Jean Wyllys: “Dona Marisa viveu a realidade da maioria das pessoas no Brasil profundo”

Deputado do PSOL se solidariza aos familiares e ressalta que além da tristeza do falecimento, sente pelas manifestações de ódio, rancor e falta de empatia vista nas redes sociais, que demonstram que a humanidade é desumana, em referência a Renato Russo. Leia depoimento publicado...

1449 0

Deputado do PSOL-RJ se solidariza aos familiares e ressalta que além da tristeza do falecimento, sente pelas manifestações de ódio, rancor e falta de empatia vista nas redes sociais, que demonstram que a humanidade é desumana, em referência a Renato Russo. Leia depoimento publicado no Facebook do parlamentar. 

Da Redação

DONA MARISA

É com uma enorme tristeza que eu recebo a notícia do estado irreversível da saúde da senhora Marisa Letícia, esposa de Lula e ex-primeira dama da República. Ela estava internada em São Paulo, por um acidente vascular cerebral, mas, infelizmente, está com morte cerebral. A família informou que já autorizou os procedimentos para a doação de órgãos, uma atitude nobre e solidária que dá o exemplo. Desde já, quero me solidarizar com sua família e com todos os amigos e admiradores dela, em especial com seus filhos e o ex-presidente Lula.

 

Dona Marisa foi uma pessoa que, desde muito cedo, viveu a realidade da maioria das pessoas no Brasil profundo. Começou a trabalhar já aos 13 anos, casou-se cedo e teve o primeiro marido assassinado. Viveu a partir daí a experiência de ser mãe solteira, viúva. Depois, conheceu Lula e viu-se às voltas com a perseguição política sob a ditadura militar que suspendeu a democracia no nosso país. Nesse período, foi quando ela liderou a conhecida Passeata das Mulheres, que pedia a liberação de sindicalistas encarcerados pelo regime por demandarem melhores condições de trabalho.

 

Desde os anos de 1980, Dona Marisa passou a ser reconhecida por muitas pessoas, já que a sua atuação e a parceria com Lula lançaram-na ao centro de fatos políticos de grande relevância. Sua contribuição, no entanto, não foi dada a partir da ocupação de cargos ou da tradicional disputa por espaços na institucionalidade. O que nunca significou que não tenha sido enorme a sua importância. Pelo contrário.

 

Mãe zelosa, companheira de toda a trajetória de Lula, uma pessoa de sensibilidade ímpar e afetividade reconhecida por todos que conviveram de perto com ela. Esta era Marisa Letícia, de quem agora nos despedimos, e que com certeza fará muita falta a todos que sonham com um Brasil mais humano e decente para as pessoas.

 

Eu estou muito triste não só pelo falecimento dessa grande mulher, mas também pelas manifestações de ódio, rancor e falta de empatia (e eu diria até de humanidade, mas, infelizmente, a humanidade é desumana, como cantava Renato Russo) que vi nos últimos dias nas redes sociais. Gente que, motivada por um ódio político cego que beira a psicopatia, manifestava sua alegria pela dor de Lula, pelo grave estado de saúde de sua companheira. Esse tipo de gente merece meu desprezo. Fico triste, também, pela forma sensacionalista e odiosa com que a família do ex-presidente foi tratada nos últimos tempos por parte da mídia, que usou de forma vergonhosa factoides como o caso do “pedalinho”. Os últimos tempos da vida de Dona Marisa foram difíceis também por isso.

 

Que descanse em paz e que a história a coloque no seu merecido lugar, quando tempos melhores chegarem, com meno ódio e mais amor pelo próximo, como ela sempre teve.



No artigo

x