Manifestantes do Fora Temer querem eleições para barrar o impeachment

Milhares na Avenida Paulista, em São Paulo, pedem a saída de Michel Temer Por Victor Labaki...

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Milhares na Avenida Paulista, em São Paulo, pedem a saída de Michel Temer

Por Victor Labaki

Na Avenida Paulista, em São Paulo, milhares de pessoas estiveram presentes em uma manifestação nesta sexta-feira (10) para dizer que estão insatisfeitas com o impeachment e pedir a saída do presidente provisório Michel Temer.

Alguns manifestantes comentaram quais estratégias pensam que devem ser tomadas nas ruas pela esquerda para barrar o afastamento da presidenta eleita Dilma Rousseff.

A advogada Luciana Jardim acredita que uma união maior dos movimentos sociais é fundamental. “Eu acho que precisa haver uma união maior do movimento social. Acho que há uma desconexão entre os movimentos. Acho que a gente está carente de liderança”.

Para o analista de sistemas, Dorival Moreira, essa liderança precisa vir das minorias brasileiras, principalmente dos movimentos negro e feminista. Segurando um cartaz escrito “Quero respeito ao meu voto”, Dorival disse que os negros são os que mais sofrem no Brasil e que são eles os principais eleitores de Dilma.

“Quem realmente sofre neste país são os negros por isso que o movimento negro precisaria liderar a esquerda a partir de agora, junto com o movimento feminista. (…) O movimento negro tem a chave para desmontar a democracia racial porque ela faz com que os negros mesmo tendo os piores indicadores da sociedade brasileira ainda se mantém abaixo na pirâmide social”.

Para a oceanógrafa aposentada, Ilda Mesquita, que disse que mandou cartas para o presidente do STF, Ricardo Lewandowiski, e para o senador Cristovam Buarque (PT) para alertá-los sobre o que ela chamou de “um golpe branco”, outras eleições precisam ser convocadas.

“Seria muito bom que tivesse outras eleições, mas não fazer o que fizeram. Colocaram uma pessoa corrupta, rodeada de corruptos para fazer uma transformação do programa para o qual ele não foi eleito, ele não foi eleito para fazer esse programa aí. Ele foi eleito para fazer o programa da Dilma.  Ele simplesmente está fazendo o que ele quer e a gente não tem como reverter isso porque é um Congresso totalmente irresponsável que impediu a Dilma de governar”.

Coincidentemente a presidenta afastada disse na quinta-feira (9) durante uma entrevista para a TV Brasil que a ideia de uma consulta popular é uma alternativa para a crise política e o impeachment.

O padre César Fernandes disse que a entrevista de Dilma o fez pensar que talvez essa seja uma saída. “Ontem assistindo a entrevista da Dilma quando ela falou de uma possibilidade de novas eleições, de abrir um processo onde toda população possa ser consultada, eu fiquei imaginando que talvez seja uma saída para termos algo comum. Embora ainda confesso que tenho dúvida.”

César disse que mudou de opinião porque passou a ver que as forças que querem o impeachment são apoiadas por boa parte da imprensa e do empresariado.

“Depois que o Michel Temer assumiu eu confesso que  mudei também a minha opinião porque acabei percebendo que o outro lado [pró-impeachment] está muito forte. Digamos assim, tem todo apoio de parte significativa do empresariado, dos meios de comunicações.”



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