“A obra de arte é sempre política”: Pascoal da Conceição cita Mário de Andrade em crítica a Temer

No evento realizado em comemoração ao primeiro ano da agência midiática Democratize, o ator Pascoal da Conceição participou de um debate sobre a “Cultura em Tempos de Temer”.

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No evento realizado em comemoração ao primeiro ano da agência midiática Democratize, o ator Pascoal da Conceição participou de um debate sobre a “Cultura em Tempos de Temer”. Assista

Por Nayani Real

O eterno Doutor Abobrinha (Pascoal da Conceição), especulador imobiliário vivido no programa infantil da década de 90, Castelo Rá-Tim-Bum, falou sobre a esquerda brasileira e a forma como o atual cenário de injustiças e a ausência de liberdade afloram sua sensibilidade enquanto ator e cidadão.

No atual contexto político, Pascoal enxerga certas leis e investimentos como uma poeira no trabalho cultural. Em referência ao período ditatorial, momento no qual as liberdades foram golpeadas junto à democracia, o ator cita Mário de Andrade em analogia ao governo do presidente interino Michel Temer e suas diretrizes culturais:

“Veja bem, não nego a possibilidade nem o valor do que nós falamos arte pura. Estou dizendo é que o intelectual se utiliza dela para se salvaguardar e se livrar dos seus deveres morais não só de homem, mas de artista, e o intelectual sofisma que tem liberdade de pensamento… Pensamento? Enquanto a vida se torna cada vez mais infame lá fora e o homem cada vez mais escravo e o intelectual acredita que tem liberdade simplesmente porque não tem técnica de criação o suficiente para levar seu pensamento de liberdade até o fim… porque a não aceitação, o inconformismo, não estão apenas em gritar e assinar ‘sou antinazista sou pela democracia, sou isso e mais aquilo’. Fazer isso, quando muito, é ser tagarela. O não-conformismo não está apenas na reação, mas na ação. E é nessa ação que está a responsabilidade pública do intelectual. A arte, a pessoa, podem não ser políticas enquanto pessoa, mas a obra de arte é sempre política enquanto ensinamento e lição – e se ela não serve a uma ideologia ela serve a outra, se ela não serve a um partido ela serve a outro”.

Reforçando que a posição artística se evidencia principalmente na ação (daí a necessidade da liberdade), amarrou sua opinião de acordo com o que teria dito o poeta Bertolt Brecht: “Toda geração tem um serviço a fazer; ou ela cumpre ou ela trai”.

Para ele, cada geração tem sua responsabilidade de atuar para mudanças sociais significativas, “Tem muita gente que veio antes da gente, mas agora é uma corrida de bastão. E o bastão está nas nossas mãos”, concluiu.

Em entrevista exclusiva para a reportagem da Fórum, o ator fala sobre o papel da classe artística no contexto político brasileiro, confira:

Foto: Simone Duboc – Flickr



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