Presídios de Bangu tem cinco mil mortes em cinco anos. Só em 2017 já morreram dez

Dez presos já morreram só em 2017 nos presídios. O clamor do Major Olímpio, que pediu através de sua conta no Facebook que Bangu faça melhor do que Manaus e Roraima, é desnecessário. Nos últimos cinco anos, entre 2011 e 2016, a cada um...

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Dez presos já morreram só em 2017 nos presídios. O clamor do Major Olímpio, que pediu através de sua conta no Facebook que Bangu faça melhor do que Manaus e Roraima, é desnecessário. Nos últimos cinco anos, entre 2011 e 2016, a cada um dia e meio, em média, um preso morreu nas carceragens do Rio.

Da Redação com informações do G1

Parece que os apelos irresponsáveis do Major Olímpio, que pediu através de sua conta no Facebook que Bangu faça melhor do que Manaus e Roraima, começam a surtir efeito. Dez presos morreram no sistema penitenciário do Rio nos primeiros dez dias de 2017. Uma das suspeitas é de que o problema seja causado pela superlotação das carceragens. No Rio, são 51.113 presos onde há vagas para 27 mil.

O clamor do Major Olímpio é desnecessário. Nos últimos cinco anos, entre 2011 e 2016, a cada um dia e meio, em média, um preso morreu nas carceragens do Rio. Foram 988 detentos mortos neste período. Não houve chacinas. No sistema penitenciário, os registros informam que as causas foram naturais ou por doenças. Assim, são 95% dos casos.

Nos registros da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), nenhuma morte de 2017 teve causa violenta: todos morreram por “doença”. A Seap abriu sindicância para apurar as mortes. A Defensoria Pública do Rio iniciou uma investigação para saber as causas que tem levado os detentos a morrer nos presídios do Estado.

Dados da Seap repassados à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Judiciário mostram que dentre os dez mortos, quatro estavam presos por tráfico de drogas; três por homicídio; um por furto; um por sequestro e outro por roubo. Entre esses mortos, oito foram presos em 2016 e outros em anos anteriores.

Dos dez que morreram, sete ainda respondiam a processo. Ou seja, sem condenação. Três dos mortos nos primeiros dias de 2017 eram condenados, de acordo com dados da Seap.

“O que acontece no Estado do Rio é que há uma espécie de morte silenciosa. Aqui não há registro de chacinas como as que aconteceram no Amazonas e em Roraima. Não. Aqui, os presos definham e as condições são péssimas”, diz o defensor Leonardo Rosa, do Núcleo do Sistema Penitenciário (Nuspen), na Defensoria Pública.

A superlotação, segundo quem fiscaliza o sistema, gera casos de violência e, principalmente, casos de doença como tuberculose.

“Celas superlotadas levam a casos de doença entre os presos. Quem está preso tem 30 vezes mais chance de contrair tuberculose do que quem leva uma vida normal”, afirma Maria Laura Canineu, do Human Right Watch.

Há celas em que há 60 pessoas onde cabem 27 presos, segundo promotores e defensores ouvidos. A situação das carceragens foi relatada pela Defensoria Pública à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). De acordo com o documento, as unidades prisionais do Rio não possibilitam acesso à água para tratamento e consumo, além de tratamentos médicos aos presos. Todas essas situações são prejudicadas devido à superlotação das cadeias.

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que, “atualmente, as unidades prisionais do Estado do Rio tem 51.113 internos. Desses, 20.779 são provisórios.

 



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