Leia a íntegra da entrevista chapa branca da Jovem Pan com Temer

Comentaristas e jornalistas da emissora, incluindo Marco Villa, fazem o “eu levanto e você corta” para Temer em uma entrevista vergonhosa Por Redação Jornalista:...

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Comentaristas e jornalistas da emissora, incluindo Marco Villa, fazem o “eu levanto e você corta” para Temer em uma entrevista vergonhosa

Por Redação

Jornalista: Presidente Michel Temer, bom dia. Muito obrigado pela sua gentileza.

Presidente: Eu que agradeço a gentileza e bom dia a todos.

Jornalista: Presidente, a demora na conclusão do processo de impeachment, obriga o senhor a não mergulhar efetivamente no que gostaria ou como deveria pelo País ou nesse período o senhor acha que já conseguiu conquistas importantes?

Presidente: Você sabe que essa interinidade acaba criando alguns problemas, algumas instabilidades, digamos assim. Mas o fato é que eu tenho me comportado como se fosse um presidente já efetivado, por uma razão, você já disse, o que está em pauta não é se o presidente é A ou o presidente é B. O que está em pauta é o País.

Então o País não pode parar. Você veja que nesses 30 e poucos dias do nosso governo, já produzimos algumas coisas que estavam paralisadas e estão indo adiante, em primeiro lugar, por compreensão da sociedade. Mas em segundo lugar, especialmente, por um apoio muito significativo, muito expressivo que nós temos e conseguimos no Congresso Nacional.

Jornalista: Presidente Michel Temer, bom dia. É Marco Antônio Villa, a questão é a seguinte, eu que acompanhei, todos nós, a população brasileira, todo o processo da luta pelo impeachment, e dos últimos 13 anos e 5 meses no Brasil, sabemos que nós temos um processo de “petização”, vamos chamar assim, da máquina do Estado e tal. São milhares de assessores que foram designados pelo PT e partidos aliados e que cometeram crimes que assustam a população brasileira. O caso do Mensalão, mais a frente o Petrolão e uma série de coisas que essa máquina, esses funcionários do partido ajudaram a fazer esses desvios do erário. Algo nunca visto na história da humanidade em quantidade. Eu queria perguntar para o senhor o seguinte: como é possível governar o Brasil na situação que o senhor está, ainda de presidente interino, com a “petização” da estrutura do Estado?

Presidente: Você sabe, Villa, que em primeiro lugar, eu reitero, que eu estou aguardando o mês de agosto e aguardando, respeitosamente, a decisão do Senado Federal. Mas já tomamos algumas providências, vou dar um exemplo para você: há pouco tempo atrás, coisa de oito, nove dias, nós providenciamos a eliminação, que já está sendo levada adiante, de 4.200 cargos que são cargos de livre provimento, ou seja, contrata-se quem quer, ainda que não esteja na função pública. Por outro lado, nós eliminamos 10.200 chamadas funções gratificadas, ou seja, funcionários públicos que poderiam ter uma elevação no seu salário por função gratificada. Isto por duas razões, primeiro, para, digamos assim, impedir isso que você acabou de mencionar e, em segundo lugar também, com vistas à tentativa de reduzir o quanto seja possível as despesas públicas.

Então concordo com você, não é fácil nesse período, há sempre uma instabilidade. Ontem ainda, Villa, eu dava uma entrevista para um jornal, para o Washington Post, e eu verifiquei que lá nos Estados Unidos eles têm grande esperança e já há uma credibilidade nova no Brasil, eles querem investir, mas é claro que a pergunta sempre se põe dessa maneira. Mas o que vai acontecer em agosto? Será que continua este presidente? Terá outra presidente? Isso instabiliza um pouco.

Mas eu volto a dizer a você que não é impossível governar. É claro que depois de agosto as coisas ficam mais consolidadas, e daí eu poderei tomar outras tantas providências além daquelas que já tomamos agora. Só me permito dizer a você e a todos o caso da fixação de um teto para os gastos públicos anualmente que, não só fizemos para a União, como levamos também aos estados federados. Os estados, na reunião que fizemos, acabaram concordando com essa fórmula que será introduzida na Emenda Constitucional.

