Haddad critica ‘hipocrisia’ da mídia na cobertura sobre moradores de rua

Prefeito de São Paulo divulgou nota comentando a retirada de colchões pela guarda municipal e criticou parte da imprensa, que, segundo ele, nunca deu atenção aos programas voltados à população em situação de rua.

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Prefeito de São Paulo divulgou nota comentando a retirada de colchões pela guarda municipal e criticou parte da imprensa, que, segundo ele, nunca deu atenção aos programas voltados à população em situação de rua

Por SpressoSP

Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, divulgou nota, onde critica a mídia paulista, que o acusou de higienista, e ressalta que nunca houve cobertura sobre programas inéditos voltados à população em situação de rua, como o “De Braços Abertos”, para dependentes de crack, o Transcidadania, para LGBTs, e o Família em Foco, para famílias.

Ele ainda afirma que continuará a fazer o trabalho para proteger essa população “na melhor tradição de respeito aos direitos humanos”. A polêmica começou por conta de fala do prefeito sobre retirada de colchões pela guarda municipal. Leia abaixo nota na íntegra publicada na página do Facebook de Fernando Haddad.

MENTIRA E HIPOCRISIA

A grande imprensa foi tomada por uma inédita preocupação com higienismo e moradores em situação de rua. Tanto melhor. Trata-se de população extremamente vulnerável. Há entre eles pessoas de todo tipo: trabalhadores desempregados, usuários e dependentes de drogas, egressos do sistema prisional e pessoas com enfermidades.

Quando criamos o Programa “De Braços Abertos (DBA)”, os dois principais jornais da cidade adotaram posição editorial contrária ao programa. Ele visa, como se sabe, diversificar o atendimento da assistência para atrair o morador em situação de rua dependente de crack para os serviços oferecidos pela prefeitura. No momento em que o programa recebe reconhecimento internacional é o jornal O Globo que dá a notícia.

Hoje, a imprensa me acusa de querer isentar a Prefeitura de responsabilidade pelos óbitos da última frente fria.

Não é verdade.

A GCM foi acusada de provocá-las mediante a retirada ilegal de cobertores. Durante toda semana, investigamos estes óbitos, procurando cruzar duas informações: a causa da morte e a rotina da Guarda. Não encontramos nenhuma correlação entra a ação da Guarda e os óbitos.

Se entendêssemos que o frio não mata jamais teríamos aberto 1,5 mil vagas provisórias durante o inverno, além das 2 mil permanentes, criadas desde 2013, um aumento de 25%.

Serviços inéditos foram criados para além do DBA: para LGBTs (Transcidadania), para imigrantes, para famílias (Família em Foco), etc. Nenhuma cobertura da imprensa.

O que se ouve nas redes são referências ao bolsa-crack e bolsa-traveco, expressões, estas sim, de desrespeito à população vulnerável.

Continuaremos a diversificar o atendimento da assistência, em combinação com saúde, segurança urbana, educação e trabalho, para proteger essa população, na melhor tradição de respeito aos direitos humanos.

Quem romantiza a permanência na rua em situação de risco extremo não somos nós. Não sejamos hipócritas.

Foto de capa: Leon Rodrigues/Fotos Públicas



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