Motorista negro é confundido com assaltante e caso revolta Recife

Mário José Ferreira foi acusado injustamente de tentativa de assalto e porte de arma; episódio de racismo gerou protestos na capital pernambucana.

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Mário José Ferreira foi acusado injustamente de tentativa de assalto e porte de arma; episódio de racismo gerou protestos na capital pernambucana

Por Pedro de Paula, colaborador da

Um caso de racismo causou revolta no Recife (PE) na última sexta-feira (20). Mário José Ferreira, que é motorista de um escritório de advocacia e negro, foi até o Empório Gourmet Casa dos Frios para realizar a compra de uma grande quantidade de bolos, a pedido de seu patrão, Gilberto Lima. No entanto, no momento do pagamento, viu que faltava dinheiro e se dispôs a ir até o carro para buscar o resto do valor e voltar em seguida.

Quando retornou, a loja já estava fechada e com a presença de policiais que chegaram rapidamente ao local em três viaturas. O empreendimento fica em uma área nobre da cidade e é conhecido por ser frequentado por um público de classe média alta. A polícia, então, realizou uma revista constrangedora em frente à rua, onde muitas pessoas presenciaram a cena, e disse que Mário estava sendo acusado de tentativa de roubo e porte de arma de fogo, uma vez que uma empregada da loja alegou ter visto um volume na cintura dele.

No final, nada foi encontrado. Gilberto Lima, chefe de Mário, fez uma denúncia sobre o ocorrido no Facebook e o caso tomou grande repercussão. Vários movimentos se uniram para promover um ato de repúdio contra o Empório, que aconteceu na tarde de segunda-feira (23). Entre as entidades presentes, estiveram o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Zoada e a União de Negros Pela Igualdade Círculo Palmarino (UNEGRO).

Emerson Nascimento, um dos participantes do protesto, lamentou a situação. “Sou negro com muito orgulho. É uma barbárie, dando continuidade ao sistema escravista em pleno século 21. Não podemos alimentar o racismo institucional”, disse.

A advogada da vítima, Maria Eduarda Andrade, já informou que tomará todas as medidas cabíveis para pedir a punição dos responsáveis. Em nota, a loja pediu desculpas pelo episódio e afirmou ser “justo e legítimo” o sentimento de indignação provocado na comunidade. Porém, argumentou que não houve qualquer postura preconceituosa ou discriminatória neste caso.

Confira abaixo as fotos da manifestação e o relato de Mário sobre o assunto.

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Fotos: Pedro de Paula



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