Jornalista: Presidente, é Denise Campos de Toledo quem está falando, bom dia.

Presidente: Bom dia, Denise.

Jornalista: O senhor falou dessa proposta que limita o aumento de gastos, agora eu queria saber da sua expectativa em relação à aprovação dessa medida, em termos de prazo, até em função de toda discursão no processo de impeachment e depois a reforma da Previdência que parece ser outro ponto muito relevante da gestão das finanças, da nova gestão das finanças, se o senhor aguarda uma definição no cenário político para a apresentação dessa proposta?

Presidente: Você sabe, Denise, hoje nós temos uma base muito consolidada no Congresso Nacional, uma base, convenhamos, que há muito tempo não se verificava. Você veja, dou o exemplo da DRU, da Desvinculação de Receitas da União, só para nosso ouvinte entender isso permite que se use com mais elasticidade, digamos assim, uma percentagem do Orçamento. E veja, nós conseguimos aprovar depois de 11 meses, o Congresso não votava essa matéria. E em 2 semanas nós votamos o primeiro turno, porque é uma proposta de Emenda Constitucional, e na segunda semana votamos o segundo turno. E com um número muito significativo. Precisava de 308 votos, deu as 3 horas da manhã, 344 votos. Portanto, muito além do necessário. Isso eu estou explicando para dizer que nós estamos com uma base muito sólida.

Ora bem, esta base sólida, com quem eu dialogo permanentemente, está disposta a partilhar conosco, com o Executivo, a tentativa de tirar o País da crise. E quando, Denise, nós apresentamos esta proposta do teto dos gastos, que você sabe que só pode ser, digamos, ano a ano, só leva em conta a inflação e nada mais do que a inflação. Ela foi muito bem recebida, e diria até aplaudida, porque os líderes se manifestaram e disseram que iriam trabalhar nessa direção lá no Congresso Nacional.

E como você mencionou a Previdência, realmente outras tantas medidas complementares serão necessárias. A Previdência, sem dúvida nenhuma, já estamos estudando a questão da reforma da Previdência, é claro que nós estamos fazendo isso também dialogando com as centrais sindicais. Tem lá na Casa Civil um grupo trabalhando, juntamente com as centrais sindicais, para encontrarmos um meio, digamos assim, harmonioso para fazer uma reforma Previdenciária no País que, volto a dizer, é uma complementação a essas medidas de contenção de gastos.

Jornalista: Presidente, só perguntar uma questão rápida para o senhor: eu estava lendo o pedido de homologação de colaboração premiada do senhor Sérgio Machado, e na introdução o procurador-geral da República, o senhor Rodrigo Janot, diz no final da página 3, início da página 4, vou pedir licença ao senhor para ler cinco linhas. Ele diz o seguinte: “Mostra com nitidez que está em execução, a delação de Sérgio Machado mostra com nitidez, que está em execução um plano com aspectos táticos e estratégicos para, no plano judicial, articular atuação com viés político junto ao Supremo Tribunal Federal em aspecto específico da operação Lava Jato. E no plano Legislativo, retirar do sistema de justiça criminal os instrumentos que estão na base do êxito do complexo investigatório”. Continua o senhor Janot: “os efeitos desse estratagema estão programados para serem implementados com assunção da Presidência da República pelo vice-presidente Michel Temer, e deverão ser sentidos em breve caso o Poder Judiciário não intervenha”.

Eu queria saber a opinião do senhor presidente da República, Michel Temer, sobre essa afirmação do procurador-geral da República, que aqui diz que há uma conspiração e que haveria, segundo o senhor Janot, a participação do senhor nessa conspiração que busca de uma forma ou de outra asfixiar a ação da operação Lava Jato.

