Marcha em luto pelo direito de viver marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans em Belo Horizonte

Personalidades trans e travestis da capital mineira que têm se empenhado na resistência contra a violência e promoção de direitos participaram do cortejo fúnebre que reuniu cerca de 200 pessoas.

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Personalidades trans e travestis da capital mineira que têm se empenhado na resistência contra a violência e promoção de direitos participaram do cortejo fúnebre que reuniu cerca de 200 pessoas.

Por Alessandra Dantas, Colaboradora da Rede Fórum 

Há 13 anos, oficialmente, 29 de janeiro marca o Dia Nacional da Visibilidade Trans, que questiona e problematiza o lugar que as pessoas trans e travestis ocupam em nossa sociedade.

Na capital mineira, a data foi de denúncia às violações de direitos e mortes dessa população. Por meio de um cortejo fúnebre em silêncio pelas principais ruas e avenidas da região central de Belo Horizonte, o ato buscou chamar a atenção da sociedade para a dignidade das pessoas trans e travestis.

“Em dois anos consecutivos fomos líderes mundiais de violência contra a pessoa trans. Esses dados precisam ser mostrados para que a sociedade se comova de alguma forma”, afirma um dos coordenadores e aluno do TransVest, projeto artístico-pedagógico de combate à transfobia, João Maria Kaisen.

 

Manifestantes exibem seus cartazes em cortejo fúnebre pelo direito à vida de pessoas trans e travestis
Manifestantes exibem seus cartazes em cortejo fúnebre pelo direito à vida de pessoas trans e travestis

Cerca de 200 pessoas participaram da ação, a maioria com cartazes e faixas. Uma delas foi a secretária Alessandra Alves, que levou o filho de 10 anos, Pedro. “Participamos da luta pelo direito à vida das pessoas trans e travestis. Levo meu filho nas mobilizações para que ele saiba que todos nós somos iguais. Ele está na luta comigo desde os 5 anos de idade”, comemora Alves.

Pedro Lucas acompanha a mãe no Dia da Visibilidade Trans em Belo Horizonte
Pedro Lucas acompanha a mãe no Dia da Visibilidade Trans em Belo Horizonte

A manifestação contou com a presença da vereadora mais votada da capital, Áurea Carolina (PSOL), que lembrou a importância de se exigir do poder público medidas que preservem a vida das pessoas trans e travestis. “Além de ser um apelo para a sociedade, é uma demanda de política pública para que o estado intervenha e cumpra seu papel de promoção de direitos”.

Segundo pesquisa realizada em 2015 pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH), da Universidade Federal de Minas Gerais, intitulada “Direitos e violência na experiência de travestis e transexuais na cidade de Belo Horizonte: construção de um perfil social em diálogo com a população”, a expectativa média de vida desse público é de 35 anos. 96% das entrevistadas pelo estudo sofreram violência física e 45% tinham entre 13 e 17 anos quando foram obrigadas a sair de casa.

Cerca de 200 pessoas caminharam em silêncio pelas ruas de BH, com saída da Praça da Sete chegando à Praça da Liberdade
Cerca de 200 pessoas caminharam em silêncio pelas ruas de BH, com saída da Praça da Sete chegando à Praça da Liberdade

Uma das responsáveis pelo cortejo fúnebre nas ruas da capital mineira foi Cristal Lopez (foto). Aos 34 anos, a atriz, performer, bailarina e mulher trans ressalta que sair às ruas no Dia da Visibilidade Trans é também um ato de resistência. “A gente existe, nós vamos continuar aqui e não adianta nos matar. Todas que estão aqui são sobreviventes. Estamos marchando por aquelas que foram mortas, mas também comemoramos as nossas vidas porque, apesar de todas as adversidades, estamos aqui lutando pelo nosso direito à vida”.

 



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