A palavra que define Temer no Twitter é “golpista”

Análise mostra que, na rede social, os adjetivos mais associados ao presidente interino são golpista, traidor, usurpador, covarde e corrupto.

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Análise mostra que, na rede social, os adjetivos mais associados ao presidente interino são golpista, traidor, usurpador, covarde e corrupto

Por Fábio Malini, em seu facebook*

Nos últimos 15 dias, extraí, no Twitter, os posts e seus respectivos comentários dos perfis da presidente Dilma Roussef e do vice-presidente Michel Temer. A vantagem do Twitter frente ao Facebook: não permite que comentários sejam apagados. Assim, nem Dilma, nem Temer, possui poder de desconectar os comentários conectados às suas mensagens. Foram 10.692 respostas aos posts de Dilma. E 3.645 aos de Temer. As figuras das redes representam exatamente a comunidade de comentaristas e os perfis que eles mencionam. Como se pode notar, os perfis mais mencionados estão no campo mais institucional, à medida que Temer e Dilma disputam-no. Os comentaristas de Dilma abre mais conversação crítica com a conta do Senado. Os de Temer, principalmente com a dos órgãos de governo (@Planalto, @Portal Brasil) e das OlImpíadas (@Jogos Olímpicos).

O curioso: um baixo volume de menções, nos comentários, a perfis de organizações da sociedade civil. A organização que aparece mais forte está na rede de Temer, a @cni_br. Isso porque muitos usuários interpelam o perfil do Vice e da CNI dizendo que os preços das mercadorias continuam aumentando, apesar de o governo e da CNI buscarem vender uma “retomada econômica”.

Interessante identificar também a dinâmica dos sentimentos contida nos textos dos comentários. Exemplo. Os cinco adjetivos associados a Dilma foram: querida (404), guerreira (89), mentirosa (89), comunista (86) e honesta (34). Para além do banal termo ‘comunista’, os comentaristas oposicionistas utilizam o termo “querida” para debochar da condição de impeachment de Dilma já certa. Reivindicam também a “verdade” acerca do que havia dito Dilma em 2014. O “mentirosa” é assim uma adjetivação que busca apontar que Dilma ocultou dos brasileiros a crise econômica. Contudo, o tom negativo desse léxico emocional não pertence ao julgamento de impeachment imposto a Dilma no Senado, mas à sua condição de candidata em 2014. Ou seja, a dor de cotovelo dos derrotados não passou.

Já os adjetivos associados a Temer foram: golpista (486), traidor (57), usurpador (56), covarde (46) e corrupto (39). O termo covarde surgiu em função do não-comparecimento do Vice ao encerramento das Olimpíadas. Os outros derivam do léxico político gerado em função da movimentação que o interino fez nos últimos oitos meses. Apesar do esforço em sincronizar com certos veículos de imprensa que o Brasil vive um momento de retomada econômica, Temer não consegue se desvencilhar dos comentaristas que colam a sua imagem a um governo “ilegítimo” e conectado ao grupo de Eduardo Cunha.

Os dois perfis continuarão ativos. Vamos acompanhar a cena dos próximos capítulos.

dilmattemert* Fábio Malini é professor e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)

Foto de capa: Lula Marques / Agência PT



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