Escola de elite, a R$ 8 mil por mês, será inaugurada em São Paulo

Alunos de 5 anos são fluentes em mandarim e inglês e o lanchinho do recreio é lagosta orgânica. Fundador da escola nos EUA diz que a mesma São Paulo, que tem algumas das piores escolas estaduais do país, tem uma demanda “maravilhosa” por esse...

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Alunos de 5 anos são fluentes em mandarim e inglês e o lanchinho do recreio é lagosta orgânica. Fundador da escola nos EUA diz que a mesma São Paulo, que tem algumas das piores escolas estaduais do país, tem uma demanda “maravilhosa” por esse tipo de ensino.

Da Redação

Se você é trabalhador e vive com a grana contada, seu filho vai ter que encarar uma das escolas mantidas pelo governador tucano citado em delação por corrupção Geraldo Alckmin. Lá, como todos sabem, seu herdeiro terá o privilégio de contar com salas deterioradas, professores abnegados e mal pagos, um ensino completamente ultrapassado e, é claro, a criminalidade comendo solta no entorno e dentro das salas de aula.

Mas, se você é da turma do governador e seus aliados, lê o blog da filha dele, que é produzido dentro do Palácio Bandeirantes, ou seja, se você é daqueles que tem dinheiro sobrando, seu lindo rebento terá finalmente a escola que merece.

Está chegando ao Brasil, em São Paulo, terceiro maior PIB do país, a escola Avenue, onde meninos de cinco anos são fluentes em inglês e mandarim e aprendem a mexer em impressoras 3D; no ensino fundamental, aprendem matemática pelo método de Cingapura e, no ensino médio, constroem casas de selva com painéis de energia solar e estudam religiões do mundo. Nos intervalos, uma pequena refeição de lagosta orgânica que ninguém é de ferro. Ao final, entram em universidades como Harvard, Yale e Stanford.

Tentador, não? Mas não se preocupe. Pra você que gasta R$ 15 mil num vestido pra patroa fazer bonito na festa da Val Marchiori, a mensalidade de R$ 8 mil será uma pequena merreca frente aos benefícios que o júnior terá vida à frente.

Ao estudar na mesma escola que a filha de Tom Cruise, seu filhote se tornará, segundo Alan Greenberg, fundador da escola nos EUA, um cidadão confiante, mas humilde quanto ao seu talento e generosidade de espírito, além de honesto e consciente de que seu comportamento influencia nosso ecossistema. “Se você é verdadeiramente um cidadão global, você tem empatia pelos outros, entende que as pessoas são diferentes, mas no fundo são iguais”, completa Alan. Diga lá se não é fofo e engajado?

A Avenues de Sampa, que terá um investimento de US$ 50 milhões e tem como objetivo ter 2.000 alunos, está sendo construída no bairro de Cidade Jardim, com projeto do escritório de arquitetura Aflalo e Gasperini. As aulas começam em agosto de 2018, pois a escola segue o calendário do hemisfério norte. Mas atenção papais, as matrículas só poderão ser feitas a partir de março do ano que vem.

Patrícia Villela Marino, presidente da ONG Instituto Humanitas 360, conhecida como a “embaixadora” da Avenues no Brasil, conheceu a escola nos EUA, entusiasmou-se e insistiu muito para que fosse construída em São Paulo.

“É uma escola que ensina as crianças a pensar e a resolver problemas”, diz. “É importante formar uma elite pensante, que vai estudar e investir no país, em vez de pensar ‘está difícil, então vamos nos mudar para Nova York’.” Pronto. Maravilhoooosa! Resolveu nosso problema.

O mais curioso de tudo, no entanto, é que, segundo Greenberg, a mesma São Paulo das escolas do Alckmin, tem uma demanda extraordinária por escolas internacionais.

Na Escola Graduada, por exemplo, a lista de espera chega a 500 pessoas, e a mensalidade varia de R$ 6.500 a R$ 8.000, mais cerca de R$ 40 mil em taxa de entrada (luvas).

Já na escola britânica St. Paul’s, a mensalidade é de cerca de R$ 7.000 (são 13 por ano). O valor da Avenues deve ficar só um pouco acima do cobrado em outras escolas internacionais. Ainda não se sabe se haverá taxa de entrada.

“É maravilhoso que exista uma grande variedade de escolas internacionais em São Paulo. Sabemos que muitos pais não conseguem vagas em escolas internacionais competitivas e o cenário de escolas bilíngues está crescendo”, diz a diretora da St. Paul’s, Louise Simpson. É maravilhoso mesmo, não, caro leitor?

Foto: Eduardo Rosa

 



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