Feliciano: “Não existe uma cultura de estupro”

"Moro em uma casa com seis mulheres: minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas três filhas. E sempre ensinei às minhas mulheres que deem respeito para que sejam respeitadas”, afirmou o deputado em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara ontem (9).

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“Moro em uma casa com seis mulheres: minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas três filhas. E sempre ensinei às minhas mulheres que deem respeito para que sejam respeitadas”, afirmou o deputado em audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara ontem (9)

Por Redação*

Durante audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, realizada ontem (9), o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi vaiado ao afirmar que “não existe uma cultura de estupro” no Brasil. Para ele, o que há é uma “geração delinquente” e uma “erotização precoce”.

“Cultura tem a ver com crença, arte, moral, lei e costumes. Não existe no nosso país uma religião que apoie o estupro, portanto não é crença. Não existe beleza no estupro, então não é arte. Não existe moral no estupro, e não há lei que apoie o estupro, tampouco o costume do estupro. Existe estupro? Existe. Existe no nosso país um bando de gente delinquente, sociopatas, psicopatas. Pessoas maltratadas no seio da sua família, com algum tipo de trauma”, disse.

Feliciano ressaltou ainda que cabe à família proteger as mulheres e que o Estado deve apenas observar “de longe” e intervir quando houver abusos. “Moro em uma casa com seis mulheres: minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas três filhas. E sempre ensinei às minhas mulheres que deem respeito para que sejam respeitadas”, afirmou sob fortes protestos da plateia.

* Com informações da Folha de S. Paulo

Foto de capa: TV Câmara



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2 comments

  1. egberto godoy Responder

    concordo plenamente, como sempre aproveitam certas situações para fazerem demagogia em cima do assunto, uma professora que caga e mija em cima de uma foto, é bom exemplo pra alguem, fazem o maior barulho em cima do estupro, mas nao querem que os culpados seja punidos, e ta mais do que provado que a impunidade é a causa do aumento da violencia, ai vem politicos dizerem que nao entende porque isso acontece, especialistas com soluções comprovadamente que nao funcionam, gastam fortunas com entidade ditas sociais, que so servem para fazer pliticagem. poe esses vagabundo pra quebrar pedra com correntes nos pes, de segunda a segunda, das 6 da manha ate 6 da tarde, quero ver se eles vao ter tempo de pensar em drogas, maldades, violencia, ou se educa ou se mata.

