Leonardo Sakamoto e Jean Wyllys debatem sobre intolerância na internet

Evento em Brasília foi marcado pelo lançamento do livro O que Aprendi Sendo Xingado na Internet, de Sakamoto, e trouxe à tona discussões sobre a polarização política do país,  a diferença entre discurso de ódio e...

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Evento em Brasília foi marcado pelo lançamento do livro O que Aprendi Sendo Xingado na Internet, de Sakamoto, e trouxe à tona discussões sobre a polarização política do país,  a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão e a quantidade de notícias falsas que circulam na rede

Por Maíra Streit

O jornalista Leonardo Sakamoto e o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) participaram ontem (30) de um debate na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em Brasília, sobre a onda de intolerância na web. O evento teve a mediação de Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, e foi marcado pelo lançamento do livro O que Aprendi Sendo Xingado na Internet, de Sakamoto.

E os dois convidados sabem bem o que é se tornar alvo de ataques por defenderem suas opiniões nas redes sociais. Por isso mesmo, o ódio disseminado na rede, apontado como efeito da polarização política do país, foi a tônica da conversa entre os amigos. Eles abordaram ainda questões como a importância do diálogo, a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão e a quantidade de notícias falsas que circulam na internet.

Sakamoto destacou as ameaças de morte e as agressões que já sofreu em lugares públicos por causa de boatos envolvendo o seu nome. “Pelo fato de escrever sobre direitos humanos diariamente e de atuar em outra frente, por meio da [ONG] Repórter Brasil, acabo sendo vítima de ataques virtuais, de xingamentos, coisas mais graves, ameaças, campanhas de difamação, assédio, muitos que começaram on-line e acabaram por extrapolar para o lado de fora”, afirmou.

Para Jean Wyllys, pertencer à comunidade LGBT fez com que ele aprendesse, desde muito novo, a lidar com a opressão. “Qualquer pessoa homossexual nesse país, e transexual, convive desde muito cedo com o insulto, com a injúria, com o xingamento. E com uma série de opressões simbólicas e reais que nos leva a ter uma atitude diante do mundo. Ou a gente fica pelo caminho, ou a gente se mata, ou se tranca no armário, ou a gente desenvolve uma série de transtornos psíquicos, ou a gente enfrenta o mundo e faz o que eu chamo de passagem da vergonha para o orgulho”, pontuou.

A orelha do livro O que Aprendi Sendo Xingado na Internet é assinada pelo humorista Gregorio Duvivier, que destaca a obra como “um guia de sobrevivência” nos tempos atuais. “Minha geração cresceu com uma ferramenta preciosa nas mãos sem entender para o que ela serve. Não vamos entregá-las nas mãos dos que querem sangue”, escreveu.

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Fotos: Arnaldo Saldanha



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