Aquarius, perseguido pelo governo, fica entre os 20 melhores do ano

Filme que sofreu retaliação da secretaria de audiovisual do Ministério da Cultura porque seus atores se manifestaram contra o golpe durante festival de Cannes, fica entre os vinte melhores do mundo em publicação da Film Society, do Lincoln Center

2298 0

Filme que sofreu retaliação da secretaria de audiovisual do Ministério da Cultura porque seus atores se manifestaram contra o golpe durante festival de Cannes, fica entre os 20 melhores do mundo em publicação da Film Society, do Lincoln Center

Da Redação

Apesar de preterido para concorrer ao Oscar pela comissão especial formada pela Secretaria do Audiovisual (SAV), do Ministério da Cultura (MinC), o filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, apareceu em oitavo lugar entre os 20 melhores filmes do ano. A lista é publicada pela Film Society do Lincoln Center, em Nova York, na revista “Film Comment”.

Aquarius foi muito elogiado pela crítica desde a sua primeira exibição em maio, no Festival de Cannes. Na sessão de gala do filme, no festival, o diretor Kleber Mendonça e os atores Sônia Braga, Humberto Carrão, Maeve Jinkings entre outros integrantes do elenco exibiram pequenos cartazes com frases em inglês que diziam: “Um golpe está acontecendo no Brasil”; “54 milhões de votos foram queimados”; “Dilma, vamos resistir com você”.

Ao ficar de fora do Oscar, o diretor Mendonça Filho postou no seu Facebook: “Soube aqui no Festival de Toronto da decisão via Ministério da Cultura de não indicar AQUARIUS como candidato brasileiro ao Oscar. Estou numa tarde de entrevistas e já vendo o tipo de reação que tem surgido na imprensa e redes sociais. É bem possível que a decisão da comissão esteja em total sintonia com a realidade política do Brasil, ou seja, é coerente e já esperada”.

A cineasta Ana Muylaert, diretora de “Que Horas Ela Volta”, aproveitou o episódio e brincou: “Saiu a versão oficial: Aquarius foi preterido porque Sonia Braga deu pedaladas fiscais”.

O Filme

Aquarius conta a história de uma crítica de música aposentada que entra em uma disputa com um rico empresário que quer demolir seu prédio para construir um novo empreendimento. O edifício é o último de seu estilo em Boa Viagem, no Recife. Kleber Mendonça Filho é o mesmo diretor do premiado O Som ao Redor.

Veja a lista completa da “Film Comment”:

  1. “Toni Erdmann”, Maren Ade, (Alemanha)
  2. “Moonlight”, Barry Jenkins, (EUA)
  3. “Elle”, Paul Verhoeven, (França/Alemanha)
  4. “Cemitério de esplendor”, Apichatpong Weerasethakul, (Tailândia/Reino Unido/França/Alemanha/Malásia)
  5. “Certain Women”, Kelly Reichardt, (EUA)
  6. “Paterson”, Jim Jarmusch, (EUA)
  7. “Manchester by the sea”, Kenneth Lonergan, (EUA)
  8. “Aquarius”, Kleber Mendonça Filho, (Brasil/França)
  9. “O que está por vir”, Mia Hansen-Løve, (França/Alemanha)
  10. “Não é um filme caseiro”, Chantal Akerman, (Bélgica/França)
  11. “The Lobster”, Yorgos Lanthimos, (França/Holanda/Grécia/Reino Unido)
  12. “Lugar certo, hora errada”, Hong Sangsoo, (Coréia do Sul)
  13. “Amor & amizade”, Whit Stillman, (Irlanda/Holanda/França/EUA)
  14. “Cameraperson”, Kirsten Johnson, (EUA)
  15. “Kaili Blues”, Bi Gan, (China)
  16. “A Criada”, Park Chan-wook, (Coréia do Sul)
  17. “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes!!”, Richard Linklater, (EUA)
  18. “The Fits”, Anna Rose Holmer, (EUA)
  19. “Neruda”, Pablo Larraín, (Chile/Argentina/França/Espanha)
  20. The Other Side, Roberto Minervini, (França/Itália)



No artigo

x