E a economia vai pro buraco (ou Temer, o desbrasileiro do ano)

Segundo os números mensurados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, para o último trimestre, a taxa de desemprego chegou aos alarmantes 11,8% e, se não bastassem, pesquisas feitas pelo...

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Segundo os números mensurados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, para o último trimestre, a taxa de desemprego chegou aos alarmantes 11,8% e, se não bastassem, pesquisas feitas pelo mercado financeiro estimam índices próximos aos 13% para 2017.

Por Luiz Henrique Dias*

Dentre todo o emaranhado de dados disponíveis a respeito da crise econômica brasileira, é provável que um dos mais importantes elementos para se compreender o descontentamento dos brasileiros e a descrença generalizada quanto aos rumos políticos do país, é a taxa de desemprego.

A segurança econômica é fundamental para a sustentar uma plena estabilidade social no país e é  diretamente afetada pela deterioração do emprego.

Segundo os números mensurados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, para o último trimestre, a taxa de desemprego chegou aos alarmantes 11,8% e, se não bastassem, pesquisas feitas pelo mercado financeiro estimam índices próximos aos 13% para 2017.

Para entender o valor analítico desses percentuais, basta lembrar: em outubro de 2015, o índice estava abaixo dos 9%, um aumento de 32,5%.

Há pouco mais de um ano, frente às perspectivas pessimistas para a economia global e de fatores indicativos do aumento da taxa de desocupação, o Governo anunciava pacotes de incremento em infraestrutura e de fortalecimento de setores estratégicos, como o elétrico e de logística, tentando garantir a recuperação da renda do povo, em especial das classes mais pobres, e também frear a sangria de postos de trabalho.

Uma das cifras, para ilustrar a assertiva ação estatal na economia, é esta: R$ 198 bilhões eram anunciados para o Programa de Concessões e Investimentos, apresentado por Dilma.

Meses depois, e concretizado o golpe político, consagrado por uma poderosa campanha de setores imprensa e da oposição com missão de vender à população o PT como causa de todos os problemas da economia e da ética e tirar Dilma da presidência, é hora de implementar o receituário do mal e aplicar um novo golpe, desta vez econômico, no povo.

Para isso, Michel Temer, Meirelles e a turma do estado mínimo (os zumbis perambulantes na América Latina desde o Consenso de Washington) correm para apressar a face mais nefasta do trabalho que executam para os rentistas e para as elites.

No campo do emprego, o Estado saiu da banca e jogou o povo à crise internacional e aos humores do mercado.

Cortes no investimento em energia e na infraestrutura. Diminuição do Estado a todo custo, PEC do Fim do Mundo condenando a educação, a saúde e os programa sociais e poupando os juros da dívida. Reforma na previdência prejudicando diretamente os mais pobres e vulneráveis. Cortes em programas sociais e de renda. Mudanças nos padrões de crédito do BNDES e outras tantas medidas amargas e necessárias apenas no entendimento de quem cumpre o papel submissão ao capital.

E tem mais, e pra todo mundo: para classe média, outrora confiante nas mudanças, um aumento inesperado no preço da gasolina. Para os pobres, aumento no valor final do diesel, indicativo de transporte coletivo mais caro em breve, e mais inflação.

Sem falar na censura direta à imprensa desalinhada com o golpe e no avanço da repressão aos movimentos sociais, entendendo aqui a repressão como o braço forte de quem caça direitos.

Só não tem remédio amargo para os rentistas, sonegadores, detentores de grandes fortunas e para o judiciário, beneficiado com seu aumento de 41,1% em seus supersalários.

À classe trabalhadora, sem tempo para poder agir frente à investida relâmpago em seus direitos, e já desprovida de esperança, resta ou a revolta e, novamente, a tomada do poder ou, apenas, o triste destino de observar o governo Temer navegar com sua base governista no Congresso e condenar uma geração inteira, tirando o Brasil dos rumos da soberania econômica, e o colocando novamente no papel de se curvar ao capital rentista internacional, à custa da miséria e do sofrimento do povo mais pobre.

E, enquanto isso, mesmo frente a todo esse quadro de exceção, uma cena singular: a Revista IstoÉ, um dos panfletos do jornalismo brasileiro, deu ao Temer o título de “Brasileiro do Ano”.

* Luiz Henrique Dias é professor, gestor público e coordenador do Projeto A São Paulo que Queremos. 



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