“Ou a gente grita ou virão nos buscar”, diz Juca Kfouri após prisão de Guido Mantega

Jornalista comentou a prisão do ex-ministro, que foi seu colega de escola, falou sobre Lula e criticou ações arbitrárias da operação Lava Jato.

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Jornalista comentou a prisão do ex-ministro, que foi seu colega de escola, falou sobre Lula e criticou ações arbitrárias da operação Lava Jato 

Por Redação

O jornalista Juca Kfouri divulgou um depoimento no qual se mostra inconformado com as notícias recentes sobre as ações da operação Lava Jato contra o ex-presidente Lula e o ex-ministro da Fazenda e do Planejamento Guido Mantega.

Para Kfouri, Mantega, que estudou com ele no colégio, não seria capaz de roubar “um tostão” e a sua prisão, revogada mais tarde pelo juiz Sérgio Moro, seria “fruto de mentes maquiavélicas, que cometem erros crassos”.

O jornalista comentou ainda o fato da voz de prisão ser dada enquanto o ex-ministro acompanhava sua esposa em uma biópsia no hospital Albert Einstein.

“Não é possível que isso não seja uma coisa deliberada, e quem está falando isso não é do PT, nunca foi do PT. Sou absolutamente a favor de que todo mundo que cometeu atos ilícitos pague por eles, mas tem um limite, um limite que realmente lembra a frase do Bertolt Brecht: ‘Ou a gente grita, ou virão nos buscar, porque não há ninguém que grite por nós’”.

Juca Kfouri disse que o indiciamento do ex-presidente é um modo de mascarar as investigações da operação Lava Jato, mas que o grande serviço já foi feito: “o impeachment de Dilma Rousseff e o nome de Lula jogado na lama”.

Leia o depoimento na íntegra:

“Eu fico sem saber o que pensar. Olho para tudo que está acontecendo e embora eu não seja adepto da teoria da conspiração, me ocorre que os exageros óbvios, desde a reunião de Curitiba na denúncia contra o Lula, até esse episódio da prisão do Guido, me parece que existe uma grande isenção para haver motivos jurídicos para melar a Lava Jato, em função do fato de o grande serviço já ter sido feito: o impeachment da Dilma Rousseff e o nome do Lula ter sido jogado na lama. Agora querem salvar a cabeça dos de sempre. Não é possível que isso não seja fruto de mentes maquiavélicas, que cometem erros tão crassos, como o de prender, em um hospital, alguém que não coloca a sociedade em risco, no momento em que sua mulher está submetida a uma biopsia, deixando o Eike Bastista, que fez a denúncia, solto, o Eduardo Cunha solto, a alta plumagem do tucanato sem ser ouvida. Não é possível que isso não seja uma coisa deliberada, e quem está te falando isso não é do PT, nunca fui do PT. Sou absolutamente a favor de que todo mundo que cometeu atos ilícitos pague por eles, mas tudo tem um limite, que realmente lembra a frase do Brecht. ‘Ou a gente grita, ou virão nos buscar, porque não há ninguém que grite por nós’. Eu costumo raciocinar, mas agora estou elaborando uma nota cujo tema central é ‘ já não sei o que pensar’. Agora o que faz o Sergio Moro: revoga a prisão. Aparece a face humana do juiz, para que amanhã ele possa fazer mais uma dessas arbitrariedades. Pegue a declaração do procurador do Ministério Público Carlos Fernando dos Santos que falou em ‘triste coincidência’, dizendo que a ordem era anterior e não foi cumprida devido às Olimpíadas. A Olimpíada impede que você vá à casa de alguém para levá-lo coercitivamente para depor? A Olimpíada era no Rio de Janeiro – Guido mora em São Paulo – e acabou faz um mês. As coisas não fazem sentido, não tem nexo. A esquerda estava se reorganizando com manifestações de rua, o Moro divulga o indiciamento do Lula. O ministro do Temer diz que é a favor da anistia do caixa 2, e  eles vão prender o Guido! De alguma maneira, eles querem fazer frente à repercussão das coisas que são negativas para o establishment. Eu estou indignado, eu fui colega de escola do Guido, e uma coisa eu garanto para você: ele é incapaz de pegar um tostão para ele, é incapaz de fazer o que agora Eike Batista denuncia.”

Foto: Reprodução



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