Temer promove diplomata que organizou fuga de Molina a embaixador

Eduardo Saboia trouxe senador boliviano no porta-malas de carro diplomático, sem aval do governo brasileiro e escondido do governo boliviano

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Eduardo Saboia trouxe senador boliviano no porta-malas de carro diplomático, sem aval do governo brasileiro e escondido do governo boliviano

Da Redação | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

O diplomata brasileiro Eduardo Saboia foi alçado ao cargo de embaixador pelo governo de Michel Temer. Saboia ficou conhecido por ter organizado a fuga do senador Roger Pinto Molina da Bolívia. O diplomata brasileiro colocou Molina escondido na mala de um carro e o trouxe ao Brasil em um automóvel. Molina era um dos mais ferrenhos opositores do presidente boliviano Evo Morales.

A ação de Saboia aconteceu em 2013 e Molina já estava abrigado há 455 dias na embaixada brasileira em La Paz desde quando havia solicitado asilo político ao Brasil. O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas sob alegação que o parlamentar respondia a processos judiciais no país. Assim, o asilo havia sido negado pela então presidente Dilma Rousseff.

Depois da repercussão, Saboia foi chamado pelo senador Aloysio Nunes (PSDB) para trabalhar na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Em julho deste ano, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, foi responsável pela entrada de Saboia no quadro de acesso. No Facebook, Saboia agradeceu Serra e Nunes.

Ação sem precedente

“Esta foi uma ação sem precedente na história da diplomacia brasileira. Como pode um diplomata patrocinar a fuga de um criminoso comum, à revelia do governo brasileiro, escondido do governo boliviano e com o apoio explícito da direita brasileira, que já o aguardava na fronteira do país?”, disse à época deputado Cláudio Puty (PT-PA), que participou de uma missão oficial à Bolívia meses antes e se surpreendeu com a presença de Roger Pinto Molina na embaixada.

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“Ele usava a embaixada como escritório particular para fazer oposição ao governo de Evo Morales. Recebia colegas do partido e concedia entrevista livremente”, afirmou.

Molina era considerado o principal porta-voz do agronegócio na Bolívia. Ele vive até hoje no Brasil, exilado no Acre, onde possui terras na fronteira. Desde que ingressou na carreira política, teve um aumento de 290% em seu patrimônio avaliado e responde a várias ações, entre elas, por desvios de verba, favorecimento a jogos ilegais e venda de terra pública para estrangeiros.



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