Os 30 bairros com mais roubos de bicicletas em São Paulo em 2016

Zonas mais ricas são as que tem mais roubos e furtos de bicicletas. Já a região central é outra área da capital paulista com mais delegacias que figuram na lista dos 30 locais da cidade...

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Zonas mais ricas são as que tem mais roubos e furtos de bicicletas. Já a região central é outra área da capital paulista com mais delegacias que figuram na lista dos 30 locais da cidade onde mais crimes dessa natureza foram registrados entre janeiro e junho.

Por Leo Arcoverde, do Fiquem Sabendo

Distritos policiais da zona oeste de São Paulo, a mais rica da cidade, ocupam quatro das cinco primeiras colocações no ranking de locais com mais roubos e furtos de bicicletas na cidade de São Paulo neste ano.

Já a região central é outra área da capital paulista com mais delegacias que figuram na lista dos 30 locais da cidade onde mais crimes dessa natureza foram registrados entre janeiro e junho. São sete aparições (a mesma quantidade da zona oeste), com destaque para o 1º DP (Sé), quarta colocado do ranking, com 38 boletins de ocorrência registrados no período. Esse número representa a soma de casos de furto e roubo de bicicleta.

É o que aponta levantamento inédito feito com base em dados da Polícia Civil de São Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação.

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Centro expandido ocupa as cinco primeiras colocações

Na sexta colocação do ranking, o 93º DP (Jaguaré), zona oeste, responsável por investigar, entre outras áreas, os crimes ocorridos na região do Campus do Butantã da USP (Universidade de São Paulo), local bastante frequentado por ciclistas, é o primeiro distrito policial localizado da parte de cima da relação que fora do centro expandido da cidade de São Paulo.

Dos dez primeiros colocados, apenas mais outros dois DPs _27º DP (Ibirapuera) e 96º DP (Monções)_ ficam fora do centro expandido.

Essa geografia do crime praticado contra ciclistas se diferencia _e muito_ do que ocorre com outros delitos, como roubo, roubo de veículo e até homicídio, que se concentram em bairros periféricos da cidade.

Distrito policial que sempre ocupa as primeiras colocações nos casos de roubo e roubo de veículo na cidade, nos últimos anos, o 49º DP (São Mateus), na zona leste, por exemplo, nem aparece no ranking de 30 locais mais perigosos para os ciclistas. Ele é apenas o 47º colocado no quadro geral, levando-se em consideração as 93 delegacias da capital paulista, com apenas oito boletins registrados entre janeiro e junho.

Polícia registrará número de quadro para facilitar recuperação
No último dia 26, o secretário de Estado da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, anunciou que, nas próximas semanas, a pasta publicará uma resolução com a determinação de que o número de série, inscrito no quadro das bicicletas (espécia de chassi da bike), fará parte das informações inseridas no boletim de ocorrência de furtou ou roubo de bicicleta em todo o Estado.

Apesar de a medida não ser obrigatória (o boletim de ocorrência não deixará de ser lavrado pela falta dessa informação), a ideia da pasta é inibir a ação dos ladrões e aumentar o índice de recuperação de bicicletas roubadas ou furtadas. Não há dados oficiais sobre esse índice atualmente.

“O número que está gravado no quadro da bicicleta vai constar no sistema do Detecta e o patrulheiro, quando estiver na rua com o TMD [tablet], e fizer uma abordagem, consultando o número do chassi da bicicleta, vai poder verificar se a bicicleta é lícita ou não, se é produto de um furto ou roubo, e apreender a bicicleta”, explicou o secretário em post publicado no site da secretaria.

Essa determinação foi anunciada dois dias depois de o Fiquem Sabendo e o portal UOL publicarem, juntos, reportagem sobre as dez regiões com mais casos de furto e roubo de bicicletas na capital paulista neste ano. Nela, o especialista em segurança Jorge Lordello menciona que o hábito de as vítimas desses crimes não informarem o número do quadro quando lavram o boletim de ocorrência impede uma ação mais efetiva das polícias.

“Basta descaracterizar a bicicleta e pôr o anúncio na internet. Sem contar o fato de que muitas vítimas sequer sabem o número do quadro, que é o chassi da bicicleta. Com isso, quando registram o boletim de ocorrência, a polícia não tem a informação necessária para recuperar aquele bem”, disse Lordello.

OUTRO LADO

A Secretaria de Estado da Segurança Pública disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que os distritos policiais da cidade “rotineiramente colhem imagens captadas pelos sistemas de segurança nesses locais” para inibir os furtos e roubos de bicicletas.

Leia, abaixo, a íntegra da nota que a secretaria enviou à reportagem:

“A Polícia Civil esclarece que as delegacias disponibilizam equipes de investigação para fazerem contatos com os gestores de segurança dos locais das ocorrências, além de, rotineiramente, colher imagens captadas pelos sistemas de segurança que existem nesses locais, bem como informações junto às testemunhas. Como resultado, houve queda, nos últimos dois meses de 20% nas ocorrências de tal natureza, na região do 14º DP, por exemplo.

A Polícia Militar esclarece que realiza o policiamento ostensivo e preventivo em todas as regiões da capital, por meio dos mais diversos programas de policiamento existentes na Instituição (Rádio Patrulhamento, Força Tática, ROCAM), sempre objetivando a diminuição dos crimes. No primeiro semestre de 2016, os policiais militares do Comando de Policiamento da Capital, responsáveis pelo policiamento na cidade, detiveram 18.116 pessoas em flagrante.”

Foto de Capa:  André Tambucci / Fotos Públicas



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