Autonomia, democracia e luta anti-capital marcam 2ª edição da virada feminista

Durante 24 horas, mulheres se reúnem para discutir resistência e autonomia sobre seus corpos na luta contra o capital. Evento contou com shows, debates e oficinas; confira.

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Durante 24 horas, mulheres se reúnem para discutir resistência e autonomia sobre seus corpos na luta contra o capital. Evento contou com shows, debates e oficinas; confira

Por Mariana Gonzalez

Durante 24 horas, os três andares do Centro Cultural da Juventude foram inteiramente ocupados por mulheres – cantando, atuando, grafitando, escrevendo, batucando, debatendo, desenhando e, em alguns momentos, até dormindo. O objetivo? “Compartilhar vivências e unir forçar para travar as lutas que estão por vir”. A definição é de Bianca Santana, autora do livro Quando Me Descobri Negra, que ofereceu uma oficina de escrita literária para mulheres na 2ª edição da Virada Feminista, uma iniciativa da Marcha Mundial das Mulheres em parceria com a organização Sempreviva.

Bianca Santana em oficina de escrita literária
Bianca Santana em oficina de escrita literária

 

Sob o lema “a resistência que transforma”, esta edição foi norteada pela discussão da autonomia das mulheres sobre os corpos e os territórios na luta anti-capital. Na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista, a programação se desenvolveu sobre três eixos de debate – corpo, cidade e luta. Helena Zelic, da Marcha Mundial das Mulheres, explica a construção do evento: “A proposta é evidenciar a resistência das mulheres em tempos de golpe e de grandes ataques conservadores. E esses três eixos dão conta de boa parte das lutas que travamos nesse cenário, enquanto feministas que lutam coletivamente por democracia”.

Financiada por crowdfunding, a Virada Feminista prezou por espaços abertos, convivência e eventos simultâneos. “As atividades não acontecem de forma isolada, fazem parte de um entorno de muita potência e estão completamente conectadas com as outras, de forma que tudo cresce e tudo transborda nesse coletivo”, disse Bianca. Para Alessandra Tavares, que ofereceu uma oficina de linguagem corporal na madrugada do domingo (4), a Virada Feminista cumpriu justamente a função de reduzir a distância entre produções feministas nos quatro extremos da cidade: “Nós, mulheres, produzimos muito. Mas São Paulo é gigante e acaba isolando nossos trabalhos, escondendo o que estamos fazendo”.

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Conforme a organização, mais de mil pessoas passaram pelo Centro Cultural da Juventude durante o evento. Dentre elas, militantes da Marcha Mundial das Mulheres de todas as regiões do Brasil, trabalhadores rurais, mães e crianças – inclusive em cima do palco, já que o encerramento ficou por conta da rapper MC Soffia, de 13 anos. A 2ª edição da Virada Feminista deixa para a Vila Nova Cachoeirinha um muro cheio de intervenções artísticas. E para Helena Zelic, da Marcha Mundial, o evento oferece também a lição de que o lado pessoal é também político: “O feminismo tem que estar presente nas nossas vidas privadas, mas não pode deixar de nos guiar enquanto sujeitos ativos de uma luta que é coletiva”.

Confira como foi:

Fotos: Reprodução/Marcha Mundial das Mulheres



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