Será a França o novo país a assustar o mundo?

Com vitórias proporcionais expressivas que os conduziram ao primeiro lugar nas eleições francesas para o Parlamento Europeu em 2014, bem como às eleições locais em 2015, a Frente Nacional, com seu discurso nacionalista, anti-imigração e eurocético, promete surpreender o mundo nas próximas eleições.

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Com vitórias proporcionais expressivas que os conduziram ao primeiro lugar nas eleições francesas para o Parlamento Europeu em 2014, bem como às eleições locais em 2015, a Frente Nacional, com seu discurso nacionalista, anti-imigração e eurocético, promete surpreender o mundo nas próximas eleições
Por Vinicius Sartorato, colaborador da

Com um bom desempenho em rankings internacionais sobre educação, saúde, expectativa de vida e desenvolvimento humano, a França é um dos centros globais do mundo artístico e científico. Entre outras coisas, é o país mais visitado por turistas no mundo. Sexta maior economia do mundo, terceira maior da União Europeia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a França é uma das maiores potências do mundo.

Com um regime político democrático e um sistema de governo semipresidencialista, o poder executivo na França é exercido pelo Presidente da República e o governo. O presidente da República é o Chefe de Estado, eleito diretamente para um mandato de cinco anos, indica o primeiro-ministro – responsável pelo governo e pela relação com o Parlamento. Atualmente o presidente francês é o socialista François Hollande, que se tornou presidente em 2012, vencendo e sucedendo o republicano – candidato à reeleição -, Nicolas Sarkozy.

Com mais de 20 partidos representados no parlamento, além de pequenos partidos nacionais – sem representação parlamentar, regionais e locais, a França tem um sistema político multipartidário. Esses partidos podem formar coalizões governamentais, alianças eleitorais, assim como, dentro dos próprios partidos existem facções ou tendências que cooperam ou disputam entre si. Desde os anos 80, a composição do governo francês tem alternado entre duas coalizões de partidos relativamente estáveis, uma de centro-esquerda, liderada pelo Partido Socialista e outra de centro-direita, liderada pelos republicanos.

Apesar da dificuldade de partidos de outras coalizões obterem sucesso em eleições para o Poder Executivo, a Frente Nacional, de extrema-direita, vem ganhando força, consolidando-se como terceiro maior partido no país.

Neste sentido, com vitórias proporcionais expressivas que os conduziram ao primeiro lugar nas eleições francesas para o Parlamento Europeu em 2014, bem como às eleições locais em 2015, a Frente Nacional, com seu discurso nacionalista, anti-imigração e eurocético, promete surpreender o mundo nas próximas eleições.

É neste contexto que os franceses se preparam para mais uma eleição presidencial a ser realizada em 23 de abril de 2017. Com a retirada da candidatura do atual presidente, vários candidatos disputam as indicações dos respectivos partidos, alianças e coalizões para o Palácio de Eliseu – sede do governo francês.

De acordo com as pesquisas eleitorais, os candidatos já indicados por seus partidos – Marine Le Pen (Frente Nacional) e François Fillon (republicanos) – que venceu Sarkozy – estão liderando. Enquanto isso, outros partidos e coalizões de menor expressão eleitoral também estão indicando seus candidatos. Com destaque para candidatura independente, de centro-esquerda, do ex-ministro da economia, Emmanuel Macron, que desponta como terceiro colocado nas pesquisas e a candidatura da Frente de Esquerda, liderada por Jean-Luc Mélenchon, um deputado de extrema-esquerda do Parlamento Europeu, aparecendo em quarto lugar.

O Partido Socialista que possui atualmente o presidente e o primeiro-ministro do país, passa por um momento de dificuldades. Dividida, a coalizão liderada pelo PS deve decidir no próximo dia 29 de janeiro, em segundo turno, seu candidato. Na prévia presidencial da “Bela Aliança Popular”, liderada pelo PS, realizada no último dia 22 de janeiro, o ex-ministro da Educação, Benoît Hamon, surpreendeu o favorito Manuel Valls, com uma vitória de 36,01% contra 31,48% de seu adversário.

Com um programa de forte inclinação à esquerda para os parâmetros do PS, Hamon tem como suas principais propostas: a renda básica universal, visando erradicar a pobreza; a redução da jornada de trabalho semanal de 35 horas para 32 horas, sem redução de salários, para gerar mais empregos; bem como a legalização da maconha, como medida para enfraquecer o recrutamento de jovens ao crime organizado. Dentre outras propostas, Hamon denunciou iniciativas que visam restringir os direitos dos muçulmanos franceses. Desse modo, o ex-ministro da Educação procurou atrair o voto de socialistas desiludidos com a virada das políticas pró-mercado promovidas por Hollande e seu adversário de prévia, o ex-primeiro-ministro, Manuel Valls.

Resumindo, com a baixa popularidade do atual presidente e do governo, mais a divisão do campo das chamadas “esquerdas”, a tendência apresentada já há meses é de uma decisão em segundo-turno da eleição presidencial, entre os candidatos do campo das “direitas”. Dentre os temas centrais, combate ao terrorismo, imigração e economia.

A seguir podemos ver os resultados da pesquisa IPSOS – a mais recente, divulgada no último dia 20 de janeiro.

Marine Le Pen
(Frente-Nacional)
Extrema-Direita 27%

François Fillon
(Republicanos)
Centro-Direita 25%

Emmanuel Macron
(Independente)
Centro 18%

Jean-Luc Mélenchon
(Frente de Esquerda)
Extrema-Esquerda15%

Benoît Hamon
ou Manuel Valls
(Partido Socialista)
Centro-Esquerda 9%



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