Presidente: Você sabe, Villa, que na verdade o procurador-geral Janot faz esse raciocínio tendo em vista as afirmações do senhor Machado, nada mais do que isso. Não é uma convicção dele, ele faz uma exposição nesse sentido. Mas tendo em vista essas cinco linhas que você leu, em primeiro lugar, eu tenho reiteradamente dito que ao contrário de desprestigiar a Lava Jato, nas nossas palavras e aqui estou usando a Jovem Pan e todos vocês que perguntam, nos ouvem, para mais uma vez, talvez pela enésima vez, reiterar o nosso apoio pessoal à Lava Jato. Por que eu digo pessoal? Porque eu tenho muita convicção da importância de cada função do Estado. Então a minha pergunta é a seguinte: o Poder Executivo, poderia de alguma maneira interferir no Poder Judiciário? Digo eu, zero de chance. Por uma razão, volto a dizer, institucional já que não é possível essa interferência.

Segundo lugar, pela nossa prática democrática e pelas várias afirmações que tenho feito, jamais eu permitiria que eu ou alguém do governo pudesse interferir nessa matéria.

Terceiro ponto, é que eu não acho que o Legislativo, porque aí anuncia-se uma eventual disposição do Congresso Nacional para isso, não é o que eu tenho ouvido. O que eu tenho ouvido, claro que há preocupações, não há dúvida, mas eu não tenho ouvido em nenhum momento essa disposição, digamos assim, conspiratória, para reduzir as potencialidades, as possibilidades de uma operação judicial e do Ministério Público com o auxílio da Polícia Federal que vem sendo levado adiante com muita afirmação.

Jornalista: Presidente Temer, bom dia, é Joseval, um abraço.

Presidente: Viva, Joseval.

Jornalista: O senhor procurador pediu prisão de Sarney, de Jucá, de Calheiros. E o Teori, que é do Supremo, negou. O senhor é um grande constitucionalista, como sabemos, o berço é a Faculdade de Direito de São Paulo, quem está com a razão aí, o procurador ou o juiz?

Presidente: Olha, Joseval, nós que tivemos lá na Faculdade de Direito, nós sabemos que é muito delicado dar qualquer palpite, especialmente em face da afirmação anterior que eu fiz de não interferência nos Poderes. Mas, uma opinião, sob o ângulo pessoal, eu acho que o procurador fez o papel dele, não sei quais são as razões, é claro que ele estará possivelmente motivado por depoimentos que estiverem em suas mãos, e o ministro Teori também fez o seu papel, ao meu modo de ver, também adequadamente, entendeu que não era o caso de nesse momento decretar a prisão. Acho que no instante em que nós comecemos a perceber que nós devemos prestar, digamos, obediência e enaltecer as atividades das instituições, nós estaremos aprimorando aquilo que eu chamo, viu, Joseval, de uma tentativa de reconstitucionalizar o País. Porque ao longo do tempo o País perdeu toda a sensibilidade em relação às suas instituições.

Então, quando você me pergunta: “será que o procurador agiu corretamente?” Ele fez o seu papel. Quem deveria… um papel inaugural, inicial, preambular, quem é que fez o segundo papel, que é decisivo no caso? Foi o ministro do Supremo Tribunal Federal, no meu modo de ver, também adequadamente.

Jornalista: É um exagero falar em impeachment dele, presidente? Antes de passar para o Villa de novo.

Presidente: Eu acho que realmente não vale a pena e penso até, e veja bem até informo: o presidente Renan já arquivou cinco pedidos de impeachment do procurador-geral. Esse, se não me engano, é o sexto pedido. Tenho a sensação de que não irá adiante.

Jornalista: Presidente Michel Temer, o ex-presidente Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff insistem em dizer que o senhor vai acabar com os programas sociais. O senhor está acabando com os programas sociais?

Presidente: Nessa questão eu não fico só nas palavras não, eu fico na ação. Vou dar um exemplo para você. O Fies, que é aquele financiamento para bolsas universitárias, caiu enormemente do ano passado para cá, aliás nesses últimos três anos. Foi caindo, caindo, caindo, portanto, desprezando, digamos assim, os direitos sociais. Porque a bolsa é exatamente para aqueles que não, muitas vezes não conseguem pagar naquele momento a universidade.

