“Esse processo de impeachment foi um jogo sujo”, avalia cientista política

“A criminalização de movimentos sociais é um aspecto que deve ser levado em conta. Um outro aspecto é a limitação dos programas sociais”, diz a professora Vera Chaia, da PUC-SP Por Victor Labaki, de Belo...

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“A criminalização de movimentos sociais é um aspecto que deve ser levado em conta. Um outro aspecto é a limitação dos programas sociais”, diz a professora Vera Chaia, da PUC-SP

Por Victor Labaki, de Belo Horizonte*

A cientista política e professora da PUC-SP, Vera Chaia, fez um balanço sobre o processo de impeachment que afastou definitivamente nesta quarta-feira (31) Dilma Rousseff do cargo da Presidência da República.

Segundo a professora, o processo de afastamento de Dilma faz parte de “um jogo sujo” do PMDB em aliança com o PSDB.

“Quando ela assumiu o poder, houve uma resistência do PSDB em relação a posse dela. Dizendo que havia fraude na eleição, enfim, todo um trabalho de um grupo de parlamentares do PSDB que realmente joga pesado. Eles querem derrubar a Dilma, querem derrubar o PT, não tem conversa. Um jogo sujo se faz nesse processo”, disse.

Vera Chaia afirmou que há dois projetos políticos em conflito. De um lado um projeto de estado mais forte, defendido pelo PT e pela ex-presidente Dilma, que está ligado aos setores mais pobres da população. Do outro lado, segundo ela, há o projeto do agora presidente Temer, que descreveu como excludente.

“Há um projeto de um estado mais forte, defendido pelo PT e pela presidente Dilma, um estado que se preocupa com o bem estar da população. Um estado que está ligado aos setores mais pobres da população e que tem políticas públicas voltadas a esses setores. Enquanto que o outro projeto, do Temer, é um projeto excludente, um projeto que está fechando torneiras para educação, para saúde, que são os fundamentos de uma sociedade que possa se desenvolver. Sem educação, sem saúde não existe espaço para um desenvolvimento. Nesse processo final os projetos ficaram bem definidos”, completou.

Segundo ela, esse modelo vai vir junto com um processo de repressão e criminalização dos movimentos sociais, como o que ocorreu em São Paulo na última segunda-feira (29).

“Acho que nós vamos ter problemas e já começou a ocorrer repressões aos movimentos sociais, a criminalização de movimentos sociais é um aspecto que deve ser levado em conta. Um outro aspecto é a limitação dos programas sociais, nós já estamos acompanhando isso na nossa área, na área da ciência”, disse a professora que também é coordenadora do NEAMP (Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política) do CNPq.

Vera Chaia está participando do 10º Encontro da ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política), em Belo Horizonte.

*O jornalista viajou a convite da ABCP



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