Mães e pais de estudantes de escolas ocupadas denunciam agressões em Porto Alegre

“Hoje tivemos casos de agressões de alunos por policiais militares, que foram registrados em vídeo. Em função de todos esses casos e dos relatos feitos pelos próprios alunos, decidimos fazer esse alerta”, disseram em...

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“Hoje tivemos casos de agressões de alunos por policiais militares, que foram registrados em vídeo. Em função de todos esses casos e dos relatos feitos pelos próprios alunos, decidimos fazer esse alerta”, disseram em coletiva mães e pais de alunos

Por Marco Weissheimer, do Sul21

Um grupo de mães e pais de alunos de escolas ocupadas em Porto Alegre denunciou, na noite desta terça-feira (31), uma série de agressões cometidas contra estudantes em várias escolas na capital e em Caxias do Sul. Em entrevista coletiva concedida em frente à Escola Estadual Paula Soares, mães e pais manifestaram repúdio a essas agressões, inclusive por parte de integrantes da Brigada Militar, e fizeram um convite aos pais dos estudantes que estão ocupando escolas em defesa de melhores condições de ensino para que visitem as ocupações e testemunhem diretamente o que está acontecendo neste movimento.

Adriana Lameirão, mãe de uma aluna que participa de uma das ocupações, chamou a atenção para os casos de violência que vêm ocorrendo, principalmente nos últimos dois dias. “Há casos de pessoas que tentaram forçar a entrada do portão em algumas escolas, além de casos de agressões envolvendo alunos, pais e professores. Houve também o caso de Caxias do Sul, onde um homem entrou em uma escola e agrediu alunos com uma corrente de ferro. Hoje tivemos casos de agressões de alunos por policiais militares, que foram registrados em vídeo. Em função de todos esses casos e dos relatos feitos pelos próprios alunos, decidimos fazer esse alerta. A intenção dessas ocupações não é gerar nenhum tipo de violência ou beligerância. Pelo contrário, esses alunos têm uma pauta válida que diz respeito à infraestrutura precária das escolas e à qualidade da educação pública”.

“O nosso apelo aqui”, acrescentou, “é para que toda a comunidade escolar procure travar esse debate através do diálogo e não por meio de beligerância e agressões”. “Sabemos que existe muito desconhecimento a respeito do que é uma ocupação e, em função disso, há certas posições extremadas. Nós estamos aqui pedindo para que todos os envolvidos neste processo valorizem o diálogo”. Na mesma linha, Evanir Pimenta, mãe de um estudante que está na ocupação do Colégio Júlio de Castilhos e de um aluno da escola fundamental, na Escola Anne Frank, destacou que a reivindicação dos pais é a mesma dos alunos: infraestrutura, qualidade de ensino e segurança.

“O Anne Frank sofre muito com a falta de segurança para os alunos chegarem até a escola. São crianças, que vão da pré-escola até o ensino fundamental, que estão sofrendo assaltos. Essa falta de segurança vem de muito tempo, mas agora aumentou demais. Os alunos estão com medo, pois estão sendo assaltados e levam suas mochilas com todo seu material escolar. Estamos fazendo um apelo aos pais para que eles visitem as ocupações e vejam como elas estão sendo feitas. O que chega para ele, através de muitos veículos da grande mídia, é que se trata de uma coisa desorganizada, de uma baderna e que os alunos que participam das ocupações não têm interesse em educação. É o contrário disso. Há muitas atividades, oficinas e debates e eles estão estudando bastante”, relatou Evanir Pimenta.

Cládio Wohlfahrt, pai de um aluno do Júlio de Castilhos, afirmou que é uma tristeza ver hoje a situação dessa escola, considerando a história desse estabelecimento de ensino. “Isso diz respeito à estrutura física. Gostaria de falar sobre algo que é mais essencial neste processo todo e que, ao um ver, justifica as ocupações pelos nossos filhos e filhas. É óbvio que a gente quer uma escola melhor estruturada, mas queremos ver gestos concretos do governo para construir uma educação pública de qualidade. Eu tenho acompanhado as ocupações desde o início e quero convidar todos os pais que ainda não conhecem as atividades que seus filhos estão realizando dentro das escolas ocupadas, que façam isso. Convide seu filho que não está participando das ocupações e veja de perto o que essa meninada está fazendo. Como eu queria ter, no meu segundo grau, exercitado cidadania como esses meninos e essas meninas estão fazendo”.

William de Abreu, aluno da Escola Paula Soares, pediu o apoio de todos os pais para o movimento dos estudantes. “Nós temos muito a reivindicar, tanto sobre as condições da nossa escola, como também sobre a situação da educação no Estado. Na nossa escola, em algumas salas chove mais dentro do que fora e há risco de choque elétrico em alguns corrimões das escadas, em função da umidade e da precarização da fiação elétrica. Essa é uma ocupação de luta e é uma ocupação organizada. Os pais estão convidados a vir para cá e podem participar de várias oficinas com seus filhos sobre artesanato, teatro, mídias, além de debates e palestras que ensinam muito mais do que em apenas uma aula simples. A ocupação segue esta semana, sem previsão de término, mas sempre procurando avançar em nossas reivindicações de um ensino público de melhor qualidade em nível estadual”.



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