  2. Sandra Paulino Responder

    PRIMEIRAMENTE FORA TEMER. Depois, preciso muito da ajuda desse parlamentar para encontrar resposta sobre o drama que destruiu a vida de uma cidadã, acusada falsamente da morte da filha, um bebê de 1 ano e pouco: “Em 30 de setembro de 2006, Daniele internou sua filha menor, Victória, de 1 ano e 3 meses, no Hospital Universitário de Taubaté (da UNITAU, universidade privada), com sintomas de convulsões e vômito. No dia 8 de outubro, com sua filha ainda internada, Daniele foi estuprada dentro do hospital por um estudante do 5º ano de medicina dessa instituição, cujo nome as notícias da imprensa nunca revelaram. Segundo o relato de Daniele, sua filha teria sido ameaçada caso ela não consentisse em ter relações sexuais.
    No dia seguinte ao estupro, 9 de outubro, Daniele fez a denúncia do caso na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Taubaté. O delegado titular ficou responsável pelas investigações do caso. Daniele prestou depoimento e reconheceu o estudante de medicina através de uma fotografia. Este também prestou depoimento no dia 16 de outubro e negou veementemente ter mantido qualquer tipo de relação com Daniele.
    No processo de investigação, a polícia recolheu amostra do sêmen do estudante para realizar um exame de DNA e informou que o exame seria enviado para São Paulo, e que possivelmente seu resultado sairia no final da primeira quinzena de novembro de 2006. Daniele, seguindo as orientações das autoridades policiais, fez exame de corpo de delito no IML , que CONFIRMOU o estupro.
    Depois da denúncia de estupro, Daniele foi novamente chamada à delegacia no dia 19 de outubro pois os médicos denunciaram ter encontrado um pó branco suspeito de ser cocaína no pescoço de sua filha. Sem a autorização da mãe foram recolhidas amostras de sangue e de urina da criança. O resultado desse exame deu negativo: não era a cocaína com a qual buscavam incriminar Daniele e desqualificar sua denúncia de estupro contra o estudante de medicina.
    No dia 28 de outubro a criança mais uma vez passou mal, seu quadro era de convulsões, vômito e desmaios. Em primeiro lugar Daniele tentou voltar ao Hospital Universitário, já que tinha uma carta assinada por duas médicas, autorizando-a a voltar a internar a filha caso houvesse algum problema. Mas o hospital recusou-a. Levou então sua filha até Pronto-Socorro Municipal de Taubaté, onde chegou às 20:30. No entanto, embora desmaiada, a menina só foi atendida às 4:25 da madrugada de domingo, momento em que recebeu glicose em soro. Foi nesse instante que foi coletada uma substância branca da língua da criança, na procura incessante da cocaína que iria incriminar a mãe. Às 10:40 de domingo, dia 29 de outubro, Victória morria depois da terceira parada cardiorrespiratória.
    Daniele foi apontada como responsável por matar sua filha por overdose de cocaína e foi condenada pela imprensa. Passou a ser conhecida como “O Monstro da mamadeira”. Na época do incidente, o G1, um dos maiores portais de notícias do país, deu a manchete “Mãe mata bebê com cocaína na mamadeira e é indiciada”, afirmando claramente que Daniele era a responsável pela morte.
    A partir dessa acusação, endossada pelo corpo médico, as coisas se precipitaram. Sem mandado de busca e apreensão, pois segundo esse mesmo delegado, “a suspeita autorizou a busca”, os policiais foram até a casa de Daniele. Ao entrarem para a vistoria, só estava o filho mais velho de Daniele, um menino de três anos. Lá os policiais recolheram uma mamadeira com o tal pó branco. Daniele foi presa em flagrante e encaminhada à noite para a Cadeia Pública de Pindamonhangaba. Pela manhã as presas já haviam visto os noticiários televisivos e jogaram-se contra aquele suposto “monstro da mamadeira”. As autoridades fizeram sua parte na culpabilização imediata, sem investigação e nem julgamento, da suposta “mãe assassina”.
    Na Cadeia Pública de Pindamonhangaba Daniele foi espancada por 19 presas durante horas. Teve fratura do maxilar e apresentava hematomas por toda a cabeça. Seu tímpano foi perfurado com uma caneta.
    Durante esse tempo em que Daniele ficou presa, sua advogada, Dra. Gladiva de Almeida Ribeiro, sempre chamou a atenção para o fato de que sua cliente não era usuária de cocaína e de que apenas tinha dado à sua filha um comprimido anticonvulsivo. O atestado de óbito de Victória apontava como desconhecida a causa da morte.
    Finalmente em 5 de dezembro foi divulgado o laudo definitivo do Instituto de Criminalística de São Paulo, que excluiu a presença de cocaína tanto do material colhido na mamadeira de Victória, quanto do colhido na boca da criança.
    O “monstro da mamadeira” era uma invenção montada por um conjunto de autoridades para mascarar o crime de estupro. O laudo que excluía a presença de cocaína havia sido assinado em 22 de novembro pela perita Mônica Marcondes Felgueiras, de S. José dos Campos, mas só foi divulgado 13 dias depois. É que a Justiça é rápida em prender, porém lenta em divulgar os laudos que inocentam.

    Diante do desmascaramento da “prova” que serviu de peça de acusação contra Daniele, a Polícia Civil declarou que ainda aguardava os laudos do sangue, das vísceras e da urina da criança para determinar a causa da morte. Face a essa evidência o juiz da Vara do Júri de Taubaté, o mesmo que havia acolhido a denúncia do promotor, expediu o alvará de soltura de Daniele. Foram 37 dias de prisão, iniciada com um brutal espancamento de responsabilidade das autoridades policiais, judiciais e carcerárias.
    Por outro lado, o processo relativo ao estupro de Daniele chegou a um ponto morto. Como já se disse, o IML atestou que ela foi violentada. Ela reconheceu seu agressor diante da polícia e ele se dispôs a fazer um exame de DNA. No entanto esse exame não foi possível. O delegado seccional, quando Daniele já tinha sido solta, declarou que o laudo deu negativo porque não havia material no órgão genital de Daniele: “O estupro houve, ficou comprovado em exame feito pelos peritos do IML, mas não tem material para fazer o confronto com o exame de sangue do estudante apontado como autor pela vítima.” O estuprador usou preservativo e por isso foi tão prestativo em oferecer-se para que o seu DNA fosse examinado.
    Segundo Milton Peres, do Hospital da UNITAU, o acusado foi afastado por 30 dias da universidade. Na sindicância aberta, negou qualquer relação com Daniele e por isso, depois desses 30 dias, retomou as atividades normalmente.”
    (Fonte completa : http://www.ovp-sp.org/justica_injustica_daniele_mae.htm)


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