Paulo Teixeira: escolha de líder do governo mostra influência intacta de Eduardo Cunha

Para deputado federal por São Paulo, definição de André Moura, do PSC de Sergipe, confirma que governo interino é "liderado por um réu da Lava Jato".

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Para deputado federal por São Paulo, definição de André Moura, do PSC de Sergipe, confirma que governo interino é “liderado por um réu da Lava Jato”

Por Eduardo Maretti, da RBA

A escolha do deputado André Moura (PSC-SE) como líder do governo interino de Michel Temer na Câmara dos Deputados reafirma que a influência do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado do mandato pelo Supremo Tribunal Federal, continua intacta até o momento. “Isso mostra a força que Eduardo Cunha tem no governo Temer”, diz o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). “Mostra também que temos um governo de réus que afastou uma pessoa honesta, a presidenta Dilma Rousseff.”

Moura é escolhido pelo chamado Centrão, formado por PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, SD, PHS, Pros, PSL, PTN, PEN e PTdoB,, que será composto por 225 deputados.

Teixeira afirma que a escolha de Moura obedece a critérios visíveis. “Um advogado de Cunha (Gustavo do Vale Rocha) é subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil (chefiada por Eliseu Padilha). Ele (Cunha) nomeou ainda o chefe de gabinete (Carlos Henrique Sobral) do novo ministro da Secretaria de Governo e, agora, escolhe o líder do governo. É um governo de liderados por um réu da Lava Jato”, afirma Teixeira. A Secretaria de Governo é comandada por Geddel Vieira Lima. “Daí não pode sair nada de bom”, diz.

Segundo o jornal O Globo, em matéria de agosto de 2015, André Moura é “aliado de primeira hora” de Eduardo Cunha. Em junho do ano passado, diz a reportagem, “de uma só vez a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu denúncias do Ministério Público em três inquéritos contra o parlamentar, tornando-o réu sob acusação de ter praticado crimes que vão de apropriação indébita, desvio ou utilização de bens públicos do município de Pirambu (SE)”.

A eleição de André Moura para a Câmara em 2014 havia sido barrada com base na Lei da Ficha Limpa, pelo TRE-SE, mas, posteriormente, a decisão foi revertida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

De acordo com o site Congresso em Foco, em dezembro de 2014 o TSE liberou os 71 mil votos obtidos por Moura, “que apareciam zerados devido ao indeferimento de sua candidatura”. Segundo o site, “os ministros levaram em consideração a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender a condenação imposta ao (então) líder do PSC na Câmara, por improbidade administrativa, referente ao período em que administrou o município de Pirambu (SE)”.

Na semana passada, a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos, comentou que Eduardo Cunha, “aparentemente fora” do jogo político, poderia estar “agindo na sombra”.

“Michel Temer vai depender da intervenção de Cunha na governabilidade, na questão da relação entre Legislativo e Executivo. Se não mexerem com Cunha e ele se mantiver como parceiro, facilita para Temer. Se ele ficar na ‘oposição’, vai criar problemas. Cunha está agindo na sombra”, disse a professora.

Foto de capa: Ananda Borges/Câmara dos Deputados



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