Pois muito bem, há menos de uma semana atrás, nós anunciamos publicamente a abertura de mais de 75 mil bolsas de estudos para o Fies. Programas como o Bolsa Família, por exemplo, é claro que enquanto houver pobreza extrema no País, nós temos que mantê-los, não temos a menor dúvida disso. O Minha Casa Minha Vida, que é um programa também exitoso, nós vamos manter e estamos já providenciando o seu desenvolvimento. Aliás, ao lado do Bolsa Família, Villa, nós estamos – mais um direito social, só para mostrar como nós estamos ampliando –, nós estamos lançando, o Bruno Araújo, que é o ministro das Cidades, me trouxe a ideia de lançar um chamado Cheque Reforma, que é um cheque que vai até 5 mil reais patrocinado pelo poder público para, naturalmente, as famílias que ainda são razoavelmente pobres, mas querem fazer mais um quartinho, querem reformar a casa, querem fazer um saneamento lá na sua casa. Nós estamos lançando esse Plano.

Então diferentemente do que se fala, e portanto, eu digo muito delicadamente que se tratam de inverdades, mas inverdades graves, porque não estão baseadas nos fatos, eu não vou eliminar programas sociais. É claro, me permita dizer, que o principal problema no País é o problema do emprego, nós temos quase 12 milhões de desempregados. O que é que nós estamos fazendo? Nós estamos incentivando os investimentos, a iniciativa privada que, aliás, é uma determinação constitucional. Porque você incentivando a iniciativa privada a investir, você está abrindo emprego, e isto é o melhor dos direitos sociais. Uma das coisas mais desagradáveis para o cidadão brasileiro é circular por aí sem emprego, desempregado. Quando ele se emprega ele até cresce psicológica e socialmente. Então não há essa coisa de eliminar direitos sociais. Ao contrário, o que há é um conjunto de medidas com vistas de apoiar os direitos, ampliá-los, especialmente no tocante ao emprego e, especialmente harmonizar o País.

Jornalista: Presidente Michel Temer falando com exclusividade à Jovem Pan. Presidente a pergunta agora do nosso companheiro jornalista Fernando Rodrigues, aí mesmo em Brasília. Você, Fernando.

Jornalista: Presidente Michel Temer, é o Fernando Rodrigues, bom dia.

Presidente: Bom dia Fernando, você está devendo uma conversa comigo e um cafezinho.

Jornalista: É verdade. Mas não vai faltar oportunidade. Presidente, o senhor estava falando de economia, acabou de ser renegociada a dívida dos estados, uma decisão muito importante entre a União e os estados. Mas alguns estados têm também dívidas com o BNDES no programa Pró-Arenas, para obras da Copa do Mundo, do programa BNDES Estados, são valores muito grandes. No caso dessas dívidas com o BNDES, o que está faltando para que elas sejam renegociadas e que os estados também tenham um alívio aí nesta área?

Presidente: Faltando apenas, Fernando, estudos de natureza jurídica. Você sabe que esse assunto foi levantado na reunião que fizemos com os governadores e havia alguns impedimentos jurídicos. Eu próprio disse: olha, o direito depende muitas vezes de interpretação. Então vamos tentar uma interpretação que garanta a inserção desse tema também na renegociação com os estados.

E devo dizer até, Fernando, em primeira mão, que esses estudos estão avançados. Eu penso que logo eu poderei chamar os estados, especialmente aqueles onde se verificou a construção de estádios na Copa do Mundo, para eventualmente renegociar essas dívidas. Mas me permita aproveitar para dizer que esta solução federativa que nós demos, vem sendo trabalhada há mais de cinco anos sem solução. Nós estamos há 30 e pouco dias e já demos uma solução que é extremamente útil para os estados. Por uma razão viu, Fernando, é que nos Estados autoritários, a União tem que ser forte, nos Estados democráticos, os estados sendo fortes, a União se fortalece. E nós estamos na trilha de um Estado democrático. Por isso fizemos esse acordo com grande aplauso dos estados brasileiros.

