Movimento antimanicomial pioneiro funciona em São Paulo desde a década de 80

Conheça o movimento antimanicomial que existe desde a década de 80 na cidade de São Paulo, com o objetivo de promover a autonomia dos usuários do sistema de saúde mental. O movimento tem também o objetivo de reinserir os pacientes na sociedade por meio...

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Conheça o movimento antimanicomial que existe desde a década de 80 na cidade de São Paulo, com o objetivo de promover a autonomia dos usuários do sistema de saúde mental. O movimento quer também reinserir os pacientes na sociedade por meio da geração de trabalho e renda.

Por Luciana Pellacani colaboradora da Rede Fórum 

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Para aqueles que desconhecem, há um movimento pioneiro na cidade de São Paulo, oriundo do esforço de pessoas que viveram desde os anos 80 a causa da luta antimanicomial, que visa a promoção da autonomia dos usuários do sistema de saúde mental e sua reinserção na sociedade por meio da geração de trabalho e renda e que ganhou importante e significativo incentivo na última gestão municipal.

O diálogo entre a saúde mental e a economia solidária surgiu em 2004 durante o Fórum Social Mundial a partir da percepção de que tanto a Economia Solidária quanto o Movimento pela Reforma Psiquiátrica compartilhavam de certos princípios relacionados à reinserção de grupos marginalizados no mundo do trabalho.

A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária da Cidade de São Paulo surgiu em 2009, a partir de um curso de difusão oferecido pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo – USP.  Logo a rede foi subdividida por regiões da cidade quando, a partir de 2010, começou a se destacar a segmentação da Zona Oeste de São Paulo, apelidada de Redinha Oeste.

No ano de 2016 a luta conquistou dois importantes objetivos com a abertura de dois pontos de comercialização e convívio na zona oeste da cidade de São Paulo:

Um espaço localizado na Praça Benedito Calixto: oferecido pela Sub Prefeitura de Pinheiros, este espaço se situa na Associação de Amigos da Praça, antiga sala de tele-centro na Rua Lisboa em Pinheiros e visa a comercialização e atividades culturais e mais um espaço chamado Ponto de Economia Solidária e Cultura do Butantã: situada na Av. Corifeu de Azevedo Marques, 250  próximo ao Instituto Butantã. A casa foi transferida da subprefeitura do Butantã para a Secretaria Municipal de Saúde.

Da Organização do trabalho

Formada por CAPS e CECCOS da região, os equipamentos gestores do sistema buscam, então, promover a formação de cooperativas de trabalho através do oferecimento de cursos em diversas áreas, assessoria do grupo em formação, fornecimento de infra-estrutura para a realização das atividades produtivas e a promoção da comercialização em feiras ou pontos fixos supra citados. Neste sentido, os equipamentos realizam uma espécie de incubação dos empreendimentos nela inseridos.

A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária – subdivisão Oeste é composta pelos trabalhadoras/usuárias/os, técnicas/os e estagiárias/os que fazem parte dos empreendimentos inseridos nos equipamentos e fazem reuniões organizacionais regularmente abertas a interessados

Os equipamentos e empreendimentos da Redinha Oeste atualmente são os seguintes:

  • Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Butantã – Cobra Criada, Livraria e

Sebo Louca Sabedoria e Loucos por eventos;

  • CAPS Itaim – O Bar Bibitantã eventos e gastronomia;
  • CAPS Itapeva – Oficina dos Anjos;
  • CAPS Lapa – Carinho Feito à Mão e Brechó;
  • CAPS Perdizes – Núcleo de Trabalho Gera Renda / Associação Anima: Padaria

Artesanal, Oficina do Sorvete, Brechó Arca da Fuzarca, Oficina Arte e

Decoupage e Recicla Tudo;

  • CAPS II Álcool e drogas (AD) Vila Madalena/PROSAM – Vida e Sabor: cultivo de mudas e Mosaico;
  • Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO) Bacuri – Talento à Beça,

Grupo Mosaico e Dança Cigana: arte e cultura;

  • CECCO Previdência – Oficina Inicial: produção de peças artesanais em

linguagens variadas;
Da Economia Solidária

Teorizada pelo Prof. Dr. Paul Singer, esta concepção econômica enxerga o mundo do trabalho como um procedimento para o desenvolvimento social e aplica a gestão não hierárquica (autogestão) dos processos do trabalho produtivo gerador de renda. O modelo é de fundamental importância para o segmento da Saúde Mental quando é eficiente ao promover maior autonomia ao usuário que se apropria de múltiplos saberes ao se tornar capaz de gerar sua própria renda. Além do efeito inclusivo neste caso a Economia Solidária também resgata a dignidade do cidadão especial e diferente habitante em uma sociedade hostil.

Fonte: Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares  da Universidade de São Paulo ITCP – USP

 

Serviço

Reuniôes da Redinha Oeste:

Local Ponto Corifeu ou Ponto Benedito

Datas: Uma vez ao mês nas quartas 2ª feiras às 14h.

Maiores informações: (011)- 31068908



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