Golpe, poder, democracia

No Brasil, o poder sempre esteve com o PMDB: ele detém a força política de milhares de prefeitos, a força presente numa imensa capilaridade dentro do Judiciário, e no Legislativo. O partido que sempre afirmou que...

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No Brasil, o poder sempre esteve com o PMDB: ele detém a força política de milhares de prefeitos, a força presente numa imensa capilaridade dentro do Judiciário, e no Legislativo. O partido que sempre afirmou que ninguém governa sem ele, mais uma vez, demonstra sua face antidemocrática

Por Adriana Dias

Estamos perdendo o governo. O poder não. Porque nunca o alcançamos. Não é possível perder o que nunca se teve. No Brasil, o poder sempre esteve com o PMDB: ele detém a força política de milhares de prefeitos, a força presente numa imensa capilaridade dentro do Judiciário, e no Legislativo. O PMDB sempre afirmou que ninguém governa sem ele, e mais uma vez, demonstra sua face antidemocrática.

A mídia internacional descreve com precisão: Dilma Rousseff, presidente do Brasil, sofre um golpe, disfarçado de impeachment legal, enquanto os conspiradores, organizados por Michel Temer e Eduardo Cunha, são corruptos conhecidos, foram acusados muitas vezes em várias ocasiões, não apenas na Operação Lava Jato, mas sempre se valendo do poder, e da condição de parlamentares para evitar investigações e punições. Por outro lado, ela nunca enfrentou nenhuma acusação criminal. É uma das poucas políticas brasileiras que nunca enriqueceu ilicitamente, nunca recebeu super-salários como o vice-presidente Temer, por exemplo, nunca teve contas na Suíça como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Temer, responsável em grande parte pela turbulência política, arquiteta a situação há muito tempo: o PMDB ensaiou deixar o governo petista na ocasião do Mensalão, retornou porque Lula não perdeu nem o poder, nem a popularidade. Com a segunda eleição de Lula, o PMDB permaneceu no governo e se indicou para o cargo de vice-presidente, com Temer para o cargo. Desde então, vem concebendo de dentro do poder o desgaste da presidente Dilma, de todas as formas possíveis.

Michel Temer defende os interesses das forças mais antipopulares possíveis: o empresariado que deseja menos direitos trabalhistas, as forças religiosas fundamentalistas, o agronegócio, as forças corruptoras das sociedades.

Dilma levou o Brasil ao lugar de sexta economia do mundo, Temer colocará o Brasil no mapa da fome novamente, é certo. Perderemos tudo que conquistamos. O golpe levará o Brasil não apenas a uma ascensão de forças de direita, antidemocráticas, a um retrocesso, a perdas de direitos sociais, trabalhistas, difusos, fundamentais e coletivos. O golpe fará o Brasil ser desrespeitado internacionalmente como um país antidemocrático.

A história não perdoará o PMDB. Precisamos, urgente, responder ao mundo. Precisamos reafirmar nossa democracia.

Foto de capa: Antônio Cruz/ABr 



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