Governo Temer já acumula quase quatro carandirus

Já são mais de 400 mortes em presídio ocorridas sob o governo Temer. Apenas de outubro para cá, quando ocorreu o primeiro massacre na penitenciária de Monte Cristo onde morreram 25 presos, já são 118 mortos em massacres ocorridos em presídios no Brasil. Na...

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Já são mais de 400 mortes em presídio ocorridas sob o governo Temer. Apenas de outubro para cá, quando ocorreu o primeiro massacre na penitenciária de Monte Cristo onde morreram 25 presos, já são 118 mortos em massacres ocorridos em presídios no Brasil. Na prática o governo Michel Temer produz, com a sua inoperância, um massacre do Carandiru a cada quatro meses.

Julinho Bittencourt

Com o massacre ocorrido na noite desta sexta-feira (06), na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR), onde morreram ao menos 33 presos, já são mais de 400 mortes em presídio ocorridas sob o governo Temer. Apenas de outubro para cá, quando ocorreu o primeiro massacre na penitenciária de Monte Cristo onde morreram 25 presos, já são 118 mortos em massacres ocorridos em presídios no Brasil.

Na prática o governo Michel Temer produz, com a sua inoperância, um massacre do Carandiru a cada quatro meses. O caso, ocorrido em São Paulo, em outubro de 92, é considerado o maior genocídio de presos do país em todos os tempos e um dos maiores do mundo.

Na época, é sempre bom lembrar, Michel Temer assumiu a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo no lugar de Pedro Franco de Campos. Ao tomar posse, ele anunciou como reação ao massacre que recomendaria repouso e meditação para os policiais envolvidos.

O caso, que seria trágico não fosse cômico, se repete como tragédia. O plano de segurança de emergência proposto por Temer não só já estava previsto no orçamento como não resolve nem 0,4% do déficit de vagas em cadeias.

O desastre coloca em xeque também a febre privatizadora em penitenciárias federais. Uma das primeiras frases de Temer, após um longo silêncio de três dias depois do massacre de Manaus, foi culpar a empresa contratada, ironicamente chamada de Umanizzare: “O presídio era terceirizado e privatizado, portanto, não houve uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais”.

A mesma cantilena foi repetida por seu ministro da justiça, Alexandre de Moraes: “A responsabilidade vai ser analisada pela força tarefa que está fazendo a investigação. O presídio é terceirizado. Não é uma PPP. É uma terceirização dos serviços. De cara, óbvio, houve falha da empresa. Não é possível que entre armas brancas, facões, pedaços de metal, armas de fogo inclusive escopeta”, declarou o ministro.

Privatizações em presídios, bem como em vários outros setores vitais da administração pública, são aplaudidos, propagados e instaurados por Temer, a sua base aliada e, sobretudo, pelo PSDB, partido cuja sanha de vender ou arrendar responsabilidades públicas se confunde com as suas próprias cores e bandeiras. As mesmas, no entanto, certas ou erradas, não pressupõem a isenção de culpa do Estado, muito ao contrário. Temer, seu ministro da justiça, bem como toda a horda de aliados, são sim, responsáveis por cada um dos mortos em presídios brasileiros, bem como as que ocorrem em hospitais e equipamentos públicos administrados por organizações sociais.

No final das contas o que temos para hoje são erros primários e um grande jogo de empurra – o primeiro culpado encontrado foi o governo do Amazonas que, segundo o ministro Alexandre de Moraes, sabia de um grande plano de fuga e não avisou ninguém. Estes e muitos outros erros crassos, omissões e projetos para inglês ver têm custado centenas de cadáveres empilhados, famílias desesperadas e um desgoverno de quatro para o crime organizado.

Temer, o vice decorativo, conspirador e inoperante, talvez acabe derrubado por quem menos esperava, ou seja, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

Sobre o assunto leia também:

http://www.revistaforum.com.br/2017/01/04/quem-governa-nas-prisoes-brasileiras-sao-os-presos/

http://www.revistaforum.com.br/2017/01/05/leandro-fortes/

Foto: Antônio Cruz/Abr

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