Teatro: Companhia Antropofágica celebra 15 anos com mostra de repertório

O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA percorrerá vários espectros do trabalho da Companhia com 18 temporadas de espetáculos e mais dezenove atividades, realizadas de Setembro de 2016 a Agosto de 2017, culminando com a estreia de um...

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O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA percorrerá vários espectros do trabalho da Companhia com 18 temporadas de espetáculos e mais dezenove atividades, realizadas de Setembro de 2016 a Agosto de 2017, culminando com a estreia de um novo espetáculo, todas gratuitas e abertas ao público geral.

Por Victor Labaki

Dona de um extenso processo de criação, estudo, experimentação e um significativo currículo com prêmios e indicações, a Companhia Antropofágica, criada em 2002, celebra seus 15 anos de existência com temporadas de espetáculos, diálogos, intervenções e outras atividades.

O projeto TRAM(A)NTROPOFÁGICA percorrerá vários espectros do trabalho da Companhia com 18 temporadas de espetáculos e mais dezenove atividades, realizadas de Setembro de 2016 a Agosto de 2017, culminando com a estreia de um novo espetáculo, todas gratuitas e abertas ao público geral.

“O objetivo é levar a público de forma condensada, a história da Companhia, que ao longo dos anos, se esforça em responder artisticamente à trama complexa do tempo presente, investigando seus percalços políticos e travando um diálogo crítico permanente com o desenrolar histórico do próprio tecido social que o envolve: a situação política da cidade, a relação fundamental entre o grupo e seu público e, num sentido amplo, as consequências históricas do próprio desenvolvimento humano” informa o release do projeto.

Uma das temporadas apresentadas pelo grupo entre setembro e outubro é do espetáculo “Trylogia: Terror e Miséria no Novo Mundo, vencedora do Prêmio CPT 2012, na categoria Projeto Sonoro e Prêmio CPT 2013 na categoria Direção.

“É um trabalho de que tem como tema a história do Brasil nos períodos da Colônia, do Império e da República, respectivamente da primeira a terceira parte. (…) A Trylogia é um dos divisores de águas da Antropofágica, no pensamento estético-poético. E vai ser muito importante esse diálogo que vamos ter com o público neste momento político do Brasil”, explica Thiago Reis Vasconcelos, diretor da Antopofágica.

Ainda em Outubro o grupo apresenta o “Programa I: Brazyleirinhas QI”, com apresentações dos espetáculos “O Grande Circo da Ideologia”, “Furo no Casco”, “Estudo para o Terror” e “M. [Isso não é uma peça feminista]”.

Em novembro, é a vez da peça “A Tragédia de João e Maria”, onde o grupo apresenta uma linguagem que ficou conhecida como Teatro da Deformação, com um espetáculo livremente inspirado no conto dos irmãos Grimm. A peça é uma versão adulta e deformada de Hansel und Gretel e retrata a trajetória de duas crianças abandonadas pelos pais em meio ao desespero da fome e da impossibilidade de alimentá-los.

O grupo finaliza as apresentações do ano em dezembro, com “Prometeu: Estudo 1.1” e a comédia “Macunaíma no País do Rei da Vela”, primeiro espetáculo criado pela Antropofágica.

Entre setembro e dezembro, acontece ainda os “Diálogos Antropofágicos”, com conversas com importantes nomes da cena teatral paulista como Marcelo Soler, da Cia. Teatro Documentário, Luciana Carvalho, do Grupo Dolores Boca Aberta, integrantes da Cia. Do Latão e da Cia do Feijão.

Veja a programação das atividades abaixo:

TRYLOGIA TERROR E MISÉRIA NO NOVO MUNDO

Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo inspirada no livro Pau-Brasil de Oswald de Andrade, a Trylogia passa pela história nacional devorando, modificando e ressignificando fatos e documentos históricos dos períodos Colônia, Império e República. Uma devoração metonímica do Brasil permeia as três peças, onde uma profusão de quadros, acontecimentos, personagens reais e ficcionais misturam-se para contar episódios relevantes da história do Brasil. Utilizando-se de recursos épico-revisteiros e orquestrado por uma trilha sonora original, o material histórico pesquisado aparece não apenas para refletir sobre o passado, mas também para construir uma reflexão crítica quanto aos seus desdobramentos no contemporâneo.

