Estudantes pró-Dilma são hostilizados e têm muro de sua casa destruído no RS

O trio de universitários já havia sido ofendido e agredido por grupos favoráveis ao impeachment nas ruas de Jaguarão, cidade de cerca de 30 mil habitantes no Sul do Estado, próximo à fronteira com...

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O trio de universitários já havia sido ofendido e agredido por grupos favoráveis ao impeachment nas ruas de Jaguarão, cidade de cerca de 30 mil habitantes no Sul do Estado, próximo à fronteira com o Uruguai

Por Marco Weissheimer, do Sul21

A estudante de Pedagogia da Unipampa Carolina Schiffner registrou, nesta segunda-feira (18), ocorrência na Delegacia de Polícia de Jaguarão, para denunciar um caso de agressão e de crime contra o patrimônio ocorrido entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, no município da zona sul do Estado.

Junto com uma amiga, Suanne, e com um amigo, Régis, Carolina passou a tarde e o início da noite em um comitê do Partido dos Trabalhadores (PT) acompanhando a votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados. Ao final da votação, decidiram ir a um bar frequentado por estudantes universitários. No caminho, relata a estudante, foram hostilizados por um grupo de defensores do impeachment, porque estavam identificados como apoiadores da presidenta Dilma Rousseff. Foi o início de uma série de hostilidades que descambaram para agressão física e destruição do muro da casa onde Carolina mora.

Ela resumiu, em sua página no Facebook e em conversa com o Sul21, o que relatou na ocorrência policial:
“No caminho (para o bar) já fomos recepcionados por gritos de ódio ao passar pela praça central da cidade, pois estávamos com camisetas e bandeiras que demarcavam nossa posição contrária ao resto dos manifestantes; ouvimos coisas do tipo “vão pra Cuba”, “se fosse na ditadura vocês nem vivos estariam”… Como recomendado, não houve revide, chegamos no bar e tudo estava bem até que uma das manifestantes de posição contrária a nossa entrou no bar e começou um tumulto (por causa da presença deles) e o dono a mandou embora. Ela saiu prometendo que voltaria. Alguns minutos antes de irmos embora a manifestante voltou de carro com um suposto companheiro e para que não houvesse mais confusão fomos embora. Nós, ingenuamente, nunca pensamos que poderia acontecer o que aconteceu. A manifestante nos seguiu com um pau com pregos na ponta, gritando palavrões contra Suanne e quando ia agredi-la foi barrada pelo Régis que a desarmou, mas foi ferido com uma paulada na cabeça.

Pedimos ajuda a um motorista do ônibus que estava parado na rodoviária, que, felizmente, nos deu carona e nos deixou na frente de casa, preocupado com a nossa situação. Ao descermos do ônibus nos deparamos com a mesma “manifestante”. Entramos correndo em casa e ela tentou pular o muro para nos agredir. Ela gritava: “vão embora, quem manda aqui somos nós”. Nos trancamos em casa, ligamos para a polícia, que nos informou que não havia nenhuma viatura disponível. Por volta das 3 horas da madrugada, ela e um acompanhante subiram em cima do muro e começaram a pular e balançá-lo até derrubá-lo. Após derrubarem o muro, foram embora. Nós voltamos a ligar a Polícia, registramos ocorrência e Régis fez exame de corpo de delito”.

Carolina diz que ela e seus amigos estão com medo, pois não são de Jaguarão e não têm muitos conhecidos na cidade. Ela não conhece a identidade dos agressores, mas tem informações de que são moradores locais. Não é a primeira vez que estudantes de outras cidades enfrentam problemas no município. Em 2011, o estudante baiano Helder Souza, de 25 anos, denunciou que foi vítima de racismo e agredido por policiais às vésperas do carnaval. Após denunciar o caso, voltou a sofrer ameaças e teve de sair de Jaguarão e voltar para a Bahia.



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