Em São Paulo, cerca de 2 mil mulheres negras marcham pelos seus direitos

A Marcha das Mulheres Negras é um evento que demonstra a organização dessa parcela da sociedade, tratada como minoria.

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A Marcha das Mulheres Negras é um evento que demonstra a organização dessa parcela da sociedade, tratada como minoria, e marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha. No governo Temer, não há mulheres negras em cargos de alto escalão e o fato, na marcha, não passou em branco

Por Beatriz Sanz

Na noite desta segunda-feira (25) se reuniram na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, cerca de 2 mil mulheres, na Marcha das Mulheres Negras. A concentração se iniciou por volta das 17h e a caminhada saiu às 19h, com destino ao Largo do Paissandu.

As mulheres presentes lembraram que a mulher negra sofre com a opressão de gênero e de cor. “Este dia é pra gente se reunir e mostrar o quanto as nossas pautas são importantes sob os nossos olhares, pra gente se mobilizar e resgatar nossa ancestralidade”, disse a secretária-adjunta de Direitos Humanos, Djamila Ribeiro, que é uma feminista negra.

Juliana Gonçalves, uma das organizadoras da Marcha, lembrou que as mulheres negras representam uma parcela significativa da sociedade. “O que a gente quer é respeito e conseguir ter acesso aos nossos direitos básicos”, afirmou.

Fora Temer

As mulheres negras não estão representadas no governo do presidente interino Michel Temer e isso não passou em branco. Durante diversos momentos, foram entoados gritos de “Fora Temer”. A estudante de direito e militante da UJS (União da Juventude Socialista), Maria Neves, destacou que o atual governo é nocivo à vida das mulheres negras.

“O golpe estabelecido no nosso país se acentua contra as mulheres negras”, disse.

A Data

No dia 25 de julho é celebrado o dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha. A data foi criada em 1992, mas o Brasil só aderiu em 2014, quando a presidenta eleita Dilma Rousseff decretou que este dia comemoraria o Dia Nacional da Mulher Negra e de Tereza de Benguela.

Tereza foi uma líder quilombola do Mato Grosso. No quilombo de Quariterê, Tereza foi nomeada rainha e governava junto a um parlamento. Ela foi capturada em uma emboscada e morreu de fome poucos dias depois.

Foto de Capa: Beatriz Sanz



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