“Suas perguntas são de um inquisidor”, diz defesa de Lula para Sérgio Moro

Advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que a defesa fez o seu papel, alertando o juiz que ele não poderia insistir em uma pergunta já respondida, “como se buscasse um novo posicionamento”.

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Advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que a defesa fez o seu papel, alertando o juiz que ele não poderia insistir em uma pergunta já respondida, “como se buscasse um novo posicionamento”

Por Redação

Na manhã desta segunda-feira (13), o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli foi ouvido como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação da Operação Lava-Jato que investiga o caso do tríplex em Guarujá (SP). Durante o depoimento do executivo, a defesa de Lula interrompeu o juiz Sérgio Moro e afirmou que ele fazia “perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz”.

A audiência começou às 9h30 e foi realizada por videoconferência de Salvador (BA), com a Justiça Federal do Paraná, em Curitiba. O desentendimento ocorreu quando Moro perguntou a Gabrielli qual foi o motivo da substituição de Nestor Cerveró por Jorge Zelada na diretoria internacional da estatal, em 2008.

E, mesmo ao ouvir uma resposta detalhada, Moro insistiu em saber se Gabrielli não havia indagado sobre o motivo da mudança da diretoria. Neste momento, a defesa avisou ao juiz que há limites para as perguntas. Foi quando o magistrado argumentou que estava fazendo as perguntas normalmente e não induzindo a testemunha.

Veja o trecho completo do diálogo:

Defesa: Há um limite, Excelência.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas.
Defesa: Vossa excelência está insistindo.
Sérgio Moro: Eu estou fazendo as perguntas, doutor. Não estou induzindo a testemunha.
Defesa: É a quinta pergunta. Ele já respondeu.
Sérgio Moro: Eu ouvi pacientemente as perguntas da defesa e do Ministério Público, eu estou fazendo as minhas perguntas. Certo?
Defesa de Lula: Mas as suas perguntas são as perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz.
Sérgio Moro: Doutor, respeite o Juízo.
Defesa: Vossa excelência respeite, então, a ordem processual.
Sérgio Moro: Respeite o juízo.

Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que a defesa fez o seu papel, alertando o juiz que ele não poderia insistir em uma pergunta já respondida, “como se buscasse um novo posicionamento”. “Em todas as audiências o juiz fez perguntas às testemunhas e todas elas, sem exceção, buscavam favorecer a acusação, jamais a defesa”, diz o comunicado.

Ainda de acordo com o texto, a defesa “arguiu a suspeição do juiz indicando dez fatos concretos que mostram que ele perdeu a imparcialidade para julgar o ex-presidente Lula, de modo que sua atuação se confunde com a dos acusadores”.

Com informações do portal G1

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Fotos Públicas 



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