Fiesp estimula e Alckmin permite que golpistas armados ocupem a Avenida Paulista, diz jornalista agredido

Pio Redondo foi atingido por um instrumento contundente e perdeu três dentes quando tentava participar de um cordão de isolamento para evitar que militantes favoráveis ao golpe acampados em frente a Fiesp, agredissem grupos...

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Pio Redondo foi atingido por um instrumento contundente e perdeu três dentes quando tentava participar de um cordão de isolamento para evitar que militantes favoráveis ao golpe acampados em frente a Fiesp, agredissem grupos contrários, que também faziam uma manifestação na avenida; “Estamos de parabéns! Defendemos nosso território e nosso ideal”, comemorou nas redes sociais o grupo autodenominado Resistência Paulista

Por Redação

Agredido no último domingo (24/04) pelo grupo favorável ao golpe que ocupa a calçada da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o jornalista Pio Redondo perdeu três dentes e se recupera nesta segunda-feira. Ele relata ter sido agredido por um instrumento contundente e inclusive identificou o homem que seria responsável pela agressão.

Ele filmava a manifestação contrária ao golpe e relata ter feito parte de um cordão de isolamento para evitar um confronto entre os dois grupos. Pio disse que levou os golpes quando tentava evitar que uma das jovens contrárias ao impeachment fosse agredida. Ele relata que o grupo acampado tinha paus, barras de ferro e canos, que foram usados para espancar outros grupos.

Para o jornalista, o apoio da Fiesp a esses grupos e a omissão das polícias comandadas pelo governo Alckmin são responsáveis pela violência protagonizada pelos acampados.

Leia o relato que Pio Redondo escreveu:

“Meus caros, obrigado a todos pela solidariedade! O clima provocado por esses moleques estava tão tenso e violento que foi muito, muito difícil evitar uma tragédia ali. Com certeza.
Mesmo com os caras ensandecidos, com barras de ferro, canos e porretes, a moçada, inconformada com as ameaças ostensivas, ofensas e agressões físicas, foi pra cima.
Não duvido que nas barracas haja outro tipo de arma. Cadê a PM do Alckmin? Os caras têm de sair de lá!

Não levei um soco. Foi um daqueles “instrumentos” que eles portavam. Veio de lado no meio daquela confusão enquanto tentava separar as pessoas. Três dentes a menos. Estou tomando as providências legais. Os caras tem de sair de lá, não são donos da calçada. A Paulista é a expressão da democracia em São Paulo.

Isso aí a Fiesp estimula e o governo Alckmin permite. São os ‘responsáveis’. Imagine controlando o país?

Não vai passar, não vai ter golpe!”

O Sindicato dos Jornalista de São Paulo, divulgou uma nota de apoio a Pio:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) repudia a agressão covarde sofrida pelo jornalista Pio Redondo durante cobertura de manifestação contra o impeachment (golpe) da presidenta Dilma Rousseff realizada no último domingo, na avenida Paulista, em frente ao prédio da Federação das Indústrias no Estado de São Paulo (Fiesp).

Pio Redondo tentava acalmar os ânimos de manifestantes que se aproximaram do prédio da Fiesp, – uma das financiadoras do golpe contra a presidenta, quando foi cercado por truculentos apoiadores do impeachment, que se mantém acampados em frente ao edifício que congrega os grandes industriais paulistas. Armados com porretes, barras de ferro e pedaços de pau, eles ameaçavam os manifestantes pró-Dilma. O jornalista tentou evitar um confronto entre eles, quando recebeu uma paulada na boca que lhe arrancou três dentes. Pio teve que ser medicado por um cirurgião dentista. É importante registrar que em momento algum houve a ação de policiais militares para evitar o confronto.

A direção do Sindicato exige do governador Geraldo Alckmin e das autoridades competentes de Segurança Pública a apuração e punição dos agressores. É inaceitável que elementos armados estejam acampados na principal avenida de São Paulo, apresentem postura agressiva contra a livre manifestação prevista na Constituição brasileira, e não sejam impedidos de praticarem atos de violência contra cidadãos, sobretudo contra um jornalista no exercício da profissão. O Sindicato recorrerá às instâncias da lei para exigir a punição dos responsáveis.

Em um texto divulgado nas redes sociais, o grupo autodenominado Resistência Paulista, diz que uma participante do grupo também ficou ferida, mas não informa o que aconteceu com ela. No texto, eles se vangloriam do ataque: “Agrediram uma de nossas mulheres. Fomos 30 contra mais de 300 pessoas SEM o apoio da PM e dispersamos eles. Estamos de parabéns! Defendemos nosso território e nosso ideal. Melhoras a Eliene Trizotte”, publicaram.



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