Em São Paulo, Doria anuncia Virada Cultural em Interlagos e causa primeira crise

Tucano eleito prefeito da cidade quer mudar totalmente o conceito da Virada, que é descentralizada e busca levar as pessoas ao Centro. Na Internet, não faltaram críticas e evento no Facebook “Virada Clandestina” já tem mais de 20 mil confirmados

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Tucano eleito prefeito da cidade quer mudar totalmente o conceito da Virada, que é descentralizada e busca levar as pessoas ao Centro. Na Internet, não faltaram críticas e evento no Facebook “Virada Clandestina” já tem mais de 20 mil confirmados

Da Redação

O prefeito eleito de São Paulo, João Dória (PSDB), declarou nesta segunda-feira (5), que quer levar a Virada Cultural para o Autódromo de Interlagos. “Vamos deslocar a Virada Cultural para um único local e não vai ser no Centro da cidade. Vamos fazer a Virada Cultural acontecer em Interlagos, 24 horas, com segurança, com transporte, com conforto e sem os transtornos que, infelizmente, pela dimensão que ela assumiu ela proporciona. Ela vai manter tudo de bom que ela sempre teve, sem os aspectos ruins em Interlagos”, disse Doria, em reunião com empresários realizada na Fecomércio.

Segundo o prefeito, a ideia é ter como exemplo de como fazer shows em um único local o Festival Lollapalooza, realizado no Autódromo de Interlagos. “O Lollapalooza [festival de música] é lá e funciona muito bem”, afirmou a futura secretária de Assistência Social de Dória, Soninha Francine.

A Virada Cultural nasceu em 2005 com outro objetivo, de justamente levar os paulistanos à região central da cidade e contar com eventos descentralizados, inclusive nas periferias.

A ideia de Dória não agradou. Para o jornalista Odair Braz Jr, do R7, é uma “bola foríssima”. “Quem se disponibilizar a ir, terá de se locomover até um lugar em que haja transporte da prefeitura e enfrentar quilômetros cidade afora para chegar ao autódromo, que fica lá num canto da Zona Sul. Depois, percorrer o mesmo trajeto de volta. É um contrasenso absolutamente ridículo. Não há metrô, dá para chegar de trem, mas digamos que uma pessoa more na extrema Zona Oeste ou Norte. Já viu quanto tempo leva para chegar?”

No Estadão, o jornalista Julio Maria, escreveu será o primeiro grande erro de João Doria. “Enjaular uma festa que nasceu para se espalhar pela cidade, ainda que com estratégias de segurança experimentadas a cada ano, é um ato de gabinete.”

Já Ricardo Mendonça do Valor, lembrou que Doria já anunciou que vai privatizar o autódromo, portanto transferir a Virada para lá é a privatização do evento. “Quem comprar Interlagos já levará ‘de brinde’ uma clientela. Quem vai vender cerveja lá dentro? E comida? E estacionamento? E as placas? Nessa concepção, não há Virada Cultural, há business. Não háhá munícipes ou cidadãos, há clientes.”

Evento no Facebook “Virada Cultural Clandestina em São Paulo, em 2017, já tem mais de 20 mil confirmados em menos de 24 horas.

Menos de um dia depois, o secretário de Cultura de Dória, André Sturm tentou explicar melhor a proposta em entrevista para Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. “Em vez de oito ou dez megapalcos que atraem uma multidão que fica perambulando pelo centro, haverá grandes shows em Interlagos, com mais conforto, segurança, área de alimentação, banheiros e até área para dormir, se as pessoas quiserem”, disse. Ou seja, a ideia é que os principais shows sejam realizados no autódromo e outras atividades menores, no Centro.



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