Em Roma, brasileiros também dizem não ao golpe

Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade. Ex-ministro do Desenvolvimento Social da Itália manda recado: “Nós estamos com vocês, então, por favor,...

1838 0

Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade. Ex-ministro do Desenvolvimento Social da Itália manda recado: “Nós estamos com vocês, então, por favor, não se desmoralizem, não se dispersem, porque, como alguém disse em espanhol, a única luta que se perde é aquela que se abandona”

Por Caroline Cavassa

Ao som de “Fora Temer” e “Não Vai ter Golpe”, um grupo de brasileiros residentes em Roma alertou parte da população da capital italiana sobre o golpe de estado em curso no Brasil no momento. Cerca de sessenta pessoas se reuniram na tarde de ontem, (19), na Praça Vidoni, no centro histórico da cidade.

A manifestação contra o governo ilegítimo de Michel Temer teve significativa participação de jovens que, apesar de estarem longe de casa, estão completamente engajados na luta contra o golpe institucional e midiático que assola o país.

No ato realizado próximo à embaixada do Brasil, foi unânime entre os manifestantes que o impeachment da presidenta Dilma foi orquestrado pela direita neoliberal do Brasil, assim como pelo empresariado e, principalmente, pelo oligopólio midiático liderado pelas organizações Globo, com o aval do Supremo Tribunal Federal, obviamente.

A manifestação teve participação de integrantes do ex-Partido Comunista da Itália, entre eles o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Paolo Ferrero.

“Assim como nos anos setenta, com o exército, os oligopólios tentam evitar que as pessoas elejam presidentes progressistas e tentam colocar no poder a classe dominadora, que serve aos bancos, às multinacionais, aos latifundiários, sempre priorizando os interesses dos grandes poderes da América do Norte. É claro que o golpe no Brasil não acontece sem a bênção dos Estados Unidos, assim como não aconteceu sem a intervenção dos norte-americanos em outros países. É só pensarmos na Venezuela, no ataque contra a revolução bolivariana ou sobre o que aconteceu em Honduras ou, Paraguai, que é muito semelhante ao que está acontecendo no Brasil. Isso significa que os Estados Unidos, depois de alguns anos olhando o que estava acontecendo com os governos progressistas na América Latina, estão de volta”, afirmou o ex-ministro.

De acordo com Ferrero, os métodos utilizados hoje pelos EUA são outros. “Eles não apontam armas, mas colocam o monopólio da televisão privada e gestão da informação, colocam uma parte de políticos corruptos, mas o ponto é sempre o mesmo, impedir que a América Latina escolha o seu próprio caminho de emancipação, liberdade, progresso. Portanto, é para isso estamos aqui hoje, para alertar a população sobre a gravidade do que ocorre no Brasil. Somos poucos, porque um dos efeitos da crise e da derrota que a esquerda tem sofrido na Europa e, na Itália, é também a incapacidade de olharmos para além de nossas fronteiras de casa e da incapacidade de olharmos para outros países”, disse.

“Penso que o que acontece na América Latina, no Mediterrâneo e o que está a acontecer na Europa, no Afeganistão e, em outras partes do mundo, estão todas relacionadas, porque o imperialismo vence em quase todos os lugares. O passo a passo do imperialismo retoma o poder em todos os países, e, portanto, estamos aqui para mostrar a nossa solidariedade à presidenta legítima do Brasil, Dilma Rousseff, ao PT, ao Partido Comunista do Brasil e a todos os movimentos progressistas, como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e a todos que defendem a legalidade do Brasil.  Com o que temos ao nosso alcance, faremos uma grande campanha para impedir que esses golpes passem indiferentes pelo mundo, no silêncio, porque é isso que eles querem. Eles querem que não falemos nada e que deixemos o povo brasileiro sozinho. Portanto, repetimos: nós estamos com vocês, então, por favor, não se desmoralizem, não se dispersem, porque, como alguém disse em espanhol, a única luta que se perde é aquela que se abandona. Continuemos nesta batalha pela democracia”, afirmou o ex-ministro.



No artigo

x