#Euempregadadoméstica: Depois de viralizar nas redes, Preta Rara quer reunir relatos em livro

Campanha no Catarse arrecada recursos para divulgar humilhações e agressões – física, moral e psicológica – sofridas por muitas mulheres, principalmente negras, no país

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Campanha no Catarse arrecada recursos para divulgar humilhações e agressões – física, moral e psicológica – sofridas por muitas mulheres, principalmente negras, no país

Da Redação

“As mulheres da minha família (avós, mãe e tias) todas trabalharam como domésticas.
Minha mãe, desde os 6 anos, trabalhava e morava no lugar.
Com 07 anos ela trabalhou em uma casa com uma varanda de pedra toda em volta. Ela tinha que esfregar a varanda inteira com uma escova de mão.
Certo dia as crianças da casa a encurralavam num canto e começaram a beliscar e puxar seu cabelo. Quando ela gritou chamando a patroa, a mulher veio furiosa porque o patrão estava cochilando e ela iria acordá-lo. Nesse dia ela apanhou da patroa e passou sofrer calada. Todas as vezes que as crianças faziam isso não revidava, por medo de apanhar, e chorava baixinho pra ninguém ouvir.” Relato de C.M.

O relato acima é um entre os milhares recebidos por Joyce Fernandes, cantora e compositora conhecida como Preta Rara. Ela trabalhou por sete anos como empregada doméstica, profissão de sua mãe e avó, assim como de muitas mulheres negras no país. Segundo pesquisa do Dieese, em 2011, 61% da mulheres no trabalho doméstico eram negras.

Joyce, que hoje também é professora de história na periferia de São Vicente, cidade na Baixada Santista, decidiu criar uma página no Facebook em julho deste ano para contar alguns abusos sofridos.

“Joyce, você foi contratada para cozinhar para a minha família, e não para você. Por favor, traga marmita e um par de talheres e, se possível, coma antes de nós na mesa da cozinha; não é por nada; só para a gente manter a ordem da casa”, escreveu.

Para sua surpresa, ela começou a receber milhares de relatos e a página criada no Facebookhoje tem mais de 130 mil fãs. Agora, a ideia é transformar todos esses relatos em um livro e um documentário por meio de financiamento coletivo. A arrecadação vai até o dia 24 de dezembro neste link.



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