Direto do Espírito Santo: Últimas informações e entrevistas com moradores sobre a onda de violência

Sem PMs nas ruas, lojas foram invadidas e saqueadas, ônibus foram queimados e o índice de homicídios aumentou consideravelmente, deixando a população em pânico. Ao menos 50 pessoas já morreram em menos de uma...

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Sem PMs nas ruas, lojas foram invadidas e saqueadas, ônibus foram queimados e o índice de homicídios aumentou consideravelmente, deixando a população em pânico. Ao menos 50 pessoas já morreram em menos de uma semana

Por Daniel Pasti*, colaborador da Rede Fórum

Os capixabas não saem mais de casa. Desde o dia 4 deste mês, familiares de policiais militares fazem um protesto em frente aos batalhões de polícia e em cidades do interior do estado. Os manifestantes, compostos em sua maioria por esposas e filhas de policiais, reivindicam reajuste salarial e benefícios para a categoria.

O secretário do Estado de Segurança Pública, André Garcia, declarou que o governo mantém conversas com entidades que representam os policiais e com os próprios manifestantes. Após reunião entre o secretário e as famílias, a enfermeira Letícia Rodrigues, esposa e sogra de policiais militares, alegou que nenhuma solução foi proposta pelo governo. “Tentaram empurrar a gente com a barriga. Todos os batalhões vão continuar fechados”. Uma nova negociação com a Sesp (Secretaria do Estado de Segurança Pública) foi marcada para a próxima segunda-feira (6), às 13h, no Palácio Anchieta. A Justiça determinou que a greve é ilegal.

Desde o início das manifestações, o número de crimes aumentou substancialmente no Espírito Santo, principalmente na região da Grande Vitória. Foram registradas 51 mortes desde o início dos protestos, um aumento de mais de 1.000% em relação a todo o mês de janeiro, segundo o Departamento Médico Legal (DML). Também houve uma série de arrombamentos em lojas no bairro da Glória, em Vila Velha, e no Centro de Vitória, áreas tradicionalmente comerciais. Na manhã desta segunda-feira, a maioria do estabelecimentos decidiu não abrir as portas.

Além disso, eventos em todo o Espírito Santo foram afetados. Os jogos do Campeonato Capixaba foram adiados e a Sommerfest, em Domingos Martins, que acontece desde o dia 2 e vai até o dia 5, não contará com a presença de forças militares.

Em entrevista, a estudante de Jornalismo da Ufes Beatriz Oliveira de Paula declarou que sente medo de sair de casa. “Não me sinto segura nem para ir à padaria. As ruas estão desertas e, em 16 anos que moro neste prédio, nunca havia visto um assalto em minha rua e ontem a noite foram três”. A estudante mora no bairro Jardim Camburi, divisa de município entre Vitória e Serra.

André Garcia informou também nesta segunda-feira que o governo do estado trocou o comando da Polícia Militar. Menos de um mês após assumir, o coronel Laércio Oliveira deixou o posto, dando lugar ao Coronel Nilton. O Ministério da Defesa confirmou que as Forças Armadas atuarão na segurança do estado, faltando apenas o decreto do presidente Michel Temer.

*Daniel Pasti tem 18 anos e cursa Comunicação Social – Jornalismo na Universidade Federal do Espírito Santo. Faz parte de um coletivo chamado NUDE Coletivo, que faz coberturas de vários eventos esportivos com foco no esporte capixaba como futebol, remo, vôlei, vôlei de praia, futebol de 7, dentre outros



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