TV Cultura demite repórter engajada no plantão de natal

A repórter Cláudia Tavares, com mais de 20 anos de casa, era representante da CIPA e, de acordo com o sindicato, foi demitida ilegalmente e muito provavelmente por perseguição política: “Doeu ver as lágrimas de...

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A repórter Cláudia Tavares, com mais de 20 anos de casa, era representante da CIPA e, de acordo com o sindicato, foi demitida ilegalmente e muito provavelmente por perseguição política: “Doeu ver as lágrimas de vocês, especialmente dos que gostariam de me ver eleita representante dos funcionários. Era pública a pré-candidatura”.

Da Redação com informações da Coluna de Flávio Ricco

 

A repórter Cláudia Tavares, com mais de 20 anos de casa, fez longo desabafo ao ser despedida da TV Cultura, às vésperas do Natal.

“Coragem vem de core, coração. Meu grande guia. Dia 21 de dezembro de 2016, dia da festa de confraternização dos funcionários da TV Cultura de São Paulo, fica marcado como o dia em que a emissora decidiu não contar mais com meu trabalho como repórter. Foi no meio do plantão de Natal”, escreveu a jornalista, do programa “Repórter Eco”.

No texto, ela relatou os momentos que antecederam a demissão: “Segunda à noite fiz matéria para o Jornal da Cultura. Ontem cheguei para continuar a jornada. Profissionais cuidaram do meu cabelo e maquiagem. Fui chamada por uma moça com pouco tempo de casa no setor de Recursos Humanos. Senti que seria demitida. Na Redação, nenhum chefe. Parece que o dia foi escolhido a dedo para que ninguém me olhasse nos olhos para dizer a razão do meu desligamento”.

Membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da empresa, Cláudia diz que sua demissão foi ilegal. “A resposta protocolar é sempre uma só: ordens da direção. A nova gerente de RH, com a qual trabalhei na última Semana de Prevenção de Acidentes, recentemente, também não falou comigo. Se trata de uma demissão ilegal, uma vez que teria mais um ano de estabilidade por ter me dedicado à Comissão de Prevenção de Acidentes no último mandato, encerrado semana passada”.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo já afirmou nesta semana que pretende “tomar todas as medidas cabíveis” para anular a demissão da repórter.

No mesmo texto publicado na internet, Cláudia contou como foi tratada pela TV Cultura e por colegas depois de receber a notícia. “Carta de demissão em mãos, soube que não poderia circular sozinha. Fui acompanhada em cada passo. Abracei os colegas e esvaziei a gaveta. Foram mais de vinte anos de trabalho, a maioria deles no Repórter Eco. Não poderia haver formação melhor. Minha ética e honestidade foram colocadas a serviço do que acredito: um mundo melhor e mais justo. Fiz amigos queridos, que muito significam para mim. Deles chegam mensagens emocionadas. Doeu ver as lágrimas de vocês, especialmente dos que gostariam de me ver eleita representante dos funcionários. Era pública a pré-candidatura. Ontem conseguimos uma vitória na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde estive para lutar por aumento no orçamento da Fundação que permita pelo menos a reposição da inflação nos salários congelados de Jornalistas e Radialistas há pelo menos três anos”.

 

“Minha demissão não é única. Há desligamentos diários, tentando minar a força das pessoas que amam a TV Cultura. Deixando colegas doentes. Mas não se deixem abater meus queridos. Saibam que continuo firme e forte. Imensamente grata por todos esses anos e pelas oportunidades de aprendizado que a vida traz”, concluiu.

 

A apresentadora Valéria Grillo, na casa desde 1987, também foi dispensada nesta última semana.

A coluna tentou ouvir a TV Cultura a respeito do assunto, mas como a emissora já entrou em recesso de Natal, o seu departamento de Comunicação se viu impossibilitado de se manifestar sobre esses dois e outros casos.

*Colaborou José Carlos Nery

 



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