Para destravar delação João Santana tenta incriminar Dilma, mas não convence procuradores

Na tentativa de destravar seu acordo com a Lava Jato, parado desde o fim do ano passado, o marqueteiro João Santana afirmou, em roteiro para sua delação premiada, que ele e a mulher, Mônica Moura, receberam recado da então presidente Dilma Rousseff de que...

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Na tentativa de destravar seu acordo com a Lava Jato, parado desde o fim do ano passado, o marqueteiro João Santana afirmou, em roteiro para sua delação premiada, que ele e a mulher, Mônica Moura, receberam recado da então presidente Dilma Rousseff de que seriam presos. Procuradores ouvidos reservadamente dizem que fatos contados  não despertam interesse da PGR de Curitiba.

Da Redação com Informações da Folha

Na tentativa de destravar seu acordo com a Lava Jato, parado desde o fim do ano passado, o marqueteiro João Santana afirmou, em roteiro para sua delação premiada, que ele e a mulher, Mônica Moura, receberam recado da então presidente Dilma Rousseff de que seriam presos.

O publicitário baiano resolveu incluir o relato que implica Dilma no plano de sua delação como uma espécie de trunfo, já que os procuradores da Lava Jato travaram as negociações com seus advogados.

Procuradores ouvidos pela Folha reservadamente relataram que, até o momento, os fatos contados pelo marqueteiro e sua mulher não despertaram interesse da Procuradoria-Geral da República e da força-tarefa de Curitiba.

José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma e ministro da Justiça na época da prisão de Santana e Mônica, afirmou que nem ele nem a então presidente tinham “informações privilegiadas sobre as investigações” e que, portanto, o relato “não procede”.

Em fevereiro de 2016, quando foram alvo da 23ª fase da Lava Jato, Santana e Mônica estavam na República Dominicana, onde comandavam a campanha presidencial para a reeleição de Danilo Medina.

Após receberem o mandado judicial, embarcaram para o Brasil e se entregaram na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde passaram quase seis meses presos.

Pessoas com acesso às investigações afirmaram à reportagem que Santana diz ter sido avisado de sua prisão por um aliado de Dilma, a pedido da então presidente, com quem o publicitário tinha uma relação de amizade.

Santana e Mônica saíram da prisão no início de agosto, após pagarem fiança de mais de R$ 31 milhões. Ainda na carceragem, começaram a negociar um acordo com a força-tarefa, temendo permanecerem presos após uma possível condenação.

Os investigadores alegam que os detalhes dos pagamentos feitos pela Odebrecht no exterior para o casal, por exemplo, já foram esclarecidos em depoimentos de executivos da empreiteira e, portanto, esperam que a delação do marqueteiro e de sua mulher sejam mais abrangentes, com inclusão de fatos novos.

Desde o início deste ano a defesa de Santana e Mônica não conseguiu agendar audiências com integrantes do Ministério Público Federal para tentar retomar as negociações.

A PRISÃO

Em 12 de fevereiro de 2016, a Folha revelou que a Lava Jato investigava indícios de pagamentos feitos pela Odebrecht em contas de Santana na Suíça e, uma semana depois, o juiz Sergio Moro negou aos advogados do marqueteiro acesso aos autos que faziam referência e ele.

De acordo com petistas, o ato de Moro “levantou a tese” de que Santana estava mesmo sendo investigado e que, portanto, poderia ser preso.

A prisão do casal, responsável pelas campanhas presidenciais do PT em 2006 (Lula), 2010 e 2014 (Dilma) veio 11 dias depois.

A principal acusação era que Santana e Mônica receberam US$ 7,5 milhões no exterior de Zwi Skornicki, lobista de um estaleiro que tem negócios com a Petrobras, e de offshores ligadas à Odebrecht. Segundo Moro, Mônica sabia que os recursos recebidos eram de origem ilícita.

 



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