Sob suspeita de influência do governo, Lava Jato deve rejeitar novas delações premiadas

Segundo Folha de S.Paulo, PF diz já ter material suficiente para dispensar delatores, mas pessoas ligadas à Odebrecht afirmam que objetivo pode ser evitar mais danos ao PMDB, inclusive Temer Por Jornal GGN...

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Segundo Folha de S.Paulo, PF diz já ter material suficiente para dispensar delatores, mas pessoas ligadas à Odebrecht afirmam que objetivo pode ser evitar mais danos ao PMDB, inclusive Temer

Por Jornal GGN

Membros da Polícia Federal que atuam na Lava Jato em Curitiba disseram à reportagem da Folha de S. Paulo, segundo publicação desta terça (4), que não querem que a operação celebre novos acordos de delação premiada.

A justificativa da corporação é que já foram firmados muitos contratos de cooperação – 66 desde o início da investigação – e que se esse número crescer com as mais 50 delações da Odebrecht em negociação, a sociedade sentirá o peso da impunidade pairando no ar.

Contudo, em caráter sigiloso, pessoas ligadas a Odebrecht afirmaram ao jornal que a essa nova postura da PF pode estar ligada a uma operação nos bastidores, patrocinada pelo atual governo, para evitar mais danos à cúpula do PMDB, partido do presidente Michel Temer.

“(…) a posição da PF contra delação premiada teria relação com algum movimento do governo de Michel Temer, já que integrantes da cúpula do PMDB, incluindo o presidente, são mencionados no acordo com a empreiteira. A PF, porém, nega qualquer diálogo ou influência do governo”, publicou a Folha.

No final de setembro, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes se envolveu em uma polêmica ao antecipar, durante um evento político de seu partido, o PSDB, que a Polícia Federal prenderia o ex-ministro Antonio Palocci.

O vazamento de informação sigilosa para agradar aliados políticos abriu nova crise entre Moraes e Temer, que o chamou para prestar esclarecimentos. Patrocinado por Geraldo Alckmin (PSDB), Moraes resiste no cargo que assumiu em maio, quando Dilma Rousseff foi afastada da presidência em função do impeachment. Uma das primeiras ações de Moraes, à época, foi visitar a Lava Jato em Curitiba.

Segundo a Folha, a PF sustenta que a Lava Jato pode caminhar para o seu fim concluindo as investigações com as informações que já foram levantadas até agora.

Ainda de acordo com o jornal, o juiz federal Sergio Moro também concorda que novas delações são desnecessárias. “Segundo a Folha apurou, ele vem sinalizando a investigadores da Lava Jato que nenhum preso será liberado automaticamente se sua delação for homologada.”

Na semana passada, o GGN mostrou que a partir da famosa planilha da Odebrecht, que vazou na imprensa em maio e foi colocada imediatamente sob siligo por Moro, a Lava Jato já poderia ter avançado sobre corrupção em contratos de obras exetucadas nos governos do PSDB de São Paulo.

Reportagem do Estadão, inclusive, indicou que se a PF tivesse feito o trabalho de identificação dos apelidos que constam nessa planilha, pessoas que receberam propina em cima de projetos do Metrô paulista teriam sido indiciadas nessa última fase, chamada Arquivo X, que atingiu apenas o PT às vésperas das eleições municipais com as prisões de Guido Mantega e Antonio Palocci.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



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