O jornalismo, os memes, a periferia e a disputa de narrativas

Ivana Bentes e Dennis de Oliveira discutiram, em mesa de debate no lançamento da Rede Fórum de Jornalismo, os desafios da mídia alternativa frente ao discurso hegemônico da mídia tradicional através das novas linguagens...

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Ivana Bentes e Dennis de Oliveira discutiram, em mesa de debate no lançamento da Rede Fórum de Jornalismo, os desafios da mídia alternativa frente ao discurso hegemônico da mídia tradicional através das novas linguagens e das iniciativas fora do senso comum

Por Redação

A segunda mesa de debate do evento de lançamento da Rede Fórum de Jornalismo, sob o tema “jornalismo e ativismo”, foi marcada pela discussão dos desafios que a mídia alternativa carrega ao assumir o papel de exercer o contraponto informativo à imprensa tradicional. Os convidados, a pesquisadora da área de comunicação Ivana Bentes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e o professor de jornalismo da Universidade de São Paulo (USP), Dennis de Oliveira, tomaram em suas falas caminhos distintos mas que direcionam a um caminho em comum: a necessidade da inovação e de uma inserção mais intensiva das mídias livres.

Para Ivana, nos últimos anos o jornalismo fez uma travessia da questão analítica para a questão “memética”. De acordo com a pesquisadora, a linguagem ilustrativa e objetiva dos memes, surgida a partir do fluxo intenso de informações da internet, exerce um poder ainda mais efetivo de persuasão que a reportagem de profundidade ou o texto explicativo, mas salientou que o campo da direita conservadora e suas mídias são aqueles que dominam essas novas ferramentas.

“As pessoas buscam uma argumentação pronta para aquilo que elas acreditam. A gente tem que levar essa memética a sério. A mídia conservadora tem usado essa questão dos memes de forma organizada, objetiva e de forma veloz”, analisou.

Como exemplo, Ivana citou as correntes de Whatsapp ou de outras redes sociais e plataformas comunicativas em que são espalhadas inúmeras inverdades que dificilmente são descontruídas pela mídia alternativa com seus textos analísticos.

“Estou cada vez mais convencida de que precisamos criar uma escola de memes. Algo que possa complementar o jornalismo analítico”, pontuou, sem deixar de tecer uma crítica às mídias livres.

“Como a mídia livre vai entrar nos sites secretos e grupos como os de Whatsapp? Lá está se formando uma narrativa assustadora (…) A esquerda é conservadora em termos de linguagem e estética”.

O professor Dennis de Oliveira concordou com Ivana no que desrespeito à necessidade de uma inovação da linguagem das mídias livres mas atentou para o fato de que há, sim, atualmente, uma nova mídia que vem das periferias e que já adotam linguagens originais, próprias e inovadoras.

“Hoje a periferia faz sua informação (…) Ela [a periferia] não aceita perder os seus direitos e está, sim, organizada”, afirmou.

Para Dennis, o grande papel da mídia alternativa em um contexto da tão falada crise das instituições e pós-golpe é o de fortalecer esses projetos que contrapõe o senso comum e que, em sua maioria, acabam surgindo nas bordas das grandes cidades pela própria opressão a que essas regiões estão submetidas.

“O papel do novo jornalismo, o alternativo, é ajudar a viabilizar essas iniciativas. Sair do cerco de fontes oficiais. Há uma pontência presente nas periferias e nesse midialivrismo jovem”, analisou.

Saiba mais sobre o evento aqui: http://bit.ly/2fW17wJ

 



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