TRYLOGIA TERROR E MISÉRIA NO NOVO MUNDO: Parte I Estação Paraíso

Na primeira parte de nossa Trylogia sobre o Brasil, retratamos a Colônia Brasileira com paródias e dados historiográficos do processo de colonização e suas implicações sociais. A pesquisa partiu de livros, filmes, revistas e peças. Nossos treinamentos foram a junção de todos os estudos realizados até o momento – o ator deformado, o ator autômato, o surrealismo, o ator e o objeto, a pesquisa da espacialidade em cena a partir de Tadeusz Kantor. Preparação corporal de mímica corpórea. As leituras metonímicas e dadaístas de nossa bibliografia eram transformadas em monólogos, improvisos e na construção de cenas. Começamos a experimentar a junção de cenas e projeção de vídeos. Apresentada em cinco temporadas no Pyndorama, de 2009 a 2013.
Gênero:  Épico Musical
Data: 10, 17 e 24 de Setembro e 01 e 08 de Outubro de 2016 (Sábados) – Horário: 18h00
Local: Espaço Pyndorama – Endereço: Rua Turiassu, 481, fundos.
Duração: 100 minutos – Ingressos: Gratuito – Capacidade: 80 lugares – Classificação Indicativa: 16 anos

TRYLOGIA TERROR E MISÉRIA NO NOVO MUNDO: Entre a Coroa e o Vampiro Parte II O Império

Segunda parte de nossa Trylogia sobre o Brasil, o espetáculo retrata o Império Brasileiro, por intermédio de paródias e a partir dos dados historiográficos de todo o processo e suas implicações sociais. Livros, filmes, revistas e peças teatrais também subsidiaram o processo. Para além da já conhecida junção dos elementos e estudos já percorridos, enfatizou-se a pesquisa audiovisual. Cenas foram filmadas para serem projetadas junto aos atores no palco. Também a ficção científica vem como inspiração para contar parte da dominação do Brasil, a partir de monstros e seres hipérbolicos, nos debruçamos sobre as inúmeras guerras desconhecidas no Brasil; trouxemos à cena o programa televisivo sensacionalista, as charlatanices religiosas e clamamos por greve! Demos continuidade à construção de monólogos como princípio para criação de uma dramaturgia própria. Apresentada em três temporadas no Pyndorama, de 2011 a 2013, e apresentações na sede do Engenho Teatral e no Espaço Clariô.
Gênero:  Épico
Data: 10, 17 e 24 de Setembro e 01 e 08 de Outubro de 2016 (Sábados) – Horário: 20h00
Local: Espaço Pyndorama – Endereço: Rua Turiassu, 481, fundos.
Duração: 100 minutos – Ingressos: Gratuito – Capacidade: 80 lugares – Classificação Indicativa: 16 anos

TRYLOGIA TERROR E MISÉRIA NO NOVO MUNDO: Parte III Autópsia da República

A terceira e última parte de nossa Trylogia sobre o Brasil, trouxe à cena a República, com seus alternados presidentes – marechais ou civis. Na forma pesquisamos o teatro de revista e suas características. Fizemos a autópsia da república com suas tantas batalhas esquecidas, que acontecem até hoje. A campanha eleitoral e seu marketing entram em cena. Aqui também realizamos o estudo de monólogos como ferramenta de construção dramatúrgica. Apresentada em duas temporadas no Pyndorama, em 2012 e 2013. Algumas cenas foram apresentadas em separado na sede de outros grupos e em outras atividades da Antropofágica, como Kabaré e Karroça Antropofágica.
Gênero:  Drama
Data: 11, 18 e 25 de Setembro e 02 e 09 de Outubro de 2016 (Domingo) – Horário: 19h00
Local: Espaço Pyndorama – Endereço: Rua Turiassu, 481, fundos.
Duração: 140 minutos – Ingressos: Gratuito – Capacidade: 80 lugares – Classificação Indicativa: 16 anos

Programação Diálogos Antropofágicos:

14/09 – O olhar do Espectador com Marcelo Soler da Cia Teatro Documentário
21/09 – Conversa sobre a práxis estético-política presente na Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo com Luciano Carvalho do Grupo Dolores Boca Aberta Mecatronica de Artes
22/09 – Apontamentos acerca da Iluminação Teatral na Antropofágica com Manoel Ochôa
28/09 – Memórias de um Espectador com José Cetra acerca da Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo
21/10 – Encontro com os Dramaturgos de M. isso não é uma peça feminista, de Mei Hua, e Estudo para o Terror, de Rogério Guarapiran (haverá apresentação das peças nessa data e a conversa será realizada após as apresentações)
08/11 – Grande Circo da Ideologia com Ney Piacentini da Companhia do Latão (haverá apresentação da peça nessa data e a conversa será realizada após a apresentação)
09/11 – Furo no Casco e a Dramaturgia de Chico de Assis com Maria Silvia Betti (haverá apresentação da peça nessa data e a conversa será realizada após a apresentação)
16/11 – Conversa sobre A Tragédia de João e Maria com Zernesto Pessoa da Companhia do Feijão
07/12 – Conversa sobre Prometeu Estudo 1.1 com Ana Souto

Foto de Capa: Gabriel Oliveira



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