“Não era só a minha história”, diz criadora de página que conta relatos vividos por empregadas domésticas

Página “Eu empregada doméstica” acumula mais de 15 mil curtidas. A criadora da página, a rapper Preta Rara, trabalhou durante 7 anos como empregada doméstica em Santos (SP) Por Beatriz Sanz...

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Página “Eu empregada doméstica” acumula mais de 15 mil curtidas. A criadora da página, a rapper Preta Rara, trabalhou durante 7 anos como empregada doméstica em Santos (SP)

Por Beatriz Sanz

Atualmente, Joyce Fernandes concilia seu trabalho como professora de história com a carreira musical. No mundo do rap, ela é a Preta Rara. A santista de 31 anos, porém, trabalhou durante 7 como empregada doméstica.

“Na terça-feira (19) eu estava cozinhando e lembrei das coisas que aconteciam quando eu era empregada doméstica. Resolvi postar um episódio no meu perfil, quando eu vi, já tinha 3, 50, 100 curtidas”. Ela conta que este foi o pontapé inicial para que ela criasse a página “Eu empregada Doméstica”. A página entrou no ar à meia-noite desta quinta-feira (21) e já conta com quase 15 mil curtidas até o momento.

Ela diz que ficou surpresa com a repercussão do seu depoimento. “Não era só a minha história, várias mulheres começaram a me falar situações parecidas”. Desde o momento em que postou seu relato no Facebook, Preta afirma ter perdido as contas de quantos relatos recebeu, via inbox ou pelo e-mail do projeto.

Música

Preta Rara diz que começou na música por influência do pai que colecionava discos. “Ele entrou para a igreja e vendeu a coleção. Hoje se arrepende”.

Segundo ela, a música que mudou a sua vida foi escrita em 2008. “Eu tive que fazer uma pesquisa histórica profunda para escrever ‘Falsa Abolição’. Eu falo sobre a lei do Sexagenário, a lei do Ventre Livre, coisas que eu não vi na escola”.

Para Preta, é mais fácil falar dos problemas e das opressões que ela enfrenta através da música. “O meu rap é a minha vida musicada”.

História do Oprimido

A rapper conta que daí partiu o interesse de estudar História, curso no qual ela ingressou no ano seguinte, aos 26 anos de idade. “Eu trabalhava em telemarketing, que o turno é de 6 horas e depois, eu trabalhava como diarista, fazendo faxina, porque assim conseguia ganhar mais dinheiro e pagar a faculdade”, lembra.

Há 5 anos, Preta dá aulas de História em uma escola particular da periferia de Santos. “Eu conto a história do ponto de vista dos oprimidos. Primeiro eu uso o livro didático, depois que explico o conteúdo, peço pra eles fecharem os livros que eu vou contar como aconteceu de verdade”.

A professora Joyce utiliza basicamente conteúdo advindo da internet e fala que suas principais referências são o site Geledés, a Secretária-Adjunta de Direitos Humanos de São Paulo e colunista da Carta Capital, Djamila Ribeiro, e a militante Carla Zulu.

Preta lembra ainda que boa parte das mulheres da sua vida, mãe, madrinha, tias e primas trabalharam ou trabalham como empregada doméstica. “Eu luto para que isso não seja uma condição hereditária”.

É possível colaborar com a página enviando relatos através do inbox e através do e-mail euempregadadoméstica@gmail.com

Confira alguns dos relatos:

Foto de Capa: Reprodução/ Facebook



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