 26 anos, que saía de casa para trabalhar, foi atingido com um tiro no peito na frente da esposa. Em seguida, três testemunhas oculares do crime foram rendidas por policiais da CORE e colocadas sentadas no chão ao lado dos feridos. De acordo com relatos, após uma sessão de torturas, os cinco homens foram executados a sangue frio”, diz trecho do texto elaborado com os depoimentos das testemunhas.

Segundo o jornal, moradores relataram ainda que após a ação os policiais teriam intimidado as testemunhas e modificado as cenas do crime. “Das lajes, testemunhas viram policiais retirando as blusas das vítimas — evidência de tiros a queima roupa —, forjando armas na cena do crime, recolhendo cápsulas e lavando a calçada com baldes de água”, segue a reportagem.

Nem a Polícia Federal e nem a Polícia Civil se pronunciaram após as denúncias dos moradores.

 

 



No artigo

2 comments

  1. Valquíria Responder

    Bom . . . a ONU já havia dado a dica anteriormente : “olha , desmilitarizem as PM que vocês terão acesso à vaga no acento permanente no Conselho de Segurança”. Mas , ao que tudo indica , o recado não foi claro o suficiente . Paciência . . .

    1. Carlos Responder

      Civil e Federal não são militares, podem colocar qualquer polícia do mundo aqui, o problema são os bandidos.


x