A ilusão Real

“Alguns desavisados ou com má fé imaginam que uma taxa de câmbio valorizada (Dólar fraco e Real forte) ajuda na melhoria e na condução do desenvolvimento econômico e na distribuição de renda. Quem se...

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“Alguns desavisados ou com má fé imaginam que uma taxa de câmbio valorizada (Dólar fraco e Real forte) ajuda na melhoria e na condução do desenvolvimento econômico e na distribuição de renda. Quem se beneficia com isso?”. Confira o novo artigo do professor Paulo Daniel

Por Paulo Daniel*

Alguns desavisados ou com má fé imaginam que uma taxa de câmbio valorizada (Dólar fraco e Real forte) ajuda na melhoria e na condução do desenvolvimento econômico e na distribuição de renda. Quem se beneficia com isso?

Pois bem, as transações comerciais, financeiras e de serviços, em sua grande maioria, são realizadas com a moeda norte-americana, neste sentido, quando a nossa moeda (Real) está desvalorizada – ou seja, precisa-se de uma quantidade maior de Reais para adquirir um Dólar – em relação ao Dólar é interessante ao país, pois eleva a quantidade exportada, alguns produtos podem tornar-se mais competitivos no mercado internacional e, por sua vez, com propensão ao aumento de divisas no país, à inclusive, na geração de emprego e aumento da renda interna.

Evidentemente, o cenário acima é péssimo para quem pretende adquirir um produto importado ou viajar ao exterior, pois os seus custos, de passagem, por exemplo, são calculados em Dólar o que, a depender da desvalorização do Real pode até dobrar os valores representados na moeda local.

Com a posse do ex-sócio do Banco Itaú, Ilan Goldfjan, no Banco Central (BC), não tenham dúvidas, há um forte jogo de juros e câmbio. E que jogo é esse?

Com o PIB (Produto Interno Bruto) caminhando em direção a uma queda de três pontos pelo segundo ano consecutivo, há uma tendência da nova chefia do BC em estruturar uma política monetária com objetivo de manter a atual taxa de juro (Selic) em um patamar elevado, evidentemente, não existe nenhuma lógica macroeconômica, mas sim, todos os objetivos em privilegiar a turma da bufunfa, tanto estrangeira quanto nativa. Este é um velho expediente utilizado, principalmente, no início do plano Real.

O mero fato de o Dólar cair de R$ 3,60 para R$ 3,36 possibilita um ganho de 7,14% para quem trouxe a R$ 3,60 e retirou a R$ 3,36.

A conta é simples; em um primeiro momento, entra nas contas brasileiras US$ 1 milhão com Dólar a R$ 3,60 equivale R$ 3,6 milhões. No momento seguinte; converte-se R$ 3,6 milhões com o dólar a R$ 3,36 equivale a US$ 1,071 milhão.

Mas não se fica nisso. Todo aplicador financeiro que tinha noções sobre a estratégia monetária de Ilan, apostou em negócio ainda mais lucrativo.

Imagine que um sujeito traga US$ 10 milhões com o Dólar a R$ 3,60. Ficou com R$ 36 milhões. Aí ele deixa o dinheiro aplicado por um ano na taxa Selic de 14,5%. No final do período, estará com R$ 41,2 milhões. Se o Dólar estiver em R$ 3,20 ele converte o saldo em Dólares e retirará do país US$ 12,9 milhões, um lucro de 29% ao ano em Dólares.

Se der sorte e o Dólar estiver em R$ 3,00, o lucro será de 37% ao ano. Simples e limpo. Os grandes vencedores é a turma da jogatina financeira que aplicam em Dólares e o grande perdedor é o orçamento público brasileiro.

Segundo os pensadores da república do Paraná, a abertura da economia brasileira permitirá espantar a corrupção do país. Talvez, também imaginem, que essas jogadas financeiras com o erário público e o mercado, particularmente o financeiro, não vem ao acaso. O essencial, quem sabe, seja investigar barquinhos de alumínio. Assim caminha a república…

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*Paulo Daniel – Editor do blog Além de Economia, é economista, mestre em economia política pela PUC-SP, Doutorando em Economia pela Unicamp (Universidade de Campinas-SP), corinthiano, professor, consultor com mais de 10 anos de experiência tanto na iniciativa privada como em instituições públicas. 



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