Jornalista: Uma outra pergunta de caráter institucional para o senhor, presidente Michel Temer: não é segredo para ninguém, a Câmara dos Deputados vive hoje uma situação delicada com a interinidade do presidente Waldir Maranhão por conta do afastamento do presidente eleito para o cargo, Eduardo Cunha. É muito improvável que Eduardo Cunha vá voltar, mas não vamos especular sobre isso. Agora, independentemente do desfecho dessa crise, o PMDB tem a maior bancada na Câmara dos Deputados. Se for necessário eleger um novo presidente, o senhor acha que o PMDB deveria procurar os outros partidos, esse grupo hoje chamado de Centrão, para tentar encontrar um nome de consenso, não necessariamente do PMDB, para comandar a Câmara dos Deputados?

Presidente: Fernando, você sabe que até dentro das preliminares que eu lancei, eu tomarei muito cuidado com qualquer interferência em uma solução que é típica da Câmara dos Deputados. Mas eu tenho, aos que me perguntam, eu tenho pedido exatamente isso que você alude, que haja talvez uma única candidatura da base. Porque você sabe que hoje a base parlamentar do governo ampliou-se muito. Nesses últimos tempos acrescentaram-se sete novos partidos àquela base anterior.

Então o que eu tenho dito? Não vale a pena cindir a base. Se vocês, harmoniosamente, em diálogos e mais diálogos conseguirem ter um candidato único, isso é útil para a Câmara dos Deputados que revelará unidade, mas é útil também para o governo, para mostrar que a base efetivamente está unida. Nós estamos procurando trabalhar, quando indagados, nessa direção.

Jornalista: Presidente, como o senhor está vendo a situação na Venezuela?

Presidente: Não é boa. Estou dizendo o óbvio. Tanto não é boa que você sabe que recentemente, até eu chamando o ministro Serra, nós deliberamos mandar remédios lá para o povo venezuelano. A preocupação é muito grande com as angústias, agruras que o povo está passando lá na Venezuela. Nós estamos providenciando exatamente isso. Espero que a Venezuela não recuse, porque muitas e muitas vezes há essa coisa do Estado ou do país, dizer, “ah não, aqui não precisamos de auxílio”. E lá, evidentemente, eles precisam de auxílio, é uma situação delicada.

Jornalista: Presidente, voltando a falar de economia, o senhor falou da necessidade de se estimular investimentos, combater o desemprego. Deixando de lado essa prioridade do Ajuste Fiscal, eu queria saber em relação às concessões se haverá o lançamento de um novo programa com novas regras para agilizar as concessões que o governo vem colocando aí como projeto há muito tempo, mas que podem gerar uma receita importante. Também a questão das privatizações, isso está incluído, inclusive, nas negociações ou renegociações agora de dívidas dos estados. E depois o senhor falou também em estímulo a investimentos das empresas. Quais seriam as estratégias nesse sentido?

Presidente: Primeiro lugar, Denise, o Moreira Franco está cuidando dessa questão das concessões, já está tomando todas as providências com vistas a agilizar as concessões. É claro que elas têm que passar por um processo de avaliação, de muita adequação jurídica, até porque hoje você sabe quantas e quantas vezes o Tribunal de Contas, muito legitimamente, tem se oposto a certas medidas que o Executivo tomou no passado. Então nós estamos tomando muito cuidado com isso. Mas elas vão se processar o mais rápido possível, em primeiro lugar.

Em segundo lugar, nós estamos verificando a questão das privatizações e, especialmente, no caso não só da União, mas também esperando que os estados também façam um pouco isso porque não é possível os estados continuarem nessa situação. Nós demos agora, convenhamos, uma espécie de um respiro muito acentuado para os estados, mas outras medidas, talvez exatamente em razão… por força de privatizações, venda de ativos, por exemplo, para que os estados também se recuperem.

E no mais, viu Denise, você sabe que é preciso restabelecer, e acho que pouco a pouco estamos fazendo isso, porque também temos 30 e poucos dias de governo apenas, mas nós estamos tentando, digamos assim, restabelecer a confiança. Porque a confiança gera esperança e a esperança gera atuação, execução. Eu acho que isso vai acabar acontecendo.

Jornalista: A confiança dos empresários já aumentou, vários indicadores apontam nesse sentido, só que eles querem também um pouco mais de segurança até no campo político, entre essa questão da interinidade, o processo de impeachment. Isso também afeta, não é?

Presidente: Afeta, seguramente. Você sabe que ainda dizia há pouco, mesmo os investimentos estrangeiros, muitos têm me procurado e procurado os nossos ministros, mas é sempre aquela pergunta: o que vai acontecer em agosto? Eu, claro, já disse que ignoro esse fato. Vou agindo porque o que vale é ajudar o País, é desenvolver o País, fazer o crescimento do País. Mas as pessoas se angustiam com isso. Esse aspecto político é importante. Veja que é interessante essa nossa conversa, como a economia também está muito vinculada à pacificação política, a interação política. E realmente eu acho que a partir de agosto, se acontecer o que se pode imaginar, eu acho que a economia dará um novo salto.

Jornalista: Presidente Michel Temer, contando com sua bondade, eu sei que o senhor tem uma série de compromissos aí, com a sua compreensão. Duas questões bem rápidas aí, presidente. Uma é por que o senhor não convocou até hoje uma rede nacional de rádio e televisão expondo que país o senhor encontrou?

Presidente: Você sabe, Villa, que eu já pensei em fazer isso. Mas eu tenho, neste momento, tenho falado bastante, naturalmente… Veja a meia hora que os senhores estão me dando aí para falar ao País. Então eu vou esperar um pouquinho mais, quem sabe após a eventual efetivação é que eu possa fazer, daí sim, um pronunciamento dizendo, Villa, como encontramos o País, porque, convenhamos, não foi fácil aquilo que vimos, aquilo que encontramos. Basta revelar que o déficit inicialmente mencionado de [R$] 96 bilhões era de [R$] 170 bilhões. Então eu quero fazer uma descrição de como está o País para que depois também não digam… E até me permitam um parêntese: um ilustre político aí disse: “olhe, o governo Temer está com 14 milhões de desempregados”. Como se eu tivesse gerado naqueles 15 dias, 14 milhões de desempregos. Então, quero dizer como encontrei o País e quais as medidas que vamos tomar para sair da crise.

Jornalista: Presidente, o senhor não sabe o prazer que dá ouvir um presidente que fala português, isso é uma vitória incrível e tal. Porque eu não entendia as últimas comunicações nos últimos anos quando os presidentes falavam, falavam numa língua aparentada ao português.

Agora, eu queria perguntar para o senhor: no seu dia a dia, eu acompanho aqui a agenda e as pessoas não gostam, alguns não gostam do prefeito da cidade, a questão do trabalho, tal, o senhor tem uma agenda assim? O senhor começa a trabalhar às 9h da manhã e encerra às 5h da tarde, é assim?

Presidente: Começo às 8h e termino a 1 ou 2h da manhã. Nesse período inicial, eu espero que em breve tempo, eu posso começar às 8h e terminar às 20h no máximo. Espero que seja assim.

Jornalista: Presidente, nas atividades de hoje o senhor sanciona a Lei de Responsabilidade das Estatais? Será que é possível não ter políticos comandando estatais no País?

Presidente: Eu quero verificar se sanciono hoje, aliás, um exemplo claro da colaboração do Congresso. Você sabe que essa medida aprovada pela Câmara, também rapidamente, chegou ao Senado na quinta-feira passada e ontem já foram aprovada as modificações que a Câmara fez, examinadas. E eu quero ver se sanciono hoje para começar também a nomear os integrantes das estatais. E logo mais a questão dos fundos de pensão também, que há um projeto de lei, também moralizador, que eu quero esperar a decisão final do Congresso, sancionar e daí operar também nos fundos de pensão. Espero fazê-lo a partir de hoje ou amanhã.

Jornalista: Presidente, sem dúvida a sociedade brasileira está assustada, nós estamos vivendo uma das maiores crises da nossa história. O senhor tem os dados e só o senhor tem todos os dados. A pergunta é a seguinte: qual a esperança que o povo pode ter com respeito ao futuro próximo do nosso País?

Presidente: A esperança de, em primeiro lugar, que os brasileiros se pacifiquem nas suas relações. Você sabe que houve muito um apartamento, uma separação entre os brasileiros, um relativo, digamos assim, mal-estar, ou diria quase, talvez exagerando um pouco, um certo ódio entre os brasileiros. Isso não pode acontecer. Em primeiro lugar, é preciso pacificar o País. Essa é a esperança que eu quero dar e se for possível eu levarei adiante essas ideias.

Uma segunda, é o crescimento econômico do País novamente, que os brasileiros quando se dirigirem ao exterior, sejam recebidos como integrantes de um país que não é mais do futuro apenas, mas já é do presente. Acho que isso nós podemos esperar. Eu pelo menos, e a minha equipe, e acho que o Congresso Nacional, todos estão muito enturmados nessa tentativa. E eu acho que nós vamos ter sucesso.

Jornalista: Só uma questão, desculpe, eu sei que o senhor tem uma agenda muito carregada, a questão do Eduardo Cunha. Como é que o senhor – e alguém da linha de sucessão, o presidente da Câmara dos Deputados –, como é que o senhor como presidente da República, presidente do PMDB, ele é um líder também do PMDB, como é que o senhor vê essa questão?

Presidente: Olha é uma questão que, Villa, a Câmara dos Deputados tem que solucionar com maior rapidez. Eu acho que, até registram um fato curioso apesar das dificuldades lá na Câmara, porque o presidente Cunha está afastado, e há outros problemas lá na direção da Casa. Mas sem embargo disso, apesar disso, o fato é que os líderes da base aliada têm trabalhado assim, digamos assim, por conta própria, com o nosso entusiasmo, para aprovar as matérias que foram aprovadas este mês. Basta verificar o que se aprovou nesse mês, apesar das dificuldades, para concluir que de fato a Câmara está funcionando praticamente por conta própria.

Jornalista: Presidente, já agradecendo ao senhor pela gentileza, pela atenção, eu peço para o senhor as considerações finais nessa nossa entrevista, e só falando também, se o senhor quiser citar, em relação aos seus ministros. O senhor perdeu já três ministros envolvidos na Lava Jato. A partir de agora o senhor acha que ninguém cai mais?

Presidente: Eu acho que não viu, Tiago. E realmente os que caíram, até devo registrar, que caíram até porque pediram demissão. Mas é interessante, eles tinham um sentido de colaboração, claro que eu iria fazer uma avaliação, para não cometer injustiça, até porque nos últimos tempos é assim, se alguém é delatado imediatamente está condenado. Então eu faço sempre uma avaliação.

Mas você sabe que nesse sentido de colaboração, assim que apareceu alguma coisa eles vieram a mim logo em seguida e foi no dia seguinte. A imprensa às vezes: “o Temer demorou 12h para demitir o ministro”. Na verdade foi uma avaliação. Em 12h o ministro pediu para sair. Então eu acho que nós não teremos mais problemas. Mas isso não pode atrapalhar nem a governabilidade nem a crença no País.
Jornalista: Primeira entrevista exclusiva de Michel Temer na Presidência da República a uma emissora de rádio, e com muita honra foi a Jovem Pan a escolhida. Presidente, muito obrigado, a gente só tem a desejar ao senhor boa sorte, muito sucesso nesse grande desafio.
Presidente: Muito obrigado. Um abraço a todos